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AMBIENTE Onda verde Com
a criação de novas áreas nas zonas Norte e Leste, a ampliação
do Parque Ecológico do Tietê e do Villa-Lobos e o plantio
de 4 000 árvores em toda a extensão da Marginal Tietê,
a cidade deve ganhar 1,9 milhão de metros quadrados de vegetação,
o equivalente a 230 campos de futebol Lúcia
Monteiro
Divulgação  |
| Fotomontagem do futuro jardim do Cebolão: antes do plantio,
11 000 toneladas de lixo foram retiradas do rio (veja quadro)
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Quem
desembarca no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e segue em direção
a São Paulo fica chocado ao chegar à Marginal Tietê. Não
há placas de boas-vindas, mas favelas, congestionamento, asfalto precário,
pichações e um cheiro de esgoto que beira o insuportável.
Esse sempre foi um péssimo cartão de visita da cidade. Os paulistanos
que passaram por ali nos últimos meses devem ter percebido, no entanto,
que o cenário, aos poucos, entrou em transformação. Depois
das obras para evitar alagamentos no Rio Tietê, iniciadas há três
anos e com conclusão programada para setembro, 4.000 árvores e 5.000
arbustos estão sendo plantados nas margens. Trata-se de um jardim estreito,
porém longo. Terá uma extensão de 24,8 quilômetros,
da Penha, na Zona Leste, ao Cebolão, na Zona Oeste. A nova área
verde na Marginal Tietê compreende 298.000 metros quadrados, o equivalente
a 36 campos de futebol. Não
é a única boa notícia para o meio ambiente da cidade. Até
o fim do ano que vem, por iniciativa do governo do estado, São Paulo deve
ganhar 1,9 milhão de metros quadrados de vegetação, mais
do que um Parque do Ibirapuera. Além da Marginal, a conta inclui a ampliação
do Parque Ecológico do Tietê e do Parque Villa-Lobos e a transformação
da Febem do Tatuapé em um centro de esportes, previstas para 2006. Entra
ainda no cálculo o Parque da Juventude, que funciona no lugar do antigo
Complexo Penitenciário do Carandiru e deve ser expandido até 2006.
"Faltam opções de lazer barato na cidade", afirma o governador Geraldo
Alckmin, idealizador do projeto integrado de novos parques. "Nossa proposta é
que esses lugares sejam a praia dos paulistanos."
Mario Rodrigues  |
| O governador Geraldo Alckmin no antigo Carandiru: "Uma
praia para os paulistanos" | A
prefeitura também aderiu à onda verde. No ano passado, foram inaugurados
sete parques, com 1 milhão de metros quadrados. "Estamos tentando viabilizá-los
para que tenham equipamentos, funcionários e previsão orçamentária",
diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge. "Nossa
meta é plantar 200.000 árvores por ano." Esse projeto está
no início. Nas últimas semanas, foram doadas 787 mudas (quem quiser
adotar uma pode pedir de graça no
3372-2222). Os planos da prefeitura incluem dois novos espaços, em Parelheiros
e na Vila Maria, a ampliação do Parque do Carmo e a implantação
de jardins ao longo de córregos, com o objetivo de prevenir enchentes.
"Para que os planos dêem certo, toda a sociedade precisa se engajar", ressalta
Mario Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica. "O
cidadão deve cuidar de cada praça como se ela fosse o quintal de
sua casa." Assim como reclamar do
trânsito caótico e do ar poluído, dizer que São Paulo
tem carência de áreas verdes tornou-se lugar-comum. Mas, ao contrário
do que muita gente pensa, a vegetação total do município
não é tão pequena. Existem na capital quarenta parques municipais,
doze estaduais e 11,2 milhões de metros quadrados de praças de grande
porte. Juntos, ocupam 140 milhões de metros quadrados ou um décimo
da superfície da cidade. A proporção chega a 13 metros quadrados
por habitante. Não é pouco. Há 14 metros por habitante em
Paris, por exemplo. É verdade que, se não forem consideradas as
áreas verdes localizadas nos limites do município, como os parques
da Cantareira, do Jaraguá e da Guarapiranga, o índice de São
Paulo cai para escassos 4,8 metros por habitante. "Nenhuma metrópole mundial
desse porte tem um cinturão verde maior do que o nosso", afirma o biólogo
Marcelo de Oliveira, autor do livro Verde Perto A Natureza ao Redor
de São Paulo. "Essas matas são uma espécie de ar-condicionado:
elas estabilizam a temperatura e garantem umidade."
O grande problema é a má distribuição da cobertura
vegetal. Bairros como Vila Nova Conceição, Jardim Europa, Alto de
Pinheiros e Butantã são bem servidos de verde, enquanto o centro
e a periferia são quase desérticos. "Na Mooca, que tem muitos galpões
com teto de zinco e pouca sombra, a diferença da sensação
de temperatura é enorme", diz Paula Santoro, do Instituto Pólis.
Ali, os termômetros chegam a registrar temperaturas até 10 graus
mais altas que na Serra da Cantareira. Uma das vantagens do plano do governo estadual
vai justamente nessa direção: cria parques em regiões áridas
como o Belém, onde está a Febem do Tatuapé, a Vila Guilherme,
lugar do extinto Carandiru, e a Marginal Tietê. De
todos os projetos em andamento, o do Tietê é o de maior vulto. As
obras estão orçadas em 850 milhões de reais 75% desse
valor tem financiamento do Banco do Japão, com prazo de pagamento até
2027 e juros de 1,8% ao ano. A função principal é evitar
alagamentos. Para isso, o leito do rio ganhou mais 2,5 metros de profundidade
e sua largura média na superfície passou de 50 para 80 metros. As
tubulações que levam a água da chuva e de córregos
foram reformadas, e as margens receberam revestimento de concreto. Durante as
obras, 120.000 pneus e 11.000 toneladas de lixo foram retirados da água.
Barcaças continuarão percorrendo o rio para recolher detritos. De
lá, rumarão por uma hidrovia até aterros na região
de Santana do Parnaíba. "Tal tipo de poluição só pode
ser evitado com educação ambiental", diz o governador Alckmin. O
Tietê sofre igualmente de outro tipo de sujeira. Milhares de litros de esgoto
nele são lançados todos os dias, problema para o qual não
há solução rápida.
Perto da complexidade da despoluição e do alargamento do rio mais
importante da região metropolitana, o paisagismo parece apenas um detalhe.
Não é. O caminho de jardins interligados desde o Parque Ecológico
do Tietê, no extremo leste, até o Jaguaré, onde começa
o Projeto Pomar jardim implantado há seis anos nas margens do Rio
Pinheiros , vai melhorar o astral da cidade. Claro que as marginais ainda
estão longe de ser o bulevar sonhado em 1929 pelo engenheiro Prestes Maia,
prefeito da cidade por vários mandatos entre as décadas de 30 e
60. Mas a melhora na paisagem já é uma esperança concreta
para todos os paulistanos.
| Marginal Tietê
Fotos Mario Rodrigues  |
COMO ESTÁ
O leito do Rio Tietê foi aprofundado em 2,5 metros e alargado para
80 metros em média. Suas margens foram revestidas com concreto projetado.
Cerca de 80% das obras já estão prontas
COMO VAI FICAR Haverá duas faixas
de jardim nas laterais, junto às marginais. Estão sendo plantados
4 000 árvores, 5 000 arbustos e 298 000 metros quadrados de gramado
CUSTO
850 milhões de reais, com financiamento do Banco do Japão
DATA PREVISTA
Setembro de 2005 |
| Parque da Juventude
Mario Rodrigues  |
| Fotomontagem do projeto completo do Parque da Juventude
(abaixo) e uma das dez quadras já inauguradas: transformação
em área de lazer | COMO
ESTÁ No local que era ocupado pela Casa
de Detenção, no antigo Complexo Penitenciário do Carandiru,
há uma pista de skate, dez quadras poliesportivas, bosque e pista para
caminhada. A área pronta compreende 240 000 metros quadrados
COMO VAI FICAR
Dos quatro pavilhões que ainda estão de pé, dois
serão implodidos. Os restantes devem receber uma reforma para abrigar um
centro de informática, uma escola técnica, um espaço cultural
e um instituto de promoção da saúde, dedicado à medicina
preventiva, às técnicas alternativas e ao adolescente
CUSTO O governo já investiu
13,5 milhões de reais no local. A última etapa do projeto está
em fase de licitação e deve custar cerca de 40 milhões de
reais DATA
PREVISTA Primeiro semestre de
2006 PÚBLICO
43 000 pessoas por mês |
| Parque Villa-Lobos
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| Projeto de ampliação do Villa-Lobos
(área demarcada à direita): 400 000 metros quadrados a mais
| COMO ESTÁ
Tem 350 000 metros quadrados, pista para caminhada
com 3 quilômetros, ciclovia de 1,6 quilômetro, sete quadras de tênis,
quatro campos de futebol, quatro quadras poliesportivas, uma de futsal e uma para
vôlei de praia. Há 750 vagas no estacionamento
COMO VAI FICAR
Ocupará uma área total de 750 000 metros quadrados, até
a Marginal Pinheiros. Entre as novidades previstas estão um novo bosque,
um playground e uma praça para apresentações musicais ao
ar livre. O estacionamento ganhará 400 vagas CUSTO
7 milhões de reais. Parte do dinheiro é da iniciativa privada
DATA PREVISTA
Início de 2006 PÚBLICO
250 000 pessoas por mês
Mario Rodrigues  |
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| Parque Ecológico do Tietê
Divulgação  |
| Croqui feito pelo arquiteto Ruy Ohtake para o parque
conhecido por sua rica fauna: expansão até a Penha | COMO
ESTÁ Numa área de 14 milhões
de metros quadrados, há três piscinas, dezessete quadras de futebol
e 5 quilômetros de pista para caminhada COMO
VAI FICAR Ganhará mais
700 000 metros quadrados CUSTO
6 milhões de reais. No ano passado, já foram empregados 2,5 milhões
de reais em uma reforma em parceria com a iniciativa privada
DATA PREVISTA
Fim de 2006 PÚBLICO
45 000 pessoas por mês
Mario Rodrigues  |
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