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10 de dezembro de 2003
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MUNDO ANIMAL

Sim, elas são paulistanas

Última descoberta: 273 espécies
de
aves batem suas asas na cidade

Lúcia Monteiro

 
Fotos Edson Endrigo

TANGARÁ
(Chiroxiphia caudata)
O macho é azul com cabeça vermelha, como o da foto. A fêmea tem plumagem verde. Por causa do balé que faz para se exibir, a espécie é conhecida como tangará-dançarino.
Onde vive: na Serra da Cantareira

SAIRÁ-LAGARTA
(Tangara desmaresti)
Comum no alto das montanhas da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira, aparece na copa das árvores da Zona Norte, em grupos de no máximo sete. É mais fácil vê-lo quando pousa em pequenos arbustos para se alimentar.
Onde vive: no Horto Florestal e na Serra da Cantareira

Munido de uma poderosa teleobjetiva e de um gravador que reproduz o canto de centenas de pássaros (serve para atraí-los), o fotógrafo Edson Endrigo percorre, há oito anos, parques, bosques, gramados e represas da cidade. Sua meta é captar imagens das mais variadas aves. Até agora, 273 já foram registradas por suas câmeras. O resultado está reunido no livro Guia de Aves da Grande São Paulo, com lançamento previsto para janeiro. Realizado em parceria com o biólogo Pedro Develey, o trabalho indica que a fauna paulistana é mais diversificada do que se pensava. A última pesquisa da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, publicada em 2000, catalogou 215 espécies.

Trata-se de uma variedade muito maior que a da maioria dos países europeus. "Isso se deve ao fato de termos um ambiente heterogêneo, com árvores frutíferas, brejos, gramados e regiões urbanizadas", afirma Develey. Além do mais, existem na região metropolitana grandes ilhas de vegetação fechada, que funcionam como verdadeiros reservatórios. A Serra da Cantareira, o Morro Grande, em Cotia, e o entorno das represas Billings e Guarapiranga reúnem perto de 90% das espécies. "Se esses lugares desaparecessem, o número cairia pela metade", acredita Develey.

 

PERIQUITO VERDE
(Brotogeris tirica)
Espécie numerosa, mesmo em bairros pouco arborizados. Os ninhos são encontrados em cavidades de troncos e até em telhados. Come frutos de paineiras e de outras árvores.
Onde vive: em toda a cidade

BICO-DE-LACRE
(Estrilda astrild)
Nativo da África, chegou aqui no século XIX. Multiplicou-se e hoje faz parte da fauna local. Gosta de terrenos baldios.
Onde vive: nas margens dos rios Tietê e Pinheiros

Registros antigos indicam que por São Paulo já passaram cerca de 400 aves diferentes. Muitas delas, no entanto, só podem ser vistas em desenhos ou empalhadas em museus e coleções particulares. O tuiuiú, que era encontrado até o início do século XX, por exemplo, desapareceu junto com as matas que cercavam os rios da capital. Do mesmo modo, está praticamente extinta da selva urbana a jacutinga, visada por caçadores. "Há dezessete espécies ameaçadas", diz Maria Amélia Santos de Carvalho, bióloga da Divisão de Fauna da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Entre as raridades figuram o curió, o azulão, a araponga e o gavião de cabeça cinza.

Ao mesmo tempo que afastou alguns pássaros, o crescimento de São Paulo beneficiou outros. É o caso do urubu, do chopim e do periquito verde, que faz ninho até no forro de casas. "Não existe um censo demográfico, mas percebemos que os gaviões estão mais numerosos por causa dos roedores", explica Maria Amélia. A fauna mostrada no livro é mais extensa que o levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente porque abrange a Grande São Paulo. E também pela obstinação do fotógrafo. "Levei cinco anos para conseguir uma imagem do pica-pau-de-banda-branca, que se esconde no meio da mata", conta Endrigo. Mas nem sempre é tão difícil localizar as aves paulistanas. O bico-de-lacre, introduzido no Brasil no século XIX (é originário da África), foi clicado em terrenos baldios e nas margens dos rios Pinheiros e Tietê. Ver essa belezura de penas acinzentadas e bico vermelho pode ser uma boa surpresa quando o trânsito pára na Marginal.

 

SABIÁ-LARANJEIRA
(Turdus rufiventris)
É uma das espécies mais comuns na cidade. Desce com freqüência ao solo em busca de alimentos e, entre setembro e novembro, costuma cantar antes do amanhecer.
Onde vive: Ibirapuera e outros parques

PICA-PAU-DE-BANDA-BRANCA
(Dryocopus lineatus)
Seu habitat principal são florestas e cerrado, mas alguns exemplares solitários ou casais às vezes surgem por aqui.
Onde vive: no Parque Burle Marx, na Represa de Guarapiranga e na Cidade Universitária

 

         
     
 
 
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