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MUNDO
ANIMAL
Sim, elas são paulistanas
Última
descoberta: 273 espécies
de aves
batem suas asas na cidade
Lúcia Monteiro
Fotos Edson Endrigo
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TANGARÁ
(Chiroxiphia
caudata)
O
macho é azul com cabeça vermelha, como o da
foto. A fêmea tem plumagem verde. Por causa do balé
que faz para se exibir, a espécie é conhecida
como tangará-dançarino.
Onde
vive: na Serra da Cantareira
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SAIRÁ-LAGARTA
(Tangara desmaresti)
Comum
no alto das montanhas da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira,
aparece na copa das árvores da Zona Norte, em grupos
de no máximo sete. É mais fácil vê-lo
quando pousa em pequenos arbustos para se alimentar.
Onde
vive: no Horto Florestal e na Serra da Cantareira
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Munido
de uma poderosa teleobjetiva e de um gravador que reproduz o canto
de centenas de pássaros (serve para atraí-los), o
fotógrafo Edson Endrigo percorre, há oito anos, parques,
bosques, gramados e represas da cidade. Sua meta é captar
imagens das mais variadas aves. Até agora, 273 já
foram registradas por suas câmeras. O resultado está
reunido no livro Guia de Aves da Grande São Paulo,
com lançamento previsto para janeiro. Realizado em parceria
com o biólogo Pedro Develey, o trabalho indica que a fauna
paulistana é mais diversificada do que se pensava. A última
pesquisa da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, publicada
em 2000, catalogou 215 espécies.
Trata-se de uma variedade muito maior que a da maioria dos países
europeus. "Isso se deve ao fato de termos um ambiente heterogêneo,
com árvores frutíferas, brejos, gramados e regiões
urbanizadas", afirma Develey. Além do mais, existem na região
metropolitana grandes ilhas de vegetação fechada,
que funcionam como verdadeiros reservatórios. A Serra da
Cantareira, o Morro Grande, em Cotia, e o entorno das represas Billings
e Guarapiranga reúnem perto de 90% das espécies. "Se
esses lugares desaparecessem, o número cairia pela metade",
acredita Develey.
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PERIQUITO
VERDE
(Brotogeris tirica)
Espécie
numerosa, mesmo em bairros pouco arborizados. Os ninhos são
encontrados em cavidades de troncos e até em telhados.
Come frutos de paineiras e de outras árvores.
Onde
vive: em toda a cidade
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BICO-DE-LACRE
(Estrilda astrild)
Nativo
da África, chegou aqui no
século XIX. Multiplicou-se e
hoje faz parte da fauna local. Gosta de terrenos baldios.
Onde
vive: nas margens dos rios Tietê e Pinheiros
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Registros
antigos indicam que por São Paulo já passaram cerca
de 400 aves diferentes. Muitas delas, no entanto, só podem
ser vistas em desenhos ou empalhadas em museus e coleções
particulares. O tuiuiú, que era encontrado até o início
do século XX, por exemplo, desapareceu junto com as matas
que cercavam os rios da capital. Do mesmo modo, está praticamente
extinta da selva urbana a jacutinga, visada por caçadores.
"Há dezessete espécies ameaçadas", diz Maria
Amélia Santos de Carvalho, bióloga da Divisão
de Fauna da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Entre
as raridades figuram o curió, o azulão, a araponga
e o gavião de cabeça cinza.
Ao mesmo tempo que afastou alguns pássaros, o crescimento
de São Paulo beneficiou outros. É o caso do urubu,
do chopim e do periquito verde, que faz ninho até no forro
de casas. "Não existe um censo demográfico, mas percebemos
que os gaviões estão mais numerosos por causa dos
roedores", explica Maria Amélia. A fauna mostrada no livro
é mais extensa que o levantamento da Secretaria Municipal
do Meio Ambiente porque abrange a Grande São Paulo. E também
pela obstinação do fotógrafo. "Levei cinco
anos para conseguir uma imagem do pica-pau-de-banda-branca, que
se esconde no meio da mata", conta Endrigo. Mas nem sempre é
tão difícil localizar as aves paulistanas. O bico-de-lacre,
introduzido no Brasil no século XIX (é originário
da África), foi clicado em terrenos baldios e nas margens
dos rios Pinheiros e Tietê. Ver essa belezura de penas acinzentadas
e bico vermelho pode ser uma boa surpresa quando o trânsito
pára na Marginal.
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SABIÁ-LARANJEIRA
(Turdus rufiventris)
É
uma das espécies mais comuns na cidade. Desce com freqüência
ao solo em busca de alimentos e, entre setembro e novembro,
costuma cantar antes do amanhecer.
Onde
vive: Ibirapuera e outros parques
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PICA-PAU-DE-BANDA-BRANCA
(Dryocopus lineatus)
Seu habitat principal são florestas e cerrado, mas
alguns exemplares solitários ou casais às vezes
surgem por aqui.
Onde vive: no Parque Burle Marx, na Represa de Guarapiranga
e na Cidade Universitária
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