| |
| |  | |
PERFIL
A Janine do Jacques
À frente de 34 salões
na
cidade, a esteticista lança
livro com dicas de beleza
Marcelo Ventura
Heudes Regis
 |
| Janine Goossens no salão da Rua Augusta:
fala mansa e roupas claras |
Quando chegou à cidade, em 1957, aos 18 anos, a francesa
Janine Merlino trouxe com ela um diploma de esteticista. Veio com
o irmão e os pais, que haviam decidido emigrar para que o
filho não fosse alistado nem lutasse na Guerra da Argélia.
Graças ao canudo e a uma indicação da Câmara
de Comércio francesa, Janine conseguiu emprego no Sacha,
na época um badalado salão dos Jardins. Ávidas
por novidades da Europa, as clientes gostavam de ser atendidas por
ela, que mal começava a aprender português. Fez amizades
e, pouco tempo depois, uma colega a convidou para um piquenique
numa chácara em Mogi das Cruzes. Foi lá que conheceu
Jacques Goossens, um cabeleireiro parisiense que trabalhara no mesmo
Sacha dois anos antes e agora tinha sua própria clientela
na Rua Oscar Freire. Pouco menos de três meses após
o primeiro encontro, eles trocaram alianças. Nascia aí
o Jacques Janine.
Hoje, sob o comando do casal, que tem duas
filhas e cinco netos, 1 600 profissionais recebem 50 000 pessoas
por mês nos 34 salões da rede em São Paulo
há outras vinte unidades espalhadas pelo país e uma
em Miami. Janine não atende mais, mas cuida pessoalmente
da formação da equipe e ainda encontra tempo para
dividir suas experiências. Há três semanas, ela
lançou Beleza Um Conjunto em Harmonia (Editora
Harbra, 256 páginas, R$ 68,90). No livro, dá dicas
sobre pele, cabelo e maquiagem, revelando alguns segredinhos que
tanto agradam a fiéis clientes como a atriz Beatriz Segall
e as empresárias Helena Mottin e Kika Rivetti. "Meu cabelo
até pode ser feito em outro lugar, mas pele, unha e rosto,
jamais", diz Kika.
Janine faz um certo estilo empresária
zen. Com gestos suaves e fala pausada, só se veste com cores
claras. Ela também não deixa ninguém pisar
no chão ou se sentar nos sofás brancos de seu apartamento
de 500 metros quadrados nos Jardins sem antes tirar os sapatos.
Ao lado de Jacques, viajou muito para o exterior. Da Índia,
por exemplo, voltou com a idéia de criar o Dia da Noiva.
Em quase cinqüenta anos de atuação, a francesa
viu a cidade tomar forma. "São Paulo é minha realização",
afirma. Conceitos e costumes relacionados à estética
mudaram sob seus olhos. "Antigamente, esperava-se até quatro
horas para uma pessoa ser atendida", recorda. "Algumas mulheres
ainda levavam o duas-peças para tomar sol no quintal da unidade
Augusta enquanto a fila não andava."
Os salões franqueados Jacques Janine
não são tão badalados como o de alguns concorrentes.
Por isso mesmo, cobram 150 reais por um corte. Não é
pouco, mas é cerca da metade do que se paga pelos serviços
de Wanderley Nunes, Celso Kamura, Marco Antonio de Biaggi ou Ricardo
Cassolari. "Jacques e Janine são uma referência, exemplo
de empreendedorismo e dedicação profissional", diz
o cabeleireiro Celso Kamura, de cuja língua afiada raramente
sai um elogio. Marco Antonio de Biaggi, outro ás das tesouras,
respeita a história, mas discorda, de maneira geral, do conceito
de grandes redes. "Elas deixam de fazer moda", espeta. Janine, no
entanto, diz que prefere confiar na perenidade do belo em detrimento
de modismos. E como ela define beleza? "É ter bondade", afirma.
"A beleza está ligada ao coração."
|
Algumas dicas de quem sabe
Pele
Tome
uma ducha antes da exposição aos raios solares
para limpar a pele de loções, desodorantes e
cremes. Eles podem provocar uma reação sensibilizante
Troque
a fronha do travesseiro diariamente por causa da oleosidade
da pele
Cabelos
Não
escove os cabelos molhados
Eles
podem ser lavados quantas vezes forem necessárias,
até mesmo diariamente, mas você precisa saber
qual é seu tipo de cabelo (seco, oleoso, quebradiço...)
para usar o xampu certo
Maquiagem
Utilize
sombra fosca, pois a cintilante acentua as marcas
Antes
do batom, passe um pouco de pó-de-arroz sobre os lábios:
ele não permitirá que o batom saia rapidamente
|
|