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TRÂNSITO
O cerco aos infratores
A CET usa palmtops e radares
inteligentes para aumentar multas
Rodrigo Brancatelli
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| Autuação mais rápida: palms podem tirar fotos
e enviá-las à central |
Além do aumento de veículos
nas ruas por causa do término das férias escolares,
agosto reserva algumas surpresas para os motoristas paulistanos.
Responsável pela fiscalização dos 4 milhões
de carros que entopem as vias da cidade todos os dias, a Companhia
de Engenharia de Tráfego (CET) promete apertar o cerco aos
infratores das leis de trânsito. A primeira medida será
aposentar aos poucos os velhos blocos de papel em que os marronzinhos
anotam as multas. Eles passarão a usar palmtops, computadores
de mão capazes de tirar fotos e transmitir dados à
central de operações da CET. Os aparelhos estão
em fase de testes e, no fim do mês, 1.010 unidades devem chegar
às ruas. Assim, se um fiscal demora até três
minutos para preencher uma multa, precisará de apenas alguns
cliques na tela para registrar a infração.
O número de radares em funcionamento
será ampliado. Atualmente, quarenta câmeras operam
em 120 pontos da cidade. A previsão é que, em quatro
meses, haverá 101 câmeras em 300 pontos. Boa parte
delas irá contar com um sistema de leitura automática
que registra a placa do veículo e consegue flagrar não
apenas casos de excesso de velocidade mas também desrespeito
ao rodízio, invasão de corredores de ônibus
e documentação irregular. A informação
pode ser enviada a um satélite que a repassa em cinco segundos
para bloqueios montados em locais estratégicos. "Iremos usar
a tecnologia para acabar com a sensação de impunidade",
diz o presidente da CET, Roberto Scaringella.
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| Sem manutenção: 200 dos 800
veículos da companhia estão encostados por falta
de peças |
Esse reforço faz parte de um plano para
aumentar em 20% o número de multas aplicadas. Poderá
ser um alívio para o flagelado caixa da CET. Nas duas últimas
administrações, o sucateamento tomou conta da companhia
(faltam desde capas de chuva para os marronzinhos até cones
e veículos). Dos 1.300 semáforos inteligentes, capazes
de organizar o trânsito, apenas 130 estão funcionando.
Só existem duas equipes com meia dúzia de profissionais
cada uma para cuidar de 5.000 faróis. Das 150 câmeras
de vídeo responsáveis pelo monitoramento das vias,
noventa permanecem quebradas desde meados do ano passado. A idade
média de sua frota é de quinze anos. Resultado: 200
dos 800 veículos estão encostados por falta de peças,
muitos com a lataria amassada e corroída pelo tempo. Para
completar, o governo de Marta Suplicy reduziu os postos de medição
de congestionamentos de cinqüenta para 36 e, em novembro, suspendeu
os contratos com guinchos.
"A CET deve 60 milhões de reais ao
INSS", afirma Alfredo Coletti, diretor do Sindicato dos Trabalhadores
do Sistema Viário (Sindviários). "De FGTS, são
mais de 4,8 milhões de reais não depositados. É
uma situação crítica." Se a lei tivesse sido
seguida à risca, a empresa estaria em condições
bem diferentes. O orçamento, que em 2002 foi de 242 milhões
de reais, baixou para 182 milhões no ano seguinte e, em 2004,
foi de 175 milhões (veja quadro abaixo). A verba deste
ano não cobre a folha de pagamento dos 4.000 funcionários,
que ultrapassa os 160 milhões de reais. Apesar de o Código
de Trânsito Brasileiro estabelecer que 95% da receita obtida
com as multas seja destinada à educação, operação
e policiamento de trânsito, estima-se que nos últimos
quatro anos pelo menos 250 milhões de reais tenham ido para
outras áreas do governo. Como a arrecadação
anual da prefeitura com multas gira em torno de 300 milhões
de reais, pelo menos 285 milhões deveriam ir para os cofres
da CET. "Com esse dinheiro daria para diminuir o número de
mortes no trânsito", diz Scaringella. Por mês, acontecem
na cidade 15.000 acidentes, 1.500 deles com vítimas. Há
uma média de quatro mortes por dia. "O sucateamento sofrido
pela companhia faz com que o trânsito fique cada vez mais
complicado e se torne um risco para a segurança dos motoristas."
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10%
dos semáforos inteligentes estão funcionando.
Existem 1300 na cidade
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60
milhões de reais é quanto a CET deve ao INSS
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150
funcionários fiscalizam a zona azul. Até 2004,
eram 400
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