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10 de agosto de 2005
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TRÂNSITO

O cerco aos infratores

A CET usa palmtops e radares
inteligentes para aumentar multas

Rodrigo Brancatelli

Autuação mais rápida: palms podem tirar fotos e enviá-las à central

Além do aumento de veículos nas ruas por causa do término das férias escolares, agosto reserva algumas surpresas para os motoristas paulistanos. Responsável pela fiscalização dos 4 milhões de carros que entopem as vias da cidade todos os dias, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) promete apertar o cerco aos infratores das leis de trânsito. A primeira medida será aposentar aos poucos os velhos blocos de papel em que os marronzinhos anotam as multas. Eles passarão a usar palmtops, computadores de mão capazes de tirar fotos e transmitir dados à central de operações da CET. Os aparelhos estão em fase de testes e, no fim do mês, 1.010 unidades devem chegar às ruas. Assim, se um fiscal demora até três minutos para preencher uma multa, precisará de apenas alguns cliques na tela para registrar a infração.

O número de radares em funcionamento será ampliado. Atualmente, quarenta câmeras operam em 120 pontos da cidade. A previsão é que, em quatro meses, haverá 101 câmeras em 300 pontos. Boa parte delas irá contar com um sistema de leitura automática que registra a placa do veículo e consegue flagrar não apenas casos de excesso de velocidade mas também desrespeito ao rodízio, invasão de corredores de ônibus e documentação irregular. A informação pode ser enviada a um satélite que a repassa em cinco segundos para bloqueios montados em locais estratégicos. "Iremos usar a tecnologia para acabar com a sensação de impunidade", diz o presidente da CET, Roberto Scaringella.

Sem manutenção: 200 dos 800 veículos da companhia estão encostados por falta de peças

Esse reforço faz parte de um plano para aumentar em 20% o número de multas aplicadas. Poderá ser um alívio para o flagelado caixa da CET. Nas duas últimas administrações, o sucateamento tomou conta da companhia (faltam desde capas de chuva para os marronzinhos até cones e veículos). Dos 1.300 semáforos inteligentes, capazes de organizar o trânsito, apenas 130 estão funcionando. Só existem duas equipes com meia dúzia de profissionais cada uma para cuidar de 5.000 faróis. Das 150 câmeras de vídeo responsáveis pelo monitoramento das vias, noventa permanecem quebradas desde meados do ano passado. A idade média de sua frota é de quinze anos. Resultado: 200 dos 800 veículos estão encostados por falta de peças, muitos com a lataria amassada e corroída pelo tempo. Para completar, o governo de Marta Suplicy reduziu os postos de medição de congestionamentos de cinqüenta para 36 e, em novembro, suspendeu os contratos com guinchos.

"A CET deve 60 milhões de reais ao INSS", afirma Alfredo Coletti, diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Viário (Sindviários). "De FGTS, são mais de 4,8 milhões de reais não depositados. É uma situação crítica." Se a lei tivesse sido seguida à risca, a empresa estaria em condições bem diferentes. O orçamento, que em 2002 foi de 242 milhões de reais, baixou para 182 milhões no ano seguinte e, em 2004, foi de 175 milhões (veja quadro abaixo). A verba deste ano não cobre a folha de pagamento dos 4.000 funcionários, que ultrapassa os 160 milhões de reais. Apesar de o Código de Trânsito Brasileiro estabelecer que 95% da receita obtida com as multas seja destinada à educação, operação e policiamento de trânsito, estima-se que nos últimos quatro anos pelo menos 250 milhões de reais tenham ido para outras áreas do governo. Como a arrecadação anual da prefeitura com multas gira em torno de 300 milhões de reais, pelo menos 285 milhões deveriam ir para os cofres da CET. "Com esse dinheiro daria para diminuir o número de mortes no trânsito", diz Scaringella. Por mês, acontecem na cidade 15.000 acidentes, 1.500 deles com vítimas. Há uma média de quatro mortes por dia. "O sucateamento sofrido pela companhia faz com que o trânsito fique cada vez mais complicado e se torne um risco para a segurança dos motoristas."

 
10% dos semáforos inteligentes estão funcionando. Existem 1300 na cidade
60 milhões de reais é quanto a CET deve ao INSS
150 funcionários fiscalizam a zona azul. Até 2004, eram 400

 

     
   
 
 
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