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10 de agosto de 2005
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MÚSICA

A tribo do vinil

Som diferente e capas bacanas
levam jovens a resgatar os bolachões

Rodrigo Brancatelli


Mario Rodrigues
Os estudantes Mônica Morales e Bernardo Aghemio: cheios de cuidados


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Os bolachões prediletos dos DJs

É um ritual. O estudante Bernardo Aghemio, de 23 anos, faz questão de abrir seus LPs com uma precisão quase cirúrgica, prestando muita atenção para não sujar a capa ou o encarte. Só depois de retirar os dois ou três plásticos que usa para proteger o disco é que o coloca na bandeja da vitrola. Tudo lentamente, como se estivesse lidando com uma peça caríssima de cristal. O dentista Fábio Danteschi, de 25 anos, toma cuidados adicionais com seus 2.000 bolachões de rock'n'roll. Limpa os que vai ouvir com uma solução de água destilada e álcool isopropílico. Sempre de luvas. "Essa preparação complementa o ato de apreciar as canções", diz Danteschi. "Não é como baixar qualquer música da internet e depois deletá-la. Com o vinil, você adquire respeito pela arte musical."

Na era do walkman digital, como o iPod, o cinqüentão disco de vinil ainda atrai adeptos de várias idades. Grupos de jovens que cresceram junto com a popularização do CD não trocam por nada o som das 33 rotações. Há quem jure de pés juntos que as notas saem dos LPs mais encorpadas e menos metálicas. Outros contam que se sentem atraídos pelas capas, algumas delas verdadeiras obras de arte, grandonas e coloridas. "Você olha o disco e sabe o tamanho das músicas, pode até colocar direto naquela parte sensacional de tal faixa", afirma a jornalista Amanda Silveira, de 27 anos. "Muito material raro só existe nesse formato. Isso faz você ter uma relação pessoal com o vinil."

Encontrados em sebos e feirinhas de rua, os vinis podem se transformar em um hobby bastante caro. Em São Paulo existem várias lojas especializadas onde é possível achar desde compactos (aqueles pequenos, com uma ou duas faixas de cada lado) por 20 centavos até raridades com preços estratosféricos. O primeiro disco de Roberto Carlos, por exemplo, quando aparece, não sai por menos de 1.200 reais. A loja Baratos Afins, no centro, exibe com orgulho em suas prateleiras o álbum Paêbirú, lançado em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho. Preço: 2.000 reais. Para quem não quer gastar muito, a dica é vasculhar. "No meio daquela pilha de Dominó e Roupa Nova pode estar uma edição especial do Caetano Veloso por alguns reais", diz Carlos Ancino, dono de uma loja de música em Pinheiros. "Isso faz parte do glamour dos sebos."

Comprar um toca-discos também exige garimpagem. Entre as grandes lojas, a Fnac é uma das poucas que mantêm o aparelho em seu estoque (os dois modelos disponíveis custam 1.099 e 2.539 reais). O melhor mesmo é pesquisar em endereços do centro da cidade. Na região da Rua Santa Ifigênia, tradicional reduto de produtos tecnológicos, funcionam diversas casas especializadas em áudio. É possível encontrar ali equipamentos das marcas Numark, Stanton e Technics. Os preços variam de 500 a 2.900 reais. Isso sem os amplificadores e as caixas acústicas. "O grande barato do vinil é que qualquer um pode começar a colecionar, mesmo adolescentes que herdaram uma vitrola da avó", afirma o estudante Fábio Tavares, de 22 anos, dono de um aparelho com mais de trinta anos que era relíquia da família.

 

Dicas para conservar os LPs

Mario Rodrigues


• Veja se os discos não contêm riscos profundos, imperfeições, furos de cupim... Só riscos superficiais podem ser polidos

• Guarde-os em capas plásticas. Devem também ficar na posição vertical e nunca coloque peso sobre eles

• Para limpá-los, é só passar um pano macio com água e sabão neutro. Não se esqueça de enxugar na hora, sempre na direção dos sulcos

 

Onde comprar equipamentos
e montar sua discoteca

BARATOS AFINS
Rua 24 de Maio, 62, conjuntos 314/318, centro, 223-3629

Fotos Mario Rodrigues

CASA DOS TOCA-DISCOS
Rua Santa Efigênia, 398, centro, 3362-2388

DISCO 7
Rua 7 de Abril, 154, 1º andar, centro, 3231-1193

DISCOMANIA
Rua Augusta, 560, Consolação, 3257-2925

ERIC DISCOS
Rua Artur de Azevedo, 1813, Pinheiros, 3081-8252


Mario Rodrigues
Sebo Jovem Guarda, na Mooca: pechinchas para quem garimpa


FEIRINHA DA BENEDITO CALIXTO
Praça Benedito Calixto, Pinheiros. Sábado, 10h às 18h

FEIRINHA DO BEXIGA
Praça Dom Orione, Bexiga. Domingo, 10h às 18h

JOVEM GUARDA
Rua da Mooca, 3401, Mooca, 6606-0127

 

     
   
 
 
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