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10 de julho de 2002
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URBANISMO

Passo em falso

Nem uma prefeita que adora andar
de salto consegue dar jeito nos
buracos das calçadas

Lúcia Monteiro

 
Fotos Leo Feltran
ltran
O estragado mosaico português da Avenida Paulista (à esq.) e os blocos coloridos de concreto eleitos pela população: um horror

Quando estava em campanha, Marta Suplicy reclamava que não dava para andar de salto pelas ruas da cidade, tal a quantidade de buracos. Ao assumir a prefeitura, lançou um projeto ambicioso, a Operação Belezura, e prometeu "limpar São Paulo em seis meses". Um ano e meio depois, a situação continua a mesma, se não pior. Marta, coitada, não pode nem sonhar em pousar seus sapatinhos Salvatore Ferragamo sobre as calçadas. A situação é escandalosa mesmo em áreas nobres como os Jardins – onde mora a prefeita. O calçamento estragado, para muitos um problema acessório, contribui para dar à cidade um aspecto de abandono e insegurança, além de ser perigoso para os pedestres. "Em alguns trechos da Avenida Washington Luís, só dá para andar pelo meio da rua. O risco de atropelamento é enorme", afirma Eduardo Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres. A obrigação de deixar as calçadas transitáveis é do proprietário do imóvel localizado em frente, mas a fiscalização cabe à prefeitura. Em 1988, o então prefeito Jânio Quadros criou a famosa lei da vassourinha, que, entre outras coisas, estipula multas de 80 a 268 reais para quem não mantém o piso limpo, sem ondulações e com o calçamento perfeito. Basta deixar o carro na garagem para perceber que ninguém está fazendo a sua parte.

 
Fotos Leo Feltran
ltran
Avenida Brasil: piso quebrado em frente a imóveis valorizados Washington Luís: pedestres têm de andar no meio da rua

"Não conheço uma só pessoa que tenha sido multada por não consertar os buracos da calçada", afirma Nelson Baeta, presidente da Associação Paulista Viva, que reúne grandes empresários da avenida. Ali, há perfurações freqüentes para a passagem de fios subterrâneos. As concessionárias têm a obrigação de refazer o piso, mas, em geral, ele nunca volta a seu estado perfeito. No vácuo deixado pelo poder público, a associação organizou, com a anuência da prefeita, uma votação para escolher um novo calçamento para a avenida-símbolo da cidade. É verdade que não havia nada de maravilhoso entre as sete propostas. Mas os blocos de concreto vencedores, nas cores salmão, branco e cinza, são horrorosos. Não é certo que sejam implantados – e espera-se que não sejam mesmo –, pois dependem da aprovação da prefeitura. "É um piso adequado para estacionamento de ônibus, e não para a avenida mais importante de São Paulo", reclama o arquiteto João Carlos Cauduro, responsável pelo projeto urbanístico da Paulista, implantado na década de 70.

         
     
 
 
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