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URBANISMO
Passo
em falso
Nem
uma prefeita que adora
andar
de salto consegue dar jeito nos
buracos das calçadas
Lúcia
Monteiro
Fotos Leo Feltran
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ltran
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| O
estragado mosaico português da Avenida Paulista (à esq.)
e os blocos coloridos de concreto eleitos pela população: um
horror |
Quando
estava em campanha, Marta Suplicy reclamava que não dava
para andar de salto pelas ruas da cidade, tal a quantidade de buracos.
Ao assumir a prefeitura, lançou um projeto ambicioso, a Operação
Belezura, e prometeu "limpar São Paulo em seis meses". Um
ano e meio depois, a situação continua a mesma, se
não pior. Marta, coitada, não pode nem sonhar em pousar
seus sapatinhos Salvatore Ferragamo sobre as calçadas. A
situação é escandalosa mesmo em áreas
nobres como os Jardins onde mora a prefeita. O calçamento
estragado, para muitos um problema acessório, contribui para
dar à cidade um aspecto de abandono e insegurança,
além de ser perigoso para os pedestres. "Em alguns trechos
da Avenida Washington Luís, só dá para andar
pelo meio da rua. O risco de atropelamento é enorme", afirma
Eduardo Daros, presidente da Associação Brasileira
de Pedestres. A obrigação de deixar as calçadas
transitáveis é do proprietário do imóvel
localizado em frente, mas a fiscalização cabe à
prefeitura. Em 1988, o então prefeito Jânio Quadros
criou a famosa lei da vassourinha, que, entre outras coisas, estipula
multas de 80 a 268 reais para quem não mantém o piso
limpo, sem ondulações e com o calçamento perfeito.
Basta deixar o carro na garagem para perceber que ninguém
está fazendo a sua parte.
Fotos Leo Feltran
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ltran
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| Avenida
Brasil: piso quebrado em frente a imóveis valorizados |
Washington
Luís: pedestres têm de andar no meio da rua |
"Não
conheço uma só pessoa que tenha sido multada por não
consertar os buracos da calçada", afirma Nelson Baeta, presidente
da Associação Paulista Viva, que reúne grandes
empresários da avenida. Ali, há perfurações
freqüentes para a passagem de fios subterrâneos. As concessionárias
têm a obrigação de refazer o piso, mas, em geral,
ele nunca volta a seu estado perfeito. No vácuo deixado pelo
poder público, a associação organizou, com
a anuência da prefeita, uma votação para escolher
um novo calçamento para a avenida-símbolo da cidade.
É verdade que não havia nada de maravilhoso entre
as sete propostas. Mas os blocos de concreto vencedores, nas cores
salmão, branco e cinza, são horrorosos. Não
é certo que sejam implantados e espera-se que não
sejam mesmo , pois dependem da aprovação da
prefeitura. "É um piso adequado para estacionamento de ônibus,
e não para a avenida mais importante de São Paulo",
reclama o arquiteto João Carlos Cauduro, responsável
pelo projeto urbanístico da Paulista, implantado na década
de 70.
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