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10 de maio de 2006
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Pequeno príncipe

Ídolo nos tempos da jovem guarda,
o cantor Ronnie Von conquista um nicho
com seu programa diário de entrevistas

José Flávio Júnior

 

Paulo Salomão
Daniela Toviansky
Ronnie Von, nos anos 60 e hoje:
dos palcos para a TV


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O apelido foi dado pela apresentadora Hebe Camargo, nos anos 60, quando ela soube de seu fascínio pelo aviador e jornalista francês Antoine de Saint-Exupéry, autor do best-seller O Pequeno Príncipe. Não poderia ter caído melhor. Para os antigos fãs do cantor Ronnie Von, ele é realmente um príncipe. E sua vida seria sempre marcada por vôos e turbulências. Aos 15 anos, entrou para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar de Barbacena (MG). Aos 17, participava de corridas de automóveis. Por pressão dos pais, abandonou a academia militar para cursar economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro – sua família era dona de uma instituição financeira e queria que ele pilotasse os negócios, não aviões. A paixão pela música, no entanto, arruinou a rota em definitivo. Com sua longa franja, que ele jogava de um lado para o outro enquanto cantava sucessos como A Praça e Meu Bem, chegou a disputar fãs com Roberto Carlos.

Na década de 80, ficou doente e deixou os holofotes. Voltou à telinha em 1999, com o programa Mãe de Gravata, título de um livro em que narrava a experiência de criar seus dois filhos sem a presença da mãe. Mas foi com Todo Seu, programa diário que mistura entrevistas, bate-papo sobre comportamento, apresentações musicais (não raro, ele dá uma canja ao microfone) e dicas de culinária na TV Gazeta, que Ronnie Von, hoje com 61 anos, voltou a ser notícia. A fórmula tem rendido à atraçãoque vai ao ar por volta das 22h à meia-noite, de segunda a quinta, e das 22h às 23h, às sextas – a média de 2 pontos de audiência, um número nada desprezível para os reduzidos ibopes da emissora da Avenida Paulista.

 

Daniela Toviansky
Com o cantor Pedro Mariano, no sofá de Todo Seu:
dueto com atrações

Alguns de seus quadros já deram o que falar. Em fevereiro, por exemplo, recebeu o então governador Geraldo Alckmin e o fez provar um picolé de chuchu criado pela chef Mara Salles, do restaurante Tordesilhas. A cena rendeu espaço em jornais e revistas. Além de conquistar esse nicho, ele tem experimentado um certo renascimento musical. Três LPs de sua fase psicodélica, lançados entre 1968 e 1970, são disputados nos sebos da cidade. Na Baratos Afins, loja que possui o maior acervo em vinil do país, um desses discos não sai por menos de 200 reais. Grupos emergentes incluíram composições daquele período em seus repertórios, do paulistano Ecos Falsos ao carioca Nervoso e Os Calmantes, passando pelo pernambucano Mombojó. A gravadora Universal tem planos de reeditar seus seis primeiros álbuns em CD ainda neste ano.

Ele grava normalmente entre 20h30 e 23h o programa que vai ao ar no mesmo dia. No resto do tempo, dedica-se a uma agência de publicidade e a alguns hobbies. Enófilo, coleciona vinhos, sobretudo da região francesa da Borgonha. No subsolo de sua casa no Morumbi, guarda cerca de 4 000 garrafas. "Interesso-me por vinho desde os 27 anos", conta. "Meu pai, que era diplomata, sempre trouxe bons rótulos da França." Ocasionalmente, fuma um charuto cubano Cohiba Robusto. As caixas de charuto espalham-se por diversos cantos de sua casa, como peças decorativas, dividindo espaço com livros de arte, quadros e plantas. A botânica, aliás, é outra de suas áreas de interesse. Por causa disso, um biólogo batizou de Ronnie Von uma espécie nova de orquídea que descobriu.

Em feriados prolongados, tira da garagem um de seus cinco automóveis de estimação. Com a Mercedes CLK conversível, o preferido, ruma para seu refúgio em Campos do Jordão. O carro, como todos os outros, é automático. Em decorrência de uma doença rara, que o deixou paralítico por um ano no começo da década de 80, Ronnie Von ficou com alguns movimentos da perna esquerda comprometidos. Por causa da seqüela, já não pode praticar hipismo, tênis e motociclismo. Mas não se afastou da aviação. Mesmo sem aeronave há alguns anos, o fã de Saint-Exupéry ainda alça vôos. "Estou com minha documentação em dia", diz. "E quem tem amigo rico não morre pagão!"

 

Roqueiro voador

 
Fotos Paulo Salomão

Retrato do começo da década de 70: fase psicodélica cultuada

Paixão pela aviação: hoje, vôos apenas em aeronaves de amigos

     
   
 
 
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