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EVENTO
São Paulo no divã Mostra reúne fotos
e cartas do pai da psicanálise e de seus seguidores paulistanos
Isabella Barros Divulgação
 | Freud,
com dois de seus seis filhos, Ernst e Jean Martin: mais de cinqüenta imagens
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As comemorações do aniversário
de Sigmund Freud, que completaria 150 anos neste sábado (6), não
servirão apenas para discutir a atualidade das idéias do pai da
psicanálise. Na cidade, a exposição Um Modesto Sábio
Vienense Chega a São Paulo apresenta um pouco da trajetória
dos paulistanos que primeiro debateram por aqui conceitos como o inconsciente
e o complexo de Édipo. Organizada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise
em São Paulo (SBP-SP), a mostra reúne mais de cinqüenta fotos
de Freud e de seus discípulos. Aberto até o próximo dia 20,
na sede da SBP-SP, na Vila Olímpia, o evento terá ainda reproduções
de doze cartas trocadas por precursores como Durval Marcondes, um dos fundadores
da sociedade, em 1927, com o mestre de Viena. Para entender os textos dos brasileiros
que lhe escreviam em português, Freud usava seus conhecimentos de espanhol,
idioma que estudou para ler Dom Quixote no original. Com o aumento do número
de correspondências trocadas, ele chegou a comprar um dicionário
português-alemão. Freud mostrou-se
atencioso ao responder às cartas, como a que foi enviada por Durval Marcondes
em 1926. Junto com palavras de admiração, o médico paulistano
mandou-lhe uma pesquisa de sua autoria sobre o uso da psicanálise nos estudos
literários. "A resposta de Freud, que o estimulou a continuar estudando
o assunto, foi decisiva para a fundação da sociedade", diz Maria
Ângela Gomes Moretzsohn, psicanalista e coordenadora da divisão de
documentação, pesquisa e história da SBP-SP. Além
de Marcondes, mulheres como a médica alemã Adelheid Lucy Koch e
a cientista social Virgínia Bicudo são igualmente destacadas na
exposição. Adelheid, mais conhecida como doutora Koch, foi a primeira
pessoa indicada pela Associação Psicanalítica Internacional
(entidade fundada por Freud) para formar profissionais da área no Brasil,
tendo chegado a São Paulo em 1936. Pioneira entre as mulheres aceitas pela
doutora como aluna, Virgínia Bicudo foi também a primeira não-médica
a se lançar nas pesquisas do inconsciente.
Hoje, o saldo do trabalho desses precursores é de 684 psicanalistas credenciados
pela SBP-SP atuando na cidade. "Os pacientes vêem na análise uma
ferramenta importante de autoconhecimento", diz Fabio Antonio Herrmann, psicanalista
e professor de pós-graduação em psicologia da PUC. "Freud
continua mais atual do que muita coisa que veio depois dele."
Um Modesto Sábio Vienense Chega a São Paulo. Sociedade
Brasileira de Psicanálise em São Paulo. Avenida Doutor Cardoso de
Melo, 1450, 9º andar, Vila Olímpia,
2125-3777. Segunda a sábado, 9h às 17h. Grátis. Até
dia 20. A partir de sábado (6). "Meu
prezado senhor!
Infelizmente
não domino o seu idioma, mas graças aos meus conhecimentos da língua
espanhola pude deduzir de sua carta e do seu livro que é sua intenção
aproveitar os conhecimentos adquiridos em psicanálise nas belas letras,
e, de um modo geral, despertar o interesse de seus compatriotas por nossa ciência.
Fico sinceramente grato pelos seus esforços, desejo-lhe muito sucesso e
posso assegurar-lhe que achará rica e recompensadora em revelações
a sua continuada associação com o tema.
Cordiais saudações, Freud"
(Resposta de Freud a uma carta enviada pelo psiquiatra Durval Marcondes em
1926) |
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