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10 de maio de 2006
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São Paulo no divã

Mostra reúne fotos e cartas
do pai da psicanálise e de
seus seguidores paulistanos

Isabella Barros

 
Divulgação

Freud, com dois de seus seis filhos, Ernst e Jean Martin: mais de cinqüenta imagens



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As comemorações do aniversário de Sigmund Freud, que completaria 150 anos neste sábado (6), não servirão apenas para discutir a atualidade das idéias do pai da psicanálise. Na cidade, a exposição Um Modesto Sábio Vienense Chega a São Paulo apresenta um pouco da trajetória dos paulistanos que primeiro debateram por aqui conceitos como o inconsciente e o complexo de Édipo. Organizada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise em São Paulo (SBP-SP), a mostra reúne mais de cinqüenta fotos de Freud e de seus discípulos. Aberto até o próximo dia 20, na sede da SBP-SP, na Vila Olímpia, o evento terá ainda reproduções de doze cartas trocadas por precursores como Durval Marcondes, um dos fundadores da sociedade, em 1927, com o mestre de Viena. Para entender os textos dos brasileiros que lhe escreviam em português, Freud usava seus conhecimentos de espanhol, idioma que estudou para ler Dom Quixote no original. Com o aumento do número de correspondências trocadas, ele chegou a comprar um dicionário português-alemão.

Freud mostrou-se atencioso ao responder às cartas, como a que foi enviada por Durval Marcondes em 1926. Junto com palavras de admiração, o médico paulistano mandou-lhe uma pesquisa de sua autoria sobre o uso da psicanálise nos estudos literários. "A resposta de Freud, que o estimulou a continuar estudando o assunto, foi decisiva para a fundação da sociedade", diz Maria Ângela Gomes Moretzsohn, psicanalista e coordenadora da divisão de documentação, pesquisa e história da SBP-SP. Além de Marcondes, mulheres como a médica alemã Adelheid Lucy Koch e a cientista social Virgínia Bicudo são igualmente destacadas na exposição. Adelheid, mais conhecida como doutora Koch, foi a primeira pessoa indicada pela Associação Psicanalítica Internacional (entidade fundada por Freud) para formar profissionais da área no Brasil, tendo chegado a São Paulo em 1936. Pioneira entre as mulheres aceitas pela doutora como aluna, Virgínia Bicudo foi também a primeira não-médica a se lançar nas pesquisas do inconsciente.

Hoje, o saldo do trabalho desses precursores é de 684 psicanalistas credenciados pela SBP-SP atuando na cidade. "Os pacientes vêem na análise uma ferramenta importante de autoconhecimento", diz Fabio Antonio Herrmann, psicanalista e professor de pós-graduação em psicologia da PUC. "Freud continua mais atual do que muita coisa que veio depois dele."

Um Modesto Sábio Vienense Chega a São Paulo. Sociedade Brasileira de Psicanálise em São Paulo. Avenida Doutor Cardoso de Melo, 1450, 9º andar, Vila Olímpia, 2125-3777. Segunda a sábado, 9h às 17h. Grátis. Até dia 20. A partir de sábado (6).

 

"Meu prezado senhor!

Infelizmente não domino o seu idioma, mas graças aos meus conhecimentos da língua espanhola pude deduzir de sua carta e do seu livro que é sua intenção aproveitar os conhecimentos adquiridos em psicanálise nas belas letras, e, de um modo geral, despertar o interesse de seus compatriotas por nossa ciência. Fico sinceramente grato pelos seus esforços, desejo-lhe muito sucesso e posso assegurar-lhe que achará rica e recompensadora em revelações a sua continuada associação com o tema.

Cordiais saudações,
Freud"

(Resposta de Freud a uma carta enviada pelo
psiquiatra Durval Marcondes em 1926)

     
   
 
 
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