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10 de maio de 2006
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DIA DAS MÃES

O grande almoço

Restaurantes paulistanos
se preparam para o domingo
mais movimentado do ano

Edison Veiga

Fotos Fernando Moraes
A legítima mamma Rina De Rossi comanda as panelas da cantina Nello's: no Dia das Mães, a expectativa é que o número de clientes dobre. Comemoração? "Só na segunda-feira", garante ela, que tem três filhos


Além das mães, quem recebe um presentão no segundo domingo de maio são os donos de restaurantes paulistanos. Durante todo o ano, essa é a data em que as casas ficam mais cheias. O almoço do Dia das Mães é melhor até que o jantar do Dia dos Namorados, quando mesas para quatro ou seis pessoas são ocupadas por um único casal. "As famílias não têm pressa e consomem bem", afirma Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da seção paulista da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. "Almoçar com calma faz parte do programa." A média de permanência nos estabelecimentos é de 45 minutos. Em datas comemorativas, os clientes se deliciam por até três horas. "Nesse tipo de ocasião, o gasto com sobremesas e vinhos é maior", diz a gerente Luciana Bernardes, da rede Ráscal. Afinal, quase ninguém consegue negar o pedido da mamãe por um docinho a mais.

No Famiglia Mancini, a preparação para o grande almoço começa nas compras. O restaurante utiliza 400 quilos de tomate diariamente para fazer os molhos que acompanham as massas. No Dia das Mães, são 600. "A casa fica ainda mais lotada e as filas crescem", conta o proprietário, Walter Mancini. "O grande presente que os filhos dão às mães é a distância da boca do fogão." A rotina do próprio Mancini se altera. Ele chega ao restaurante por volta das 7h30, uma hora antes do horário de praxe. Checa se há o suficiente de cada ingrediente na cozinha e organiza a equipe (que aumenta de nove para onze cozinheiros e de 22 para 28 garçons e ajudantes). A clientela igualmente se antecipa. Por volta das 11 horas já começa a chegar. É um dia em que cerca de 1 500 pessoas comem ali, em vez das 1 000 dos outros dias. No corre-corre, Mancini reserva um tempinho para comemorar com a família. "Vou para casa, depois volto", diz. "Acho deselegante ocupar uma mesa do restaurante."

Walter Mancini começa o trabalho às 7h30 no segundo domingo de maio: compra 200 quilos a mais de tomate para incrementar o molho dos pratos de massa que serve no Famiglia Mancini

Arri Coser é outro que esbanja otimismo. Só nas três unidades paulistanas de sua churrascaria, a Fogo de Chão, espera receber 4 000 pessoas – 1 000 a mais do que o normal. Por isso, já decretou: não há folga na escala do segundo domingo deste mês. Todos os 360 funcionários vão trabalhar. A previsão é que sejam consumidas 5 toneladas de carne. Na Casa da Fazenda do Morumbi haverá reforço na brigada. "Precisaremos de quase 40% a mais de mão-de-obra", diz o proprietário, Roberto Oropallo. "Uns cinco ou seis na cozinha e outros seis garçons." À frente de sua cantina em Pinheiros, com o marido Nello De Rossi, a mamma Rina espera cozinhar para 600 fregueses no domingo da semana que vem – o dobro do número usual. Mãe de três filhos, que trabalham com os pais no restaurante, ela acostumou-se a passar a data mexendo na panela. "Em casa, festejamos na segunda", explica, com seu carregado sotaque italiano. "No domingo, sou a mãe de todas as mães que vêm aqui."

 

 
Arri Coser e os garçons da unidade da Vila Olímpia da churrascaria Fogo de Chão: para atender a clientela, 30% maior, todas as folgas do dia 14 estão suspensas

 

O proprietário, Roberto Oropallo (ao centro), e funcionários da Casa da Fazenda do Morumbi: além das 77 mesas do salão, serão instaladas mais quarenta no jardim
     
   
 
 
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