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10 de maio de 2006
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A surpresa do Morumbi

Com shopping, prédios residenciais
e edifícios comerciais, o Parque Cidade
Jardim promete ser o maior complexo
imobiliário de luxo de São Paulo

Marcella Centofanti

 

1 - Quatro torres de 25 andares devem ser inauguradas até dezembro de 2007
2 - Dos 150 apartamentos prometidos para a primeira fase do imóvel, noventa já foram vendidos
3 - As unidades têm de 240 a 1 700 metros quadrados. Os preços começam em 1,5 milhão de reais
4 - Oferecida por 16 milhões de reais, uma cobertura construída na segunda fase será uma das mais caras da capital
5 -O Empório Fasano, numa extremidade do shopping, será loja-âncora
6 - Entre as 180 lojas, haverá uma Casa do Saber-Livraria da Vila

Fotos Daniela Toviansky
A maquete do conjunto (no alto), exposta num showroom, e dois ambientes de um apartamento decorado: investimento de 1,5 bilhão de reais

Um movimentado entra-e-sai de caminhões chama atenção na Marginal Pinheiros, próximo à Ponte Engenheiro Ari Torres, no Morumbi. Ali, num terreno de 80.000 metros quadrados, começa a nascer o que promete ser o maior complexo imobiliário de luxo da cidade. As obras ainda estão na fase de terraplanagem, mas a previsão é que até dezembro do ano que vem serão inaugurados ali um shopping e quatro prédios residenciais de 25 andares cada um. Em mais duas etapas de construção, o chamado Parque Cidade Jardim pretende somar outros cinco edifícios para moradores e quatro torres comerciais. O empreendimento, idealizado pela construtora JHSF, receberá investimentos de 1,5 bilhão de reais.

A infra-estrutura é seu grande diferencial. Os prédios, de linhas clássicas, abrigarão apartamentos de 240 a 1.300 metros quadrados. Todos vêm com ar-condicionado central e pé-direito superior a 3 metros. Os preços começam em 1,5 milhão de reais e vão, nessa etapa, até 12 milhões de reais. A maior cobertura será construída na segunda fase da obra, com início programado para 2008. Ela terá 1.700 metros quadrados e sairá por 16 milhões de reais, o que a transformará em um dos mais caros apartamentos de São Paulo. Perto disso, o condomínio, que custará a partir de 2.000 reais, parece nem pesar no bolso.

Mesmo antes do lançamento, que ocorrerá no dia 24 numa festa para 500 convidados com show de Caetano Veloso, noventa das 150 unidades já foram vendidas. Uma das compradoras é a promotora de eventos Ana Maria Carvalho Pinto. Aos 48 anos, ela pretende trocar sua casa no Jardim Paulistano, onde mora, pelo Parque Cidade Jardim. "Comprei o apartamento mais baratinho, no 1º andar", conta. A localização, à beira da Marginal Pinheiros, pesou na decisão. "Sou daquelas que não atravessam o rio. Se fosse 2 quilômetros para dentro, não iria." Outro futuro morador é o empresário Camillo Nader, que irá trocar sua casa numa propriedade de 2.000 metros quadrados no Morumbi, equipada com quadra de tênis, por um apartamento de 400 metros quadrados. "Poder ir ao trabalho num carrinho de golfe é um sonho", diz Camillo, que pretende comprar também um escritório numa das torres comerciais.

Além dos prédios residenciais, a primeira fase da obra inclui a construção de dois dos três pavimentos do shopping. Inspirado no Bal Harbour Shops, de Miami, o edifício terá ambientes a céu aberto. Entre as 180 lojas previstas (120 na primeira etapa), devem estar presentes as marcas Carlos Miele, Constança Basto, H.Stern e Montblanc. Haverá duas chamadas lojas-âncora. A primeira é o Empório Fasano, espécie de supermercado gastronômico, com um perfil entre o Empório Santa Maria e a Casa Santa Luzia. "Queremos um espaço assim desde 1990, mas só agora encontramos o local ideal", diz o restaurateur Rogério Fasano. "Teremos pães, massas, doces e molhos produzidos pela nossa cozinha." A segunda é uma filial da Casa do Saber e da Livraria da Vila. "Esse toque de Vila Madalena dará um ar cultural e amenizará o luxo ostensivo", acredita José Auriemo Neto, presidente da JHSF.

A preocupação com o lado, digamos, intelectual reflete-se na programação da rede Cinemark. Das oito salas, uma projetará somente filmes europeus. Praça de alimentação? Nem pensar. Haverá apenas cinco restaurantes, além da grife Fasano, entre eles uma casa de chá e doces de Isabella Suplicy. Completam o empreendimento uma unidade da academia Reebok, um spa de 12.000 metros quadrados e quadras de tênis e de squash. Na garagem, um conforto extra. As vagas terão 2,70 metros de largura, 20 centímetros a mais que a medida-padrão.

O terreno onde surgirá o Parque Cidade Jardim foi comprado há três anos, após um estudo das grandes áreas disponíveis na cidade. Atualmente é possível visualizar o empreendimento por meio de uma senhora maquete de 12 metros de comprimento por 8 de largura, com prédios de 1,60 metro de altura. Exagerada nas dimensões e rica em detalhes, essa maquete custou 800 000 reais e está exposta no showroom. Nela, é possível notar a grande quantidade de área verde.– 55.000 metros quadrados, segundo a construtora. As calçadas e o asfalto da rua de acesso ao Parque Cidade Jardim foram refeitos e a fiação dos postes, enterrada. Como amostra de um apartamento decorado, construiu-se um imóvel de 394 metros quadrados, recheado com móveis, peças de decoração e objetos de cenografia. A vista, equivalente à do 1º andar de um dos edifícios, é de cair o queixo.

 

Os shoppings contra-atacam

 

Mario Rodrigues
Iguatemi: novos restaurantes e estacionamento à vista

A abertura do Parque Cidade Jardim movimentará o mercado de luxo paulistano. Localizado quase em frente à Daslu e próximo ao Iguatemi, o futuro shopping vai entrar na disputa pelos consumidores AAA. "Num perímetro pequeno assim, é preciso que ele tenha um foco realmente diferente", afirma Alberto Serrentino, sócio sênior da Gouvêa de Souza & MD, consultoria especializada em marketing e varejo. "O mercado de luxo é crescente e tem demanda, mas não é infinito." José Auriemo Neto, presidente da JHSF, sabe disso e aposta nos serviços oferecidos para fisgar consumidores. "Queremos atrair de 30 000 a 40 000 pessoas por dia", diz. É uma previsão audaciosa, visto que o Iguatemi, por exemplo, com seus quarenta anos de tradição, recebe em média 46 000 visitantes diariamente. Empenhado em não perder clientes, o primeiro shopping paulistano prepara um contra-ataque. Entre os investimentos estão a expansão do estacionamento, que ganhará mais 800 vagas, e a abertura de dois restaurantes – há negociações com o Spot e o Carlota. A inauguração de uma loja da Apple é outro trunfo em via de concretização. O MorumbiShopping, por sua vez, termina uma obra de ampliação no segundo semestre deste ano. Sua área de 50 000 metros quadrados ganhará 6 700 metros quadrados extras. Haverá 84 novas lojas (atualmente são 404), entre as quais Fnac, Gang, Blue Man e Speedo. A rede de restaurantes Applebee's abrirá ali seu terceiro endereço em São Paulo.

     
   
 
 
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