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10 de abril de 2002
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Tesouro escondido

Orfanato centenário do Pacaembu,
fechado
há seis anos, começa a ser
recuperado e finalmente abrirá as
portas ao público

Valéria França

 
Fotos Rogério Montenegro
A fachada do conjunto projetado por Ramos de Azevedo, com suas várias alas, a capela, uma das laterais e a entrada principal: Casa Cor troca o uso do espaço por obras gerais de manutenção

Poucos paulistanos sabem que, no bairro do Pacaembu, existe um casarão assinado por Ramos de Azevedo, o arquiteto que, entre tantos prédios da cidade, projetou o Teatro Municipal. Em 1895, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia pediu-lhe que projetasse um orfanato. Por falta de recursos, a obra demorou 32 anos para ser concluída. A construção é imensa. Ocupa 6 800 dos 46 130 metros quadrados de um terreno na Rua Angatuba circundado por um bosque de árvores frutíferas. Criado para abrigar crianças de idades diferentes, o conjunto foi dividido em alas levantadas ao redor de uma capela. Sua localização é maravilhosa. Fica em um dos pontos mais altos do bairro, talvez com a melhor vista da região. Após ficar mais de um século escondido atrás de seus muros altos, o histórico e pouquíssimo conhecido complexo do Pacaembu finalmente poderá ser visitado pelo público. Ali, de 28 de maio a 9 de julho, acontecerá a 16ª edição da Casa Cor.

A escolha para a realização do evento – que é a maior vitrine do mundo da decoração – salvou o antigo orfanato do total abandono. Ele passou às mãos do Estado em 1960. Depois de quinze anos, a Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) assumiu sua administração e, sob o nome de Sampaio Vianna, voltou a abrigar meninos e meninas carentes. Quando foi desativado, em 1996, já estava em processo de deterioração. Havia goteiras, cupim no madeirame de sustentação do telhado, pintura estragada, vidraças quebradas, muito lixo e mato. Quatro anos atrás, a Fundação Faculdade de Medicina da USP comprou a propriedade do Estado por 22 milhões de reais. Logo se arrependeu do negócio. "Aquilo é um elefante branco", afirma Sandra Papaiz Refinetti, diretora da fundação. "Sua recuperação custaria 6 milhões de reais."

 
O imóvel, dentro da linha amarela: 46 130 metros quadrados de área

Fechado o negócio, o imóvel foi tombado. A fundação, que é uma associação particular criada por ex-alunos da Faculdade de Medicina da USP, trancou o casarão até receber a proposta da Casa Cor de usar o espaço em troca de obras de conservação. "Há na cidade 110 bens culturais tombados, e a maioria está em péssimas condições de conservação como o orfanato do Pacaembu", diz José Roberto Melhem, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Mais de uma centena de homens estão trabalhando nas obras. Técnicos do IPT trataram da descupinização. O telhado foi reformado. Serão substituídas 159 janelas de madeira, 114 vitrôs e oitenta portas. Haverá uma pintura geral. "Tudo ficará em condições para que os 118 arquitetos, decoradores e paisagistas possam montar seus ambientes para a mostra", diz Roberto Dimbério, presidente da Casa Cor. "Devolveremos o imóvel com todos os melhoramentos." Terminada a Casa Cor, a fundação pretende instalar no local um centro de pesquisa.

 

         
     
 
 
 
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