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PATRIMÔNIO
Tesouro
escondido
Orfanato
centenário do Pacaembu,
fechado há
seis anos, começa a ser
recuperado e finalmente abrirá as
portas ao público
Valéria
França
Fotos Rogério Montenegro
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| A
fachada do conjunto projetado por Ramos de Azevedo, com suas
várias alas, a capela, uma das laterais e a entrada principal:
Casa Cor troca o uso do espaço por obras gerais de manutenção
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Poucos
paulistanos sabem que, no bairro do Pacaembu, existe um casarão
assinado por Ramos de Azevedo, o arquiteto que, entre tantos prédios
da cidade, projetou o Teatro Municipal. Em 1895, a Irmandade da
Santa Casa de Misericórdia pediu-lhe que projetasse um orfanato.
Por falta de recursos, a obra demorou 32 anos para ser concluída.
A construção é imensa. Ocupa 6 800 dos 46 130
metros quadrados de um terreno na Rua Angatuba circundado por um
bosque de árvores frutíferas. Criado para abrigar
crianças de idades diferentes, o conjunto foi dividido em
alas levantadas ao redor de uma capela. Sua localização
é maravilhosa. Fica em um dos pontos mais altos do bairro,
talvez com a melhor vista da região. Após ficar mais
de um século escondido atrás de seus muros altos,
o histórico e pouquíssimo conhecido complexo do Pacaembu
finalmente poderá ser visitado pelo público. Ali,
de 28 de maio a 9 de julho, acontecerá a 16ª edição
da Casa Cor.
A
escolha para a realização do evento que é
a maior vitrine do mundo da decoração salvou
o antigo orfanato do total abandono. Ele passou às mãos
do Estado em 1960. Depois de quinze anos, a Fundação
do Bem-Estar do Menor (Febem) assumiu sua administração
e, sob o nome de Sampaio Vianna, voltou a abrigar meninos e meninas
carentes. Quando foi desativado, em 1996, já estava em processo
de deterioração. Havia goteiras, cupim no madeirame
de sustentação do telhado, pintura estragada, vidraças
quebradas, muito lixo e mato. Quatro anos atrás, a Fundação
Faculdade de Medicina da USP comprou a propriedade do Estado por
22 milhões de reais. Logo se arrependeu do negócio.
"Aquilo é um elefante branco", afirma Sandra Papaiz Refinetti,
diretora da fundação. "Sua recuperação
custaria 6 milhões de reais."
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| O
imóvel, dentro da linha amarela: 46 130 metros quadrados de
área |
Fechado
o negócio, o imóvel foi tombado. A fundação,
que é uma associação particular criada por
ex-alunos da Faculdade de Medicina da USP, trancou o casarão
até receber a proposta da Casa Cor de usar o espaço
em troca de obras de conservação. "Há na cidade
110 bens culturais tombados, e a maioria está em péssimas
condições de conservação como o orfanato
do Pacaembu", diz José Roberto Melhem, presidente do Conselho
de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico,
Artístico e Turístico (Condephaat). Mais de uma centena
de homens estão trabalhando nas obras. Técnicos do
IPT trataram da descupinização. O telhado foi reformado.
Serão substituídas 159 janelas de madeira, 114 vitrôs
e oitenta portas. Haverá uma pintura geral. "Tudo ficará
em condições para que os 118 arquitetos, decoradores
e paisagistas possam montar seus ambientes para a mostra", diz Roberto
Dimbério, presidente da Casa Cor. "Devolveremos o imóvel
com todos os melhoramentos." Terminada a Casa Cor, a fundação
pretende instalar no local um centro de pesquisa.
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