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10 de abril de 2002
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Vizinho do barulho

Clube São Paulo aluga seu palacete para
festas e provoca polêmica em Higienópolis

Valéria França

 
Heudes Régis
A sede do clube e o site com o anúncio do aluguel: fonte de renda

Na esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Dona Veridiana, o Clube São Paulo, um dos mais tradicionais e elegantes da cidade, vem tirando o sono dos vizinhos. Espécie de oásis no meio de prédios residenciais, ele virou ponto concorrido para festas e eventos. Sua grande atração é um bosque com lagos e fontes, que ocupa mais da metade da área de cerca de 12.000 metros quadrados. O terreno é avaliado em 18 milhões de reais. Há ainda o palacete, onde funciona a sede. Pertenceu a Veridiana de Almeida Prado, mãe de Antônio da Silva Prado, prefeito da capital no começo do século XX. Em agosto do ano passado, todo o conjunto foi tombado pelo patrimônio histórico. O clube, fundado em 1959, inspirou-se nos congêneres de Londres, cujos sócios se reúnem em poltronas de couro e ambientes austeros para beber uísque, jogar cartas e conversar com privacidade. Mulheres só entram eventualmente, e sempre acompanhadas dos maridos.

Os tempos mudaram. No Clube São Paulo, o número de sócios caiu pela metade. Hoje são 567 contribuintes, dos quais muitos estão com as mensalidades atrasadas. Para equilibrar o caixa, há cerca de dois anos as instalações começaram a ser alugadas para acontecimentos sociais. Quem ficou no prejuízo foram os vizinhos, que se queixam do ruído e do congestionamento de carros até altas horas. "Sem a renda das festas vamos à falência e o imóvel irá virar um cortiço", diz Raul Pereira Barreto, um dos diretores do São Paulo. Diante das reclamações, o clube chegou a tomar algumas providências. O salão principal, por exemplo, recebeu um revestimento acústico. Mas, como é pequeno, abrigando no máximo 87 pessoas sentadas, as festas acabam acontecendo mesmo ao ar livre – e com muito barulho.

No último dia 26, pela primeira vez, seis representantes de moradores foram recebidos para uma reunião no velho solar de Higienópolis. "Dali saíram promessas de que não haverá mais festas fora do salão", conta Cássia Fellet, presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis. "Não sei se com isso os problemas se resolvem." A pendenga já teve desdobramentos. Depois de receber denúncias, no fim do ano passado, o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) chegou a cassar a licença do clube por ter excedido a lotação e estar funcionando como bufê. A Regional da Sé pediu, então, seu fechamento administrativo. O clube conseguiu uma liminar na Justiça para permanecer aberto. "Apenas os sócios e seus amigos podem fazer festas aqui", afirma Barreto. Não é bem assim. Em junho do ano passado, a H.Stern fez uma megarrecepção no local para lançar a coleção de jóias dos designers Fernando e Humberto Campana. Na última semana, o Clube São Paulo constava em uma lista de endereços para festas no site www.guiadenoivos.com.br.

         
     
 
 
 
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