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CIDADE
Vizinho
do barulho
Clube
São Paulo aluga seu palacete para
festas
e provoca polêmica em Higienópolis
Valéria
França
Heudes Régis
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A
sede do clube e o site com o anúncio do aluguel: fonte
de renda |
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Na
esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Dona Veridiana,
o Clube São Paulo, um dos mais tradicionais e elegantes da
cidade, vem tirando o sono dos vizinhos. Espécie de oásis
no meio de prédios residenciais, ele virou ponto concorrido
para festas e eventos. Sua grande atração é
um bosque com lagos e fontes, que ocupa mais da metade da área
de cerca de 12.000 metros quadrados.
O terreno é avaliado em 18 milhões de reais. Há
ainda o palacete, onde funciona a sede. Pertenceu a Veridiana de
Almeida Prado, mãe de Antônio da Silva Prado, prefeito
da capital no começo do século XX. Em agosto do ano
passado, todo o conjunto foi tombado pelo patrimônio histórico.
O clube, fundado em 1959, inspirou-se nos congêneres de Londres,
cujos sócios se reúnem em poltronas de couro e ambientes
austeros para beber uísque, jogar cartas e conversar com
privacidade. Mulheres só entram eventualmente, e sempre acompanhadas
dos maridos.
Os
tempos mudaram. No Clube São Paulo, o número de sócios
caiu pela metade. Hoje são 567 contribuintes, dos quais muitos
estão com as mensalidades atrasadas. Para equilibrar o caixa,
há cerca de dois anos as instalações começaram
a ser alugadas para acontecimentos sociais. Quem ficou no prejuízo
foram os vizinhos, que se queixam do ruído e do congestionamento
de carros até altas horas. "Sem a renda das festas vamos
à falência e o imóvel irá virar um cortiço",
diz Raul Pereira Barreto, um dos diretores do São Paulo.
Diante das reclamações, o clube chegou a tomar algumas
providências. O salão principal, por exemplo, recebeu
um revestimento acústico. Mas, como é pequeno, abrigando
no máximo 87 pessoas sentadas, as festas acabam acontecendo
mesmo ao ar livre e com muito barulho.
No
último dia 26, pela primeira vez, seis representantes de
moradores foram recebidos para uma reunião no velho solar
de Higienópolis. "Dali saíram promessas de que não
haverá mais festas fora do salão", conta Cássia
Fellet, presidente da Associação dos Moradores e Amigos
do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis. "Não sei se
com isso os problemas se resolvem." A pendenga já teve desdobramentos.
Depois de receber denúncias, no fim do ano passado, o Departamento
de Controle do Uso de Imóveis (Contru) chegou a cassar a
licença do clube por ter excedido a lotação
e estar funcionando como bufê. A Regional da Sé pediu,
então, seu fechamento administrativo. O clube conseguiu uma
liminar na Justiça para permanecer aberto. "Apenas os sócios
e seus amigos podem fazer festas aqui", afirma Barreto. Não
é bem assim. Em junho do ano passado, a H.Stern fez uma megarrecepção
no local para lançar a coleção de jóias
dos designers Fernando e Humberto Campana. Na última semana,
o Clube São Paulo constava em uma lista de endereços
para festas no site www.guiadenoivos.com.br.
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