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EDUCAÇÃO
Três
por um
Problemas
#990000">Três
por um
Problemas
econômicos e falta de alunos
levam
colégios tradicionais a se fundir
Marcos
de Andrade Silva
Fotos Julio Vilela
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lela
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| Marilda,
com seus filhos Paola e Breno, em frente ao Logos, que se juntará
ao Bem me Quer (à dir.) e ao Mater Dei para formar
uma nova escola: pega de surpresa |
Estudantes
e pais de alunos dos tradicionais colégios Mater Dei, Logos
e Bem Me Quer foram surpreendidos, no mês passado, pela notícia
de que as três escolas irão se fundir numa só
em 2003. Suas matrículas vinham diminuindo nos últimos
anos. Como não tinham recursos para novos investimentos,
os proprietários decidiram que o melhor seria juntar forças.
Criaram então o novo Colégio Cidade de S. Paulo, que
deve funcionar em duas unidades. "Escolhemos o Logos por causa de
sua proposta pedagógica e estamos preocupados se ela será
mantida", diz a engenheira civil Maria Aparecida Nasser, mãe
de uma estudante da 6ª série. "Fiquei surpresa quando
soube que o Logos não vai existir mais", conta a auditora
fiscal Marilda Monteiro, mãe dos alunos Breno e Paola Mazzucchelli.
"Transferi meus filhos do Dante Alighieri em maio, pois discordava
de sua rígida disciplina. Como posso saber se fiz a escolha
certa?"
Segundo
José Augusto Lourenço, presidente do Sindicato dos
Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, os pais
devem, realmente, ficar alertas para a questão da metodologia
de ensino. "Apesar dos benefícios econômicos, nem sempre
é possível conciliar filosofias distintas", diz ele.
Para tentar evitar esse tipo de problema, os sócios do Cidade
de S. Paulo pretendem formar um conselho com representantes das
três escolas e contratar um diretor independente. "Trata-se
de um fenômeno normal, que, depois de atingir bancos e empresas,
chega agora às escolas", afirma Sônia Cafaro, diretora
do Bem Me Quer.
Julio Vilela
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| Brasil-Europa:
prédio será ocupado pelo Pueri Domus |
O inchaço do mercado é apontado como a principal causa
das dificuldades vividas por alguns colégios paulistanos.
Segundo Lourenço, de 1996 para cá houve um aumento
de 64% no número de vagas nas escolas particulares de São
Paulo, enquanto a proporção de alunos novos nesse
mesmo período subiu apenas 12%. Ao lado da crise econômica,
uma das causas na queda das matrículas seria a redução
da taxa de natalidade na capital. "A classe média, público-alvo
dos colégios privados, tem hoje, em média, apenas
um filho", diz João Paulo Nogueira, diretor do Instituto
de Pesquisas Setoriais e Objetivas, entidade que faz pesquisas e
presta assessoria na área de educação. "Apesar
disso, continuam surgindo novas escolas quase toda semana."
O
Colégio Cidade de S. Paulo deverá ter 1.300
alunos. Os estudantes de educação infantil e ensino
fundamental da 1ª à 4ª série ficarão
na Unidade JK, onde hoje se localiza o Bem Me Quer, no Itaim Bibi.
A Unidade Brasil, ex-Mater Dei, no Jardim América, oferecerá
ensino fundamental completo e ensino médio. O prédio
do Logos, em Pinheiros, será vendido ou alugado. De acordo
com as escolas, as mensalidades, que variam entre 636 e 906 reais,
serão mantidas. "Faremos apenas a correção
anual", garante Eugênio Machado Cordaro, diretor da Corus
Consultores, empresa especializada em fusões e incorporações
de estabelecimentos de ensino e responsável pela mudança.
A
crise também afetou outras instituições. No
início deste semestre, o Colégio Brasil-Europa, no
Itaim Bibi, anunciou que irá fechar após 45 anos de
funcionamento. As razões são as mesmas que levaram
o Mater Dei, o Bem Me Quer e o Logos a se fundir: aumento da concorrência,
perda constante de alunos e falta de recursos para investimentos.
"Temos analisado alguns caminhos para o futuro, mas acreditamos
que este não é o momento apropriado para tomar nenhuma
medida", afirma a diretora Inês Reingenheim, que evita dar
maiores detalhes sobre a decisão. No ano que vem, seu prédio
será ocupado por uma unidade do Pueri Domus.
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