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9 de agosto de 2006
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EXPOSIÇÃO

Da rua para a galeria

Numa mostra inédita,
a dupla osgemeos leva
sua arte à Fortes Vilaça

Marcella Centofanti

 

Fotos Alexandre Schneider
Os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, paulistanos do Cambuci: os grafiteiros ganharam o mundo


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As galerias de arte paulistanas costumam receber de dez a vinte visitantes num dia normal. São lugares tradicionalmente freqüentados por um público pequeno, embora bem informado e influente. Desde a última semana, no entanto, a Fortes Vilaça, uma das mais respeitadas galerias da cidade, tem atraído um movimento muito acima da média. Cerca de 800 pessoas compareceram à abertura da exposição O Peixe que Comia Estrelas Cadentes, no último dia 27, uma quinta-feira. No sábado seguinte, dia de frio e chuva, mais 300 curiosos passaram por lá. Os responsáveis pelo interesse são os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, conhecidos como osgemeos (escrito assim mesmo, sem espaço nem acento e com minúsculas). Famosa nos anos 90 por seu trabalho com grafite, a dupla expõe pela primeira vez numa galeria de arte em São Paulo.

 

Instalação interativa: o primeiro trabalho dos artistas com movimento

A mostra, que vai muito além do grafite, foi dividida em três partes. Na primeira, a pintura de uma cabeça amarela com olhos separados (traço típico dos artistas) cobre a fachada da galeria, um prédio de três pisos na Vila Madalena. A segunda etapa é uma instalação de 3,5 metros de altura por 7 de extensão. Nela, um inédito bonecão de fibra de vidro move os olhos e a boca. Um velho barco de madeira, encontrado numa praia de São Sebastião, no Litoral Norte, ganhou cores e uma infinidade de detalhes de papel, tinta, ferro, vidro, plástico e cerâmica. Engenhocas mecânicas concebidas por Arnaldo Pandolfo, o irmão mais velho da dupla, fazem com que pequenos bonecos se movam, uma lâmpada se acenda e uma caixinha toque música. Completam a mostra oito telas, vendidas ao preço médio de 20 000 dólares. "O trabalho que osgemeos fazem nas ruas é intimista e delicado", afirma Miguel Chaia, professor e pesquisador do núcleo de arte, mídia e política da PUC-SP. "Por isso, é fácil transpor a obra deles para um ambiente interno."

Nascidos no bairro do Cambuci, Gustavo e Otavio, 32 anos, começaram a carreira como grafiteiros e ilustradores. Pintaram murais na cidade e, em 1999, iniciaram sua trajetória fora do Brasil, a convite de um artista plástico alemão. Desde então, realizaram exposições e projetos de arte pública em países como Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Grécia, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Cuba. Neste ano, deram uma pausa na agenda internacional para se dedicar por três meses à mostra da Fortes Vilaça. "São Paulo é a nossa cidade", diz Gustavo. "A gente devia uma exposição aqui." A julgar pela quantidade de visitantes na galeria, o público paulistano concorda.

O PEIXE QUE COMIA ESTRELAS CADENTES. Galeria Fortes Vilaça. Rua Fradique Coutinho, 1500, Vila Madalena, 3032-7066. Terça a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 17h. Grátis. Até 16 de setembro.

 
Traços distintos: apesar de assinarem juntos todas as obras, Otavio inventa figuras surreais; Gustavo cria as românticas, como a tela ao lado
Uma das oito telas concebidas exclusivamente para a exposição: trabalhos avaliados em 20000 dólares
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