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EXPOSIÇÃO Da
rua para a galeria Numa mostra inédita, a dupla
osgemeos leva sua arte à Fortes Vilaça Marcella
Centofanti Fotos
Alexandre Schneider
 | | Os
irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, paulistanos do Cambuci: os grafiteiros ganharam
o mundo |
As galerias de arte paulistanas costumam receber
de dez a vinte visitantes num dia normal. São lugares tradicionalmente
freqüentados por um público pequeno, embora bem informado e influente.
Desde a última semana, no entanto, a Fortes Vilaça, uma das mais
respeitadas galerias da cidade, tem atraído um movimento muito acima da
média. Cerca de 800 pessoas compareceram à abertura da exposição
O Peixe que Comia Estrelas Cadentes, no último dia 27, uma quinta-feira.
No sábado seguinte, dia de frio e chuva, mais 300 curiosos passaram por
lá. Os responsáveis pelo interesse são os irmãos Gustavo
e Otavio Pandolfo, conhecidos como osgemeos (escrito assim mesmo, sem espaço
nem acento e com minúsculas). Famosa nos anos 90 por seu trabalho com grafite,
a dupla expõe pela primeira vez numa galeria de arte em São Paulo.
 | | Instalação
interativa: o primeiro trabalho dos artistas com movimento |
A
mostra, que vai muito além do grafite, foi dividida em três partes.
Na primeira, a pintura de uma cabeça amarela com olhos separados (traço
típico dos artistas) cobre a fachada da galeria, um prédio de três
pisos na Vila Madalena. A segunda etapa é uma instalação
de 3,5 metros de altura por 7 de extensão. Nela, um inédito bonecão
de fibra de vidro move os olhos e a boca. Um velho barco de madeira, encontrado
numa praia de São Sebastião, no Litoral Norte, ganhou cores e uma
infinidade de detalhes de papel, tinta, ferro, vidro, plástico e cerâmica.
Engenhocas mecânicas concebidas por Arnaldo Pandolfo, o irmão mais
velho da dupla, fazem com que pequenos bonecos se movam, uma lâmpada se
acenda e uma caixinha toque música. Completam a mostra oito telas, vendidas
ao preço médio de 20 000 dólares. "O trabalho que osgemeos
fazem nas ruas é intimista e delicado", afirma Miguel Chaia, professor
e pesquisador do núcleo de arte, mídia e política da PUC-SP.
"Por isso, é fácil transpor a obra deles para um ambiente interno."
Nascidos no bairro do Cambuci, Gustavo e Otavio,
32 anos, começaram a carreira como grafiteiros e ilustradores. Pintaram
murais na cidade e, em 1999, iniciaram sua trajetória fora do Brasil, a
convite de um artista plástico alemão. Desde então, realizaram
exposições e projetos de arte pública em países como
Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Grécia, França, Alemanha,
Japão, Estados Unidos e Cuba. Neste ano, deram uma pausa na agenda internacional
para se dedicar por três meses à mostra da Fortes Vilaça.
"São Paulo é a nossa cidade", diz Gustavo. "A gente devia uma exposição
aqui." A julgar pela quantidade de visitantes na galeria, o público paulistano
concorda. O PEIXE QUE COMIA ESTRELAS CADENTES.
Galeria Fortes Vilaça. Rua Fradique Coutinho, 1500, Vila Madalena,
3032-7066. Terça a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às
17h. Grátis. Até 16 de setembro.  | Traços
distintos: apesar de assinarem juntos todas as obras, Otavio inventa figuras surreais;
Gustavo cria as românticas, como a tela ao lado |
 | Uma
das oito telas concebidas exclusivamente para a exposição: trabalhos avaliados
em 20000 dólares |
 | O
Menino que Brincava Sozinho:
a história fictícia de dois irmãos que não
tinham com quem se divertir |
 | As
Estrelas São Peixes Fora d'Água:
pintura feita sobre fotografias de um artista russo |
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