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COMPORTAMENTO
Bolo,
brigadeiro
e jogos virtuais
Adolescentes
trocam festas em bufê
por parabéns entre computadores
Montagem sobre fotos de Heudes Regis/Raul Junior
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| Renato
Favery (no centro): "Todos os meus amigos elogiaram"
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Para
a garotada, sinônimo de aniversário animado é
bufê cheio, dezenas de amigos correndo de um lado para outro
e gincanas organizadas por monitores fantasiados de palhaço.
Isso, claro, até a chegada da adolescência. Nessa fase,
qualquer coisa que lembre brincadeira de criança é
imediatamente rejeitada. Para os mais crescidinhos, a nova moda
é reunir a turma em casas de jogos de computador interligados,
as chamadas LAN houses sigla em inglês para área
de rede local. Comemoram a data encarnando terroristas prontos a
explodir o quartel-general inimigo ou militares com a difícil
missão de resgatar um grupo de reféns. Tudo no mundo
virtual. "Consegui convencer minha mãe que festinha em bufê
é ultrapassado", afirma Renato Palma Berringer Favery, de
14 anos, que passa cerca de dez horas por semana em lojas do gênero.
No mês passado levou 22 colegas a uma filial da rede Monkey,
a maior da cidade. "Todos me elogiaram."
Para os pais, uma das vantagens das festas em LAN houses é
o custo. A mãe de Renato pagou 3.000
reais para receber 120 pessoas em um bufê em 2002. Agora,
gastou pouco mais de 200. A maioria das casas cobra apenas o aluguel
das máquinas (algo em torno de 3 reais a hora) e os refrigerantes
consumidos. O aniversariante tem de levar a comida. Boa parte das
festas acontece logo após a saída do colégio.
"Já chegamos a receber os alunos de uma classe inteira, que
vieram em um ônibus escolar", lembra Leonardo De Biase, sócio
da Cyber Games. "Os pais só apareceram na hora de buscá-los."
O difícil é convencer os convidados a largar os computadores
e ir cantar Parabéns. "Tive de montar uma estratégia
com os funcionários e paralisar o jogo na hora de cortar
o bolo", conta o empresário Percio Gogliano Júnior,
que organizou em abril a festa de seu filho Guido, de 12 anos. Se
deixar, ninguém desgruda o olho da tela nem para comer brigadeiro.
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