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9 de junho de 2004
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Os 10 maiores
micos da cidade

Mais de 500 leitores de Vejinha on-line escolheram as piores roubadas de São Paulo. Confira o ranking das mais votadas

Lúcia Monteiro


Trafegar pelas avenidas em obras,
cada vez mais cheias de desvios e com
mão trocada


Ilustrações Negreiros

Desde o ano passado, a prefeitura começou a fazer obras e mais obras em corredores de grande visibilidade. Se algum dia vão mesmo melhorar o trânsito, não se sabe. Alguns especialistas acreditam que a construção de duas passagens subterrâneas na região das avenidas Cidade Jardim, Faria Lima, Rebouças e Eusébio Matoso, por exemplo, só empurrará o congestionamento para mais adiante. Orçada em 220 milhões de reais, essa intervenção tem o objetivo de reduzir o tempo gasto em cada cruzamento até 25%, segundo a prefeitura, mas por enquanto tudo o que se conseguiu foi transformar o trânsito da área de purgatório em inferno. Ruas como a Sampaio Vidal e a Gabriel Monteiro da Silva tiveram a mão trocada e, a cada dia, os motoristas descobrem novos desvios. A situação se repete em outros bairros. Na Vila Olímpia, a dor de cabeça é por causa do prolongamento da Avenida Hélio Pellegrino até a Faria Lima e do alargamento da Rua Funchal. Na Zona Leste, há o prolongamento da Radial Leste e da Avenida Jacu Pêssego. A reforma ou construção de novos corredores de ônibus está complicando 87 quilômetros de vias (distância suficiente para chegar ao Guarujá). Um mico completo.

 

Ir ao motel no Dia dos Namorados

Encontrar uma fila enorme na porta do motel no dia 12 de junho é o tipo de programa micado totalmente previsível, mas que se repete ano após ano. De acordo com os cálculos da Associação Paulista de Motéis (Apam), a procura dobra nessa romântica noite. O fenômeno é generalizado: acontece tanto em estabelecimentos de alto padrão como nos mais populares. "A fila chega a duas horas e muitos casais acabam desistindo", diz Adriano Lopes, gerente de marketing do Lumini, inaugurado no ano passado e eleito pela revista Playboy o melhor da cidade. Lopes lembra que é possível driblar o inconveniente. O Lumini, assim como outros motéis paulistanos, aceita reservas, mas – olha o pequeno símio aí de novo – as vagas para este ano já acabaram.

 

Disputar espaço com camelôs
na Rua 25 de Março


As calçadas até que não são tão estreitas. Nos trechos principais, têm 3,20 metros de largura. O problema são mesmo os ambulantes. Segundo a União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), a região concentra 442 bancas de camelôs e mais de 1.000 tabuleiros – apenas 168 têm autorização da prefeitura. Com os vendedores, sobram menos de 2 metros para os pedestres. Nas esquinas, onde a concentração de barracas é maior, o espaço de circulação cai para apenas 1 metro. Como a área atrai 400.000 consumidores por dia (o número sobe para 1 milhão na proximidade de datas como Natal e Dia das Mães), é impossível caminhar por ali sem trombar com o popular macaquinho.

 

Perder a comanda de uma danceteria e ter de desembolsar até 300 reais para ir embora

A bolsa, o cachecol e o casaco vão direto para a chapelaria. Só assim, com as mãos livres, é possível se esbaldar na pista. Aparece então uma dificuldade: onde enfiar o cartão de consumação? No bolso, no sapato ou por dentro da roupa? Daí para a comanda cair no chão e desaparecer na muvuca é um pulo. As casas noturnas avisam: quem perder terá de pagar até 300 reais. Mas é possível negociar. Afinal, nenhum estabelecimento tem o direito de cobrar essa multa. Não dá para fugir é do chá-de-cadeira enquanto os funcionários dizem que estão procurando a ficha. Para evitarem aborrecimentos, algumas casas da Vila Olímpia, como Living Room, Lucky Disco Lounge e Lemon, adotaram um sistema computadorizado que armazena os pedidos. Em caso de perda, é possível verificar os gastos e bloquear o cartão na hora.

 

Curtir shows gratuitos ao ar livre

Parece um negócio da China: aproveitar o feriadão ensolarado para ver em um show ao ar livre – de graça – aquele seu cantor predileto. Bem, essa é uma daquelas situações em que quase sempre o barato sai caro. Quando a platéia supera as centenas de milhares de pessoas, como nas comemorações do último 1º de Maio ou do réveillon na Avenida Paulista, apenas quem madruga em frente ao palco consegue enxergar os artistas. Só resta acompanhar pelo telão ou sentar num canto e pensar se não teria sido melhor ficar em casa e ver tudo pela TV. Chuva, sol, frio ou vento podem micar ainda mais o dia de folga. Se vão com os filhos, os pais morrem de medo de que eles se percam no meio da multidão. Mesmo para ir embora é necessário ter paciência. Quem já esteve num programão desses sabe que sair do meio da aglomeração está longe de ser moleza.

 

Ir de carro ao centro e pagar
10 reais para estacionar


O centro é o local mais bem servido de linhas de ônibus, metrô e trem da cidade. Mesmo assim, tem gente que ainda insiste em ir para lá de carro. Tudo bem que bancos macios e ar-condicionado ainda são raridade no transporte público. Mas paga-se caro por esse aparente conforto. A maioria dos estacionamentos da região cobra 10 reais pela primeira hora. Quando há apresentação no Teatro Municipal, o serviço de manobristas custa 15 reais. Na saída, a espera pelo carro é de até vinte minutos. Quem prefere deixá-lo sob os cuidados dos zelosos flanelinhas da Rua Xavier de Toledo não economiza muito – a facada é de 10 reais.

 

Ficar um tempão na fila do
restaurante Famiglia Mancini


Essa roubada já se tornou um clássico. Afinal, a longa espera por uma mesa no Famiglia Mancini faz parte do folclore paulistano. Quem passa pela sinuosa Rua Avanhandava, no centro, sabe que é sempre assim. Mesmo em dias de semana, perdem-se entre trinta e quarenta minutos para conseguir sentar. Aos sábados e domingos, a provação é de Jó: chega a ser de no mínimo uma agradabilíssima hora. Para tornarem a fila menos penosa, os garçons costumam servir queijos e azeitonas. Sem cobrar nada. A partir de sábado (12), os fãs do tempero da casa vão contar com mais uma opção: uma pizzaria com 200 lugares que o dono, Walter Mancini, inaugura no mesmo quarteirão, onde ele é proprietário também de um restaurante italiano mais sofisticado, batizado com seu nome.

 

Transitar pela Marginal Tietê.
A qualquer hora


Pelo menos 700.000 pessoas enfrentam esse padecimento diariamente. É o número de veículos que cruzam a Marginal Tietê de segunda a sexta. Por isso, toda hora é hora de trânsito nos mais de 20 quilômetros que ligam a Rodovia Ayrton Senna ao Cebolão. Tanto que vendedores de amendoim, água, pipoca doce, biju e outros alimentos de procedência duvidosa estão sempre a postos. Para eles, quanto mais congestionamento, melhor. Buracos, caminhões soltando fumaça e barulho de buzinas contribuem para tornar o percurso ainda mais angustiante. Isso sem falar do risco que é trafegar por ali. Um estudo realizado pela CET em 2001 indicou que a Marginal Tietê é a via paulistana com maior número de acidentes.

 

Ser chamado para "interagir"
em
uma peça do Zé Celso

Não dá para ir a um espetáculo do já histórico diretor José Celso Martinez Corrêa sem correr ameaças terríveis. Festejadíssimo no mundinho do teatro, ele pode traumatizar os mais desavisados. Afinal, a duração de suas peças é de até sete horas e os bancos do Teatro Oficina são duros e sem encosto. O mais constrangedor, no entanto, é ser chamado para as cenas interativas. A cada sessão de As Bacantes, em 1996, adoradoras de Dioniso levavam alguém da platéia para a frente do palco e tiravam toda sua roupa. Nem Caetano Veloso escapou dessa. Desde 2002, quando iniciou sua epopéia teatral baseada em Os Sertões, Zé Celso está um pouquinho menos agressivo. Num dos espetáculos, os atores contentam-se em arrastar a platéia para deitar e rolar no chão de terra; noutro, limitam-se a distribuir aleatoriamente beijos na boca. A solução é acomodar-se nas fileiras mais altas, o que dificulta um pouquinho a aproximação dos atores.

 

10º Descer a Imigrantes em véspera de feriado

A nova pista da Rodovia dos Imigrantes, inaugurada no fim de 2002, resolveu parte do problema de quem vai ao litoral nos fins de semana. Mas, quando é véspera de feriado e o céu está azul, não há santo que ajude a chegar à Baixada Santista em menos de duas horas. Na última semana do ano passado, mais de 1 milhão de veículos desceram a serra e o congestionamento foi inevitável. "Nenhuma rodovia no mundo é feita para esses dias de pico", afirma Irineu Meirelles, vice-presidente executivo da Ecorodovi

         
     
 
 
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