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9 de junho de 2004
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Cheiro de ovo podre

Prefeitura anuncia mais uma vez
que vai despoluir o contaminado
Lago do Ibirapuera

Alessandro Duarte


Fotos Heudes Regis
Regis
A fonte polêmica e a garça em meio à sujeira: às vezes é preciso tapar o nariz


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Os visitantes do Parque do Ibirapuera invariavelmente se queixam do cheiro de ovo podre que exala do lago. Quando a temperatura sobe, a situação piora. Às vezes, é preciso tapar o nariz quando se chega perto da água. Nos últimos anos, a prefeitura e o governo do Estado prometeram solucionar o problema diversas vezes. Até agora, nada aconteceu. Em 2000, com a instalação de uma estação de drenagem e flotação administrada pela Sabesp, pensou-se que a imundície faria parte do passado. Como as reclamações continuaram, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente anunciou, há dois anos, um audacioso projeto bancado por uma empresa de telefonia para mudar o sistema de circulação das águas e assim facilitar a limpeza. A iniciativa não saiu do papel. Agora, a prefeitura diz que pretende descobrir os responsáveis pela contaminação com uma medida quase que artesanal. Técnicos prometem vistoriar cerca de 7.000 imóveis da Vila Mariana e identificar ligações irregulares de esgoto que estejam poluindo o Córrego do Sapateiro, principal afluente do lago. Com os 25 fiscais disponíveis, o trabalho deve levar no mínimo seis meses para ser concluído.

As visitas às casas começaram na semana passada. Joga-se um corante amarelo pelo vaso sanitário e observa-se se o líquido passa pela rede de esgoto. Se não passa, conclui-se que vai diretamente para o córrego. Quando forem constatadas irregularidades, os proprietários terão de se enquadrar. "Se conseguirmos diminuir a quantidade de detritos despejados no Sapateiro, a estação de tratamento será suficiente para limpar as águas", acredita o secretário Adriano Diogo. O programa irá custar 1,5 milhão de reais. Além de identificar ligações clandestinas de esgoto, a prefeitura pretende iniciar medições para verificar qual o nível atual de assoreamento.


Fotos Heudes Regis
Regis
A vistoria dos técnicos que pretendem examinar 7 000 imóveis na Vila Mariana para identificar ligações irregulares de esgoto (acima, à esq), a estação de flotação da Sabesp (acima) e alguns dos funcionários responsáveis por medir o assoreamento do lago (ao lado): muitas promessas e tentativas, mas nenhuma solução

A poluição do lago do Ibirapuera é preocupante. Uma medição da Cetesb encontrou 105.000 partículas de coliformes fecais para cada 100 mililitros de água logo após a estação de tratamento da Sabesp. Segundo uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), esse número não poderia ser maior que 4.000 partículas por 100 mililitros de água. "A situação melhorou, mas nunca deixamos de receber reclamações sobre o cheiro", afirma Rui Cavalheiro, diretor da Associação dos Usuários e Amigos do Parque do Ibirapuera.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e construído em comemoração ao quarto centenário da cidade, o Ibirapuera é um dos maiores orgulhos dos paulistanos. Com 1,58 milhão de metros quadrados, o parque recebe cerca de 1 milhão de freqüentadores todos os meses. No início do ano, o estado crítico de suas águas esteve no centro de uma polêmica. A fonte multimídia inaugurada em janeiro quase chegou a ser interditada. Segundo o Ministério Público, a obra, que custou 6 milhões de reais e foi doada por uma rede de supermercados, poderia espalhar pelo ar os germes trazidos pelo Córrego do Sapateiro. Um novo imbróglio não está descartado. "Os riscos existem", diz o promotor Geraldo Rangel. "Aguardamos respostas sobre medidas preventivas em caso de chuva e ventos fortes para pedir ou não a paralisação da fonte."

         
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