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AMBIENTE
Cheiro
de ovo podre
Prefeitura
anuncia mais uma vez
que vai despoluir o contaminado
Lago do Ibirapuera
Alessandro
Duarte
Fotos Heudes Regis
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Regis
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| A
fonte polêmica e a garça em meio à sujeira: às vezes é preciso
tapar o nariz |
Os
visitantes do Parque do Ibirapuera invariavelmente se queixam do
cheiro de ovo podre que exala do lago. Quando a temperatura sobe,
a situação piora. Às vezes, é preciso
tapar o nariz quando se chega perto da água. Nos últimos
anos, a prefeitura e o governo do Estado prometeram solucionar o
problema diversas vezes. Até agora, nada aconteceu. Em 2000,
com a instalação de uma estação de drenagem
e flotação administrada pela Sabesp, pensou-se que
a imundície faria parte do passado. Como as reclamações
continuaram, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente
anunciou, há dois anos, um audacioso projeto bancado por
uma empresa de telefonia para mudar o sistema de circulação
das águas e assim facilitar a limpeza. A iniciativa não
saiu do papel. Agora, a prefeitura diz que pretende descobrir os
responsáveis pela contaminação com uma medida
quase que artesanal. Técnicos prometem vistoriar cerca de
7.000 imóveis da Vila Mariana
e identificar ligações irregulares de esgoto que estejam
poluindo o Córrego do Sapateiro, principal afluente do lago.
Com os 25 fiscais disponíveis, o trabalho deve levar no mínimo
seis meses para ser concluído.
As
visitas às casas começaram na semana passada. Joga-se
um corante amarelo pelo vaso sanitário e observa-se se o
líquido passa pela rede de esgoto. Se não passa, conclui-se
que vai diretamente para o córrego. Quando forem constatadas
irregularidades, os proprietários terão de se enquadrar.
"Se conseguirmos diminuir a quantidade de detritos despejados no
Sapateiro, a estação de tratamento será suficiente
para limpar as águas", acredita o secretário Adriano
Diogo. O programa irá custar 1,5 milhão de reais.
Além de identificar ligações clandestinas de
esgoto, a prefeitura pretende iniciar medições para
verificar qual o nível atual de assoreamento.
Fotos Heudes Regis
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Regis
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A
vistoria dos técnicos que pretendem examinar 7 000 imóveis
na Vila Mariana para identificar ligações irregulares
de esgoto (acima, à esq), a estação
de flotação da Sabesp (acima) e alguns
dos funcionários responsáveis por medir o assoreamento
do lago (ao lado): muitas promessas e tentativas, mas
nenhuma solução |
A poluição
do lago do Ibirapuera é preocupante. Uma medição
da Cetesb encontrou 105.000 partículas
de coliformes fecais para cada 100 mililitros de água logo
após a estação de tratamento da Sabesp. Segundo
uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama), esse número não poderia ser maior que 4.000
partículas por 100 mililitros de água. "A situação
melhorou, mas nunca deixamos de receber reclamações
sobre o cheiro", afirma Rui Cavalheiro, diretor da Associação
dos Usuários e Amigos do Parque do Ibirapuera.
Projetado
pelo arquiteto Oscar Niemeyer e construído em comemoração
ao quarto centenário da cidade, o Ibirapuera é um
dos maiores orgulhos dos paulistanos. Com 1,58 milhão de
metros quadrados, o parque recebe cerca de 1 milhão de freqüentadores
todos os meses. No início do ano, o estado crítico
de suas águas esteve no centro de uma polêmica. A fonte
multimídia inaugurada em janeiro quase chegou a ser interditada.
Segundo o Ministério Público, a obra, que custou 6
milhões de reais e foi doada por uma rede de supermercados,
poderia espalhar pelo ar os germes trazidos pelo Córrego
do Sapateiro. Um novo imbróglio não está descartado.
"Os riscos existem", diz o promotor Geraldo Rangel. "Aguardamos
respostas sobre medidas preventivas em caso de chuva e ventos fortes
para pedir ou não a paralisação da fonte."
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