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TERRAÇO PAULISTANO
Frisson no novo
ninho da Daslu
Maria Rita Alonso
Fotos Renata Ursaia
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| Eliana Tranchesi e seu filho Bernardino: "Ele
é meu mundo" |
Em nervosa contagem regressiva
para as festas de inauguração da nova Daslu, marcadas
para sábado (4) e domingo (5), os 900 funcionários
da megabutique viraram uma força-tarefa na semana passada.
Protegidas da poeira com máscaras cirúrgicas, as dasluzetes
desceram do salto e arregaçaram as manguinhas de grife para
colocar as coisas no lugar. Aos poucos, roupas caríssimas,
sapatos de bico fino, bolsas logotipadas e até a carcaça
de um helicóptero foram ajeitados pelos quatro pavilhões
do prédio neoclássico na Marginal Pinheiros.
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| Helicóptero com as iniciais da loja: cinco
horas para ser pendurado |
No meio da bagunça, na terça, a onipresente proprietária
Eliana Tranchesi desfilava esvoaçante com uma echarpe
lilás. "Este aqui é meu mundo", disse ela, referindo-se
não à sua superloja, mas ao primogênito Bernardino
Tranchesi Neto, de 19 anos. "Ele estuda muito, muito, muito
e ainda não tem tempo para trabalhar na Daslu", afirmou.
Para a tristeza das loirinhas solteiras ao seu redor, ainda faltam
três anos para o cobiçadíssimo Bernardino concluir
o curso de administração.
Eliana confessa que engordou 16 quilos desde o início da
construção, em maio do ano passado. Nos últimos
meses, conseguiu perder 8. "Agora que está tudo certo, relaxei
e passei a comer menos."
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| Uma das caixas com cristais Baccarat: nenhuma
taça quebrada |
Centralizadora e detalhista, ela conta que ajudou a projetar tudo,
tudo. Diz que passou o réveillon "trancada" em Laranjeiras
(aquele condomínio de luxo no litoral sul do Rio de Janeiro),
definindo o lugar adequado de cada prateleira, cada arara, cada
vaso de flor.
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| Lustres de cristais: ambiente energizado |
Na quarta, o vaivém de pacotes congestionou as escadas do
prédio (doze delas rolantes) e os 22 elevadores. Entre as
caixas com cristais finíssimos da Baccarat, a perda de estoque
foi de... 0%. Nada quebrou. Embalados um a um em caixas com espuma,
as taças de 600 reais, os enfeites de 2.000 reais e os vasos
de 10.000 reais chegaram intactos.
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| Dasluzetes com a mão na massa: máscara para
não inalar poeira |
Frisson maior criou-se na hora de pendurar um helicóptero
Robinson em um dos gazebos internos. Com mais de 3 metros de comprimento
e 600 quilos, a carcaça da aeronave foi personalizada com
as iniciais da butique: DAS... de Daslu. O PT que precede as letras
não tem nada a ver com preferências políticas,
pois o prefixo é usado para identificar a nacionalidade brasileira
das aeronaves.
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| Um profissional da Fashion Week cuidou do
visual das manequins: a idéia é que fiquem com a cara das consumidoras
depois da peruca lisinha (e loira) |
Calcula-se que Eliana tenha gastado 50 milhões de reais na
decoração e o grupo português Ergi, dono do
prédio, 70 milhões de reais na obra em si.
Só o piso de 1.500 metros quadrados da entrada ficou em 500.000
reais. Para atrair "energias positivas", ele foi ladrilhado com
150 toneladas de cristal de rocha.
Alguns dos pomposos lustres que enfeitam o interior da butique também
levam esse tipo de cristal. Os maiores foram emprestados pela loja
Bobadilha, numa negociação conduzida pela arquiteta
Chinho de Lucca, amiga antiga de Eliana. "A Daslu é uma vitrine,
concorda?", argumentava a arquiteta.
Foi Chinho quem desenhou os tecidos adamascados dos sofás
e das cortinas, todos confeccionados na Índia. Em Milão,
descolou 23 bustos em estilo romano e um leão de mármore
de Carrara colocado no gazebo central para dar boas-vindas às
clientes.
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| Cerca de 3.500 pares estarão à
venda: oito horas de arrumação |
O maquiador Saulo Fonseca, um dos mais requisitados para desfiles
da São Paulo Fashion Week, foi contratado para dar um tapa
no visual de sessenta manequins. "Useis tons de bege, a tendência
atual dos makes", contou ele. "Só faltam chegar as perucas
que encomendei, com fios bem lisos e mais aloirados, para reproduzir
o padrão de beleza das clientes."
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| Bustos de mármore trazidos de Milão
e (abaixo) o novo logo da Daslu: "Glória
a Deus para sempre", escrito em latim |
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Católica fervorosa, Eliana bolou um logo novo para a Daslu
com o antigo brasão entre duas araras e os dizeres em latim:
"Laus Deo in perpetuum" (Glória a Deus para sempre).
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| A estilista Cris Barros: entre as 61 marcas
nacionais |
Doze marceneiros voaram (alguns deles em classe executiva) de Paris
e de Milão para montar os espaços que algumas das
63 grifes internacionais vão ocupar. "A comunicação
deles com os pedreiros daqui é toda à base de mímica",
espantou-se Cicila Street Barros, diretora da Chanel. "É
de rolar de rir."
Entre as 61 salas destinadas às marcas nacionais, a da estilista
Cris Barros, com um mosaico de espelhos na parede e um tapete branco
de pele de ovelha no chão, foi a primeira a ficar pronta.
"A cliente pode entrar, tirar os sapatos e se sentir em casa", diz
ela. "É o máximo, não é?"
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