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8 de junho de 2005
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TERRAÇO PAULISTANO

Frisson no novo
ninho da Daslu

  Maria Rita Alonso


Fotos Renata Ursaia
Eliana Tranchesi e seu filho Bernardino: "Ele é meu mundo"

Em nervosa contagem regressiva para as festas de inauguração da nova Daslu, marcadas para sábado (4) e domingo (5), os 900 funcionários da megabutique viraram uma força-tarefa na semana passada. Protegidas da poeira com máscaras cirúrgicas, as dasluzetes desceram do salto e arregaçaram as manguinhas de grife para colocar as coisas no lugar. Aos poucos, roupas caríssimas, sapatos de bico fino, bolsas logotipadas e até a carcaça de um helicóptero foram ajeitados pelos quatro pavilhões do prédio neoclássico na Marginal Pinheiros.

Helicóptero com as iniciais da loja: cinco horas para ser pendurado

No meio da bagunça, na terça, a onipresente proprietária Eliana Tranchesi desfilava esvoaçante com uma echarpe lilás. "Este aqui é meu mundo", disse ela, referindo-se não à sua superloja, mas ao primogênito Bernardino Tranchesi Neto, de 19 anos. "Ele estuda muito, muito, muito e ainda não tem tempo para trabalhar na Daslu", afirmou. Para a tristeza das loirinhas solteiras ao seu redor, ainda faltam três anos para o cobiçadíssimo Bernardino concluir o curso de administração.

Eliana confessa que engordou 16 quilos desde o início da construção, em maio do ano passado. Nos últimos meses, conseguiu perder 8. "Agora que está tudo certo, relaxei e passei a comer menos."

Uma das caixas com cristais Baccarat: nenhuma taça quebrada

Centralizadora e detalhista, ela conta que ajudou a projetar tudo, tudo. Diz que passou o réveillon "trancada" em Laranjeiras (aquele condomínio de luxo no litoral sul do Rio de Janeiro), definindo o lugar adequado de cada prateleira, cada arara, cada vaso de flor.

Lustres de cristais: ambiente energizado

Na quarta, o vaivém de pacotes congestionou as escadas do prédio (doze delas rolantes) e os 22 elevadores. Entre as caixas com cristais finíssimos da Baccarat, a perda de estoque foi de... 0%. Nada quebrou. Embalados um a um em caixas com espuma, as taças de 600 reais, os enfeites de 2.000 reais e os vasos de 10.000 reais chegaram intactos.

Dasluzetes com a mão na massa: máscara para não inalar poeira

Frisson maior criou-se na hora de pendurar um helicóptero Robinson em um dos gazebos internos. Com mais de 3 metros de comprimento e 600 quilos, a carcaça da aeronave foi personalizada com as iniciais da butique: DAS... de Daslu. O PT que precede as letras não tem nada a ver com preferências políticas, pois o prefixo é usado para identificar a nacionalidade brasileira das aeronaves.

Um profissional da Fashion Week cuidou do visual das manequins: a idéia é que fiquem com a cara das consumidoras depois da peruca lisinha (e loira)

Calcula-se que Eliana tenha gastado 50 milhões de reais na decoração e o grupo português Ergi, dono do prédio, 70 milhões de reais na obra em si.

Só o piso de 1.500 metros quadrados da entrada ficou em 500.000 reais. Para atrair "energias positivas", ele foi ladrilhado com 150 toneladas de cristal de rocha.

Alguns dos pomposos lustres que enfeitam o interior da butique também levam esse tipo de cristal. Os maiores foram emprestados pela loja Bobadilha, numa negociação conduzida pela arquiteta Chinho de Lucca, amiga antiga de Eliana. "A Daslu é uma vitrine, concorda?", argumentava a arquiteta.

Foi Chinho quem desenhou os tecidos adamascados dos sofás e das cortinas, todos confeccionados na Índia. Em Milão, descolou 23 bustos em estilo romano e um leão de mármore de Carrara colocado no gazebo central para dar boas-vindas às clientes.

Cerca de 3.500 pares estarão à venda: oito horas de arrumação

O maquiador Saulo Fonseca, um dos mais requisitados para desfiles da São Paulo Fashion Week, foi contratado para dar um tapa no visual de sessenta manequins. "Useis tons de bege, a tendência atual dos makes", contou ele. "Só faltam chegar as perucas que encomendei, com fios bem lisos e mais aloirados, para reproduzir o padrão de beleza das clientes."

Bustos de mármore trazidos de Milão e (abaixo) o novo logo da Daslu: "Glória a Deus para sempre", escrito em latim

Católica fervorosa, Eliana bolou um logo novo para a Daslu com o antigo brasão entre duas araras e os dizeres em latim: "Laus Deo in perpetuum" (Glória a Deus para sempre).

A estilista Cris Barros: entre as 61 marcas nacionais

Doze marceneiros voaram (alguns deles em classe executiva) de Paris e de Milão para montar os espaços que algumas das 63 grifes internacionais vão ocupar. "A comunicação deles com os pedreiros daqui é toda à base de mímica", espantou-se Cicila Street Barros, diretora da Chanel. "É de rolar de rir."

Entre as 61 salas destinadas às marcas nacionais, a da estilista Cris Barros, com um mosaico de espelhos na parede e um tapete branco de pele de ovelha no chão, foi a primeira a ficar pronta. "A cliente pode entrar, tirar os sapatos e se sentir em casa", diz ela. "É o máximo, não é?"

     
   
 
 
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