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LITORAL
A
volta do Guarujá
Novos
calçadões, praias limpas
e
acesso facilitado fazem do balneário
uma boa opção de férias
Maria
Rita Alonso
Heudes Regis
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| Praia
das Astúrias: 1 milhão de turistas são esperados nesta temporada
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Não
havia balneário mais chique em São Paulo do que o
Guarujá. Era lá que os paulistanos ricos, hospedados
nos elegantes edifícios modernistas à beira-mar, curtiam
as férias até meados da década de 70. Nos últimos
vinte anos, no entanto, ocorreu uma revoada de endinheirados para
o Litoral Norte. O Guarujá, apinhado de prédios e
explorado sem dó pela especulação imobiliária,
sentiu o golpe. Amargou as temporadas de 1996 e 1997 com o emissário
submarino quebrado e as praias imundas. Deixou de fazer jus a seu
velho apelido de Pérola do Atlântico.A
situação não é mais essa. Quem chega
a Pitangueiras, a praia central e mais movimentada, percebe logo
uma cidade de cara nova. Os calçadões, as ciclovias
e os canteiros estão zero-quilômetro. E esse é
só o primeiro sinal. Todas as suas 22 praias hoje são
consideradas limpas e próprias para o banho. "Neste início
de verão, a qualidade da água está tão
boa quanto a das praias de São Sebastião", garante
Lineu José Bassoi, gerente de recursos hídricos da
Cetesb. "Mas só vamos saber se o trabalho foi bem-feito e
se trouxe resultados efetivos quando a invasão de turistas
estiver no auge."
Heudes Regis
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| Hóspedes
do Casa Grande Hotel, na piscina do spa: há trinta anos recebendo
endinheirados |
É
mesmo uma invasão. Localizado a 88 quilômetros da capital,
o Guarujá teve sua principal via de acesso ampliada com a
abertura da nova pista da Rodovia dos Imigrantes. Estima-se que
na atual temporada o balneário vá receber 1 milhão
de pessoas. No ano passado, foram 700.000. Entre
o Natal e o Ano-Novo, as praias ficaram apinhadas de guarda-sóis
e devem continuar assim até o Carnaval (a Terça-Feira
Gorda cairá no dia 4 de março). Os veranistas estão
encontrando boa parte da orla reurbanizada. Não era sem tempo.
O piso esburacado de mosaico português e os deques de madeira,
que já estavam podres, foram trocados por um calçadão
que se estende pelos 2 quilômetros da Praia de Pitangueiras.
Ali, uma grande praça com um estrambólico chafariz
e golfinhos esculpidos em bronze (algo exagerado, diga-se) dão
as boas-vindas aos turistas. A reforma alcançou também
outros 3 quilômetros da Enseada, a maior de suas praias, com
6,5 quilômetros de extensão. Nela foi feita ainda uma
ciclovia. Não se vêem mais por lá barracas mal-ajambradas
e com cheiro de fritura. Em seu lugar, cinqüenta quiosques
bem montados servem petiscos, cervejas, sucos e água-de-coco.
Na Avenida Dom Pedro I, que corre paralela à rua da praia,
74 coqueiros imperiais, cada um com 4 metros de altura, dão
um ar de imponência ao ambiente.
Heudes Regis
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| Simmioni
(à esq.) e a tropa de surfistas que dão aulas na praia:
berço do esporte no país |
Mudança
maior aconteceu na Praia do Tombo, que estava mal-cuidada e muito
poluída. "Hoje em dia a situação é mil
vezes melhor", diz a estudante Mariana Klockner, uma freqüentadora
assídua. "O Guarujá cresceu muito e ficou mais bonito,
com cara de cidade grande", acha Sarah Oliveira, VJ da MTV, que
passou as férias na cidade durante sua adolescência.
Segundo dados da prefeitura, nos últimos dez anos foram investidos
cerca de 10 milhões de reais no processo de reurbanização.
Tudo é feito por meio de parcerias com a iniciativa privada.
No ano passado, a Rede Globo ajudou a bancar uma arena esportiva
na Enseada, onde haverá campeonatos de futebol de areia.
A arena fica próxima ao tradicional Casa Grande Hotel, que
há trinta anos hospeda gente abonada. "O hotel investiu 250.000
reais para construir uma praça bem em frente às suas
instalações e 3 milhões de reais em um centro
de exposições de 4.000 metros
quadrados", diz a gerente de marketing Sueli Cogos. Durante este
mês de janeiro funciona no hotel um shopping de verão,
com lojas de grifes, como a M.Officer. O Casa Grande, que dispõe
de 263 apartamentos e três chalés (as diárias
com café-da-manhã chegam a custar 866 reais para um
casal), tem restaurantes, bar, boate e um spa abertos ao público
em geral.
Heudes Regis
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| Um
dos 160 salva-vidas: queda no número de afogamentos |
Heudes Regis
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| As
estudantes Mariana e Beatriz Klockner, na Praia do Tombo: "Mil
vezes melhor" |
Mesmo com um apartamento montado na Praia de Pitangueiras, a empresária
Lucília Diniz prefere hospedar-se no hotel. "No Guarujá,
a gente encontra o DNA do luxo", acredita. "Por isso, jamais o abandonei
para ficar em Maresias ou em outra praia do Litoral Norte. Não
existe comparação em termos de conforto." A cidade
não é daquelas em que, quando chove, não se
tem mais nada para fazer. Há grande variedade de cenários
e, seguramente, uma das melhores infra-estruturas do litoral. Não
faltam lugares para badalar, namorar, descansar, comer bem e praticar
esportes. No Morro do Maluf, um grupo orientado por especialistas
pratica escalada nos fins de semana. Na Ponta do Tortuga é
fácil (e caro) alugar um jet-ski (60 reais por quinze minutos).
Depois das 5 da tarde, a areia está liberada para jogos de
vôlei, frescobol e futebol.
Heudes Regis
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| A
paulistana Caroline, que se mudou para a ilha: população cresceu
40% em dez anos |
Heudes Regis
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| Lucília
Diniz, no novo calçadão: "Aqui está o DNA do luxo" |
Na Praia do Tombo, ponto de encontro dos surfistas, foi construído
um mirante para os jurados assistirem aos campeonatos. É
lá que funciona a maior fábrica de pranchas do país.
"O Guarujá é um dos berços do esporte e conta
com seis escolas de surfe pela costa", diz o professor Giovani Simmioni.
Com aulas dentro e fora da água, Simmioni ensina o básico
para quem quer pegar onda sem dar vexame. "É uma experiência
incrível", afirma a paulistana Caroline Furtado Nobre, de
17 anos, com um longboard debaixo do braço. Faz um ano que
Caroline se mudou para o Guarujá. Foi cursar faculdade de
direito na Unaerp, uma universidade de Ribeirão Preto que
em 1999 inaugurou um campus na Praia da Enseada. "Estou adorando
viver aqui."
O
Guarujá é uma ilha. Fica separado de Santos pelo canal
de entrada dos navios que se dirigem ao porto. Nos últimos
dez anos, sua população aumentou. Hoje são
275.000 habitantes, 40% a mais que em 1992.
A maioria não vive nos elegantes edifícios modernistas
erguidos junto à orla, mas em bairros distantes, vilas e
58 favelas que tomam os morros e as áreas aterradas de mangue.
Há explicações para o inchaço do município.
Fundado no início do século XX, o Guarujá era
o destino favorito dos veranistas que, além do sol, iam atrás
das mesas de roleta e bacará de seu famoso cassino, fechado
quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946. Nos anos 70 houve
a explosão imobiliária. Migrantes nordestinos chegaram
atraídos pelos empregos na construção civil.
Surgiram favelas, as praias se encheram além da conta, cessaram
os investimentos e os problemas começaram. Veranistas com
dinheiro foram para o Litoral Norte.
Heudes Regis
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| A
VJ Sarah Oliveira: "Com cara de cidade grande" |
"Comemos o pão que o diabo amassou, mas conseguimos trazer
nossos turistas de volta", diz o prefeito Maurici Mariano, que está
em seu terceiro mandato. "Meu objetivo agora é transformar
a base aérea em aeroporto até o fim de 2004." Para
tentar diminuir os problemas de segurança, a prefeitura criou
a guarda municipal, com um efetivo de 350 homens, quase todos espalhados
pela orla. O número de salva-vidas igualmente cresceu. Pulou
de noventa para 160. Graças a sua ação preventiva,
os afogamentos vêm caindo nos últimos anos. Uma lei
municipal proíbe a entrada de ônibus de excursão
se os passageiros não comprovarem que têm onde ficar
hospedados. Diante dessas mudanças, os imóveis, antes
desvalorizados, recuperaram o valor. Um apartamento de quatro quartos
com vista para o mar não sai por menos de 350.000
reais. Há cinco anos, o mesmo imóvel não alcançava
mais que 215.000 reais. Passar as férias
no Guarujá custa menos que no Litoral Norte. O aluguel de
um apartamento de um quarto na Praia das Astúrias ou na Enseada
(a lei municipal não permite a construção de
quitinetes) fica entre 60 e 90 reais por dia. Em Camburi, um chalé
do mesmo tamanho custa o dobro. Em Pitangueiras, apartamentos de
dois e até três dormitórios são oferecidos
por 250 reais diários. "Como o Guarujá se revitalizou
e o acesso ficou facilitado, muitos proprietários de imóveis
resolveram descer e a oferta diminuiu consideravelmente", conta
o corretor Caio Borges, dono de uma das imobiliárias mais
antigas da ilha.
Com
tudo isso, a cidade voltou a ser uma boa opção para
o verão. Uma grande queima de fogos na Praia de Pitangueiras
fechou 2002 em clima de euforia. As praias ficaram completamente
tomadas. No primeiro dia do ano, um batalhão de lixeiros
começou logo cedo a limpeza nas areias. Nesta temporada,
o Guarujá se esforça para que voltem a chamá-lo,
como no passado, de Pérola do Atlântico.
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O
QUE HÁ DE MELHOR
Ilustração Dalcio
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Pegar
sol com tranqüilidade na Praia de Pernambuco, das 9 às
11h30 da manhã.
Assistir
ao pôr-do-sol, tomando água-de-coco, no canto
do Morro do Maluf, com sua bela vista da Praia das Pitangueiras.
Paquerar
surfistas parafinados ou gatas saradas na Praia do Tombo.
As
especialidades dos três melhores restaurantes da ilha:
a mariscada do Joca, o camarão do Dalmo Bárbaro
e os peixes do Rufino's.
Percorrer
a orla da cidade, num passeio de barco ao redor da ilha.
Contar
com amigos que tenham casa em praias exclusivas, como Iporanga,
para que liberem a entrada na portaria.
O
chope bem tirado do Rudy's, na agitada Rua Rio de Janeiro.
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O
QUE HÁ DE PIOR
Ilustração Dalcio
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Ter
de escutar o pagode no último volume do carro vizinho,
parado num congestionamento da Praia das Pitangueiras.
Pegar
uma fila de horas, dentro do carro, para conseguir entrar
na Praia Sítio São Pedro, que tem acesso controlado
pelo luxuoso condomínio.
A
desconfortável sensação de pisar na água
amarelada que ainda sai dos canais e desemboca na Praia da
Enseada.
A
agitadíssima Praia do Guaiúba, aos domingos,
um dos pontos favoritos dos turistas de um dia.
O
cheiro de peixe da Praia do Perequê, reduto de pescadores.
Dar
uma volta em um dos três shoppings da cidade lotados
em dia de chuva.
Os
vendedores ambulantes que se espalham pelas praias.
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Atrações
para as crianças
Fotos de Leo Feltran e Heudes Régis
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| O
aquário, com 270 espécies, e o museu Heureka!: dois programas
legais |
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Aonde
levar as crianças no Guarujá? Além da
praia, que já é pura diversão, há
dois parques temáticos que valem a viagem: o Acqua
Mundo e o Heureka! Exploratorium. O primeiro é um superaquário
com 27 tanques de água salgada e oito de água
doce. Considerado o maior da América do Sul, reúne
270 espécies. Tem polvo, jacaré, pingüim
da Patagônia, tartaruga, tubarão... A novidade
da estação é um lobo-marinho. No Heureka!,
os visitantes podem interagir e participar de experimentos
científicos, como a engenhoca Loconauta Giroscópio
Humano, que simula a falta de gravidade. No laboratório
lúdico, há outras 130 instalações.
Uma das que provocam maior fila de espera é o gerador
de eletrostática, que deixa a criançada literalmente
de cabelos em pé. Tudo é acompanhado de perto
por monitores, que procuram dar explicações
técnicas em linguagem simplificada.
Acqua Mundo, Avenida Miguel Stéfano, 2001, Praia
da Enseada, Guarujá,
(13) 3351-8867. 10h/22h. R$ 7,00 (crianças até
12 anos) e R$ 10,00.
Heureka! Exploratorium, Avenida Marechal Deodoro da Fonseca,
1096, Praia das Pitangueiras, Guarujá,
(13) 3384-3050. 15h/22h (fecha seg.). R$ 5,00 (até
14 anos) e R$ 9,00.
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Refúgios
dos milionários
Renata Ursaia
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Heudes Regis
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| Condomínio
Tijucopava e Iate Clube: os Safra e os Setúbal continuam
lá |
Nesta
temporada, cada cantinho de areia das praias mais conhecidas
do Guarujá estará ocupado. Mas só das
mais conhecidas. Ao norte da costa guarujaense, encravadas
na Serra do Guaraú, quatro praias exclusivas preservam
o glamour e a tranqüilidade de outros tempos. O acesso
a elas é feito desde o início da década
de 80 por estradinhas controladas pelos condomínios
Iporanga, Tijucopava e Sítio São Pedro. Há
três anos, foi inaugurado mais um condomínio
de altíssimo padrão, o Taguaíba, com
apenas cinco casas (cada uma avaliada em 2 milhões
de reais). Os seguranças só permitem a entrada
de visitantes caso os dois estacionamentos coletivos disponíveis
não estejam lotados. Existem 280 vagas. Boa parcela
dos proprietários, como o empresário Tufi Duek,
dono da Forum, e o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça
de Barros, costuma chegar ali de helicóptero. As famílias
Safra, Setúbal e Diniz conservam suas mansões
no condomínio Península, localizado na Praia
da Enseada. Parte desses veranistas freqüenta o Clube
Samambaia e o Iate Clube de Santos (que, apesar do nome, fica
no Guarujá). O apresentador Silvio Santos sonha montar
um hotel-cassino, se um dia o jogo for novamente legalizado
no Brasil, num terreno de 77 000 metros quadrados de frente
para o mar que possui no condomínio Jardim Acapulco,
na Praia de Pernambuco. Se conseguir, será uma volta
às origens. No passado, funcionava ali um luxuoso cassino
que atraía milionários ao Guarujá.
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