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CIDADE
Avenida
pede socorro
Prefeitura
promete, novamente,
revitalizar a
cada vez mais suja e
deteriorada Santo Amaro
Erika
Sallum
Mario Rodrigues
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| Realidade
e esperança: casas abandonadas da Santo Amaro e, ao fundo, um
dos modernos edifícios que estão sendo erguidos na vizinhança
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A vizinhança
é toda estrelada. De um lado, Pinheiros, Itaim e Vila Olímpia.
Do outro, Jardim Paulista, Moema e Vila Nova Conceição.
São bairros onde o metro quadrado chega a custar 10.000
reais. Apesar do entorno valorizado, a Avenida Santo Amaro (metro
quadrado a 600 reais, em média), entra ano, sai ano, sofre
com a deterioração e o descaso há quase duas
décadas. Numa das maiores avenidas da cidade, com 7,7 quilômetros
de extensão, o que se vê é um espetáculo
de pavor a céu aberto: muros e mais muros inteiramente pichados,
imóveis abandonados, terrenos destruídos, calçadas
imundas e asfalto esburacado. Trata-se de uma vergonha para os paulistanos,
exposta a poucos metros de lugares sofisticadíssimos, cercados
de prédios de alto padrão, como a butique Daslu, na
Rua João Lourenço, ou de tradicionais regiões
de classe média, como o Brooklin Paulista. "A Santo Amaro
é um dos piores exemplos de degradação urbana
da capital", diz o arquiteto Paulo Bastos, membro do Movimento Defenda
São Paulo. "Além de ser fundamental para ligar o centro
à Região Sul, ela é historicamente muito importante.
Não merecia tanto desprezo."
Em
uma tentativa de mudar tamanho horror urbano, a prefeitura promete
iniciar neste mês um conjunto de obras para revitalizar a
avenida. Eis uma bela resolução de ano novo. Infelizmente,
não é a primeira vez que o governo municipal diz que
vai dar um jeito nela. Desde que assumiu o cargo, a prefeita Marta
Suplicy fala em tirar a Santo Amaro do buraco. Pitta, Maluf e Erundina
diziam coisas parecidas. Até agora, no entanto, pouco foi
realizado. Em 2002, houve apenas algumas melhorias na Parada dos
Eucaliptos, na altura da Santo Amaro com a Bandeirantes. Nesse trecho,
além do plantio de árvores, alargaram a pista. Para
2003, a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) anuncia
que irá recuperar o asfalto de toda a estragada avenida e
reformar os pontos de ônibus, a sinalização
e a iluminação. "Vamos tentar um acordo com a Eletropaulo
para colocar as fiações no subsolo", diz Luiz Horta,
engenheiro da Emurb responsável pela execução
das obras. A segunda etapa do projeto prevê uma ação
conjunta entre a prefeitura, os comerciantes e os moradores para
restaurar as fachadas dos imóveis. Por enquanto, o pouco
que se vê de alentador deve-se à iniciativa privada,
como alguns novos prédios em construção nas
imediações da Avenida São Gabriel, onde a Santo
Amaro começa.
Fotos Mario Rodrigues
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drigues
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cinemas Guarujá e Vila Rica atraíam, ao lado de salas como Del
Rey, Graúna e Chaplin, milhares de pessoas. Viraram fantasmas
depois de aberto o corredor de ônibus, nos anos 80 |
Antiga
estrada que ligava São Paulo ao então município
de Santo Amaro (incorporado à capital nos anos 30), a avenida
viveu dias bem melhores até os anos 80, quando foram construídos
os atuais corredores de ônibus. As calçadas se estreitaram
e os carros não puderam mais estacionar. "Com isso, o comércio
desapareceu", explica José Eduardo Lefèvre, professor
de história da arquitetura da Universidade de São
Paulo. Boas lojas de roupas e calçados deram lugar a borracharias,
modestas oficinas mecânicas e postos de gasolina, além
de um pequeno comércio como o Relojoeiro Alemão, que
há trinta anos teima em não sair de lá. Cinemas
conhecidos, como o Vila Rica e o Chaplin, fecharam com o sumiço
do público. "Ficávamos lotados nos fins de semana",
lembra Francisco Lucas, que dirigia o Cine Del Rey, com 1.200
lugares.
Para
ressuscitar a Santo Amaro, especialistas acreditam ser necessário
mais que um simples projeto para embelezá-la embora
nem isso tenha saído do papel. "Ela deveria ser alargada
para que as pessoas pudessem percorrê-la com tranqüilidade,
sem ficar espremidas", sugere o especialista imobiliário
Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos
de Patrimônio (Embraesp). "Uma revisão na Lei de Zoneamento
da região também seria fundamental." Hoje, a altura
máxima permitida para as construções é
de 15 metros. Como os lotes são pequenos, torna-se difícil
erguer um empreendimento de grande porte. "Com todas essas restrições,
quem vai querer investir num lugar tão destruído?",
pergunta Pompéia.
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