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PERFIL
O viajante profissional
O empresário Guilherme Paulus sabe
de cor o cardápio das companhias aérea
s nacionais, guarda cinco passaportes com
150 carimbos, tem lojas em 23 shoppings
da cidade e será o responsável pelas
férias de 100 000 paulistanos neste verão
Rodrigo Brancatelli
Mario Rodrigues
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| Paulus, dono da CVC: de cada quatro pacotes
turísticos vendidos em São Paulo, três são dele |
Há quase cinco meses o
médico Victor Castelo sonha com as praias de areia branquíssima
e mar verde-esmeralda de Varadero, uma espécie de Cancún
no litoral cubano. O vôo está marcado para o próximo
domingo. Dois dias depois, a dona-de-casa Maria Alice Viana visitará
de ônibus os pais na cidade mineira de Passa Quatro. "Lá
sempre esfria de tarde e é bom carregar umas malhas", diz
ela, com as malas prontinhas. O estudante Rodrigo Soeiro nem quer
ouvir falar de baixas temperaturas. Em janeiro, ele embarca para
Porto Seguro, na Bahia. Apesar dos destinos bem diferentes, esses
e outros 100.000 paulistanos entregaram sua viagem de fim de ano
nas mãos (marcadas por cortes de linha e anzol) de um mesmo
homem: Guilherme Paulus, 55 anos, dono da CVC, operadora de turismo
que ficou conhecida pelo logotipo amarelo e azul impresso em revistas,
jornais, mochilas de viagem e laterais de ônibus.
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Milhas
e mais milhas
Ele calcula ter cerca de 7 milhões de milhas
percorridas na bagagem o equivalente a 1 466 idas de
São Paulo a Nova York ou 31 559 vôos para o Rio
de Janeiro. Só para Fernando de Noronha, seu destino
preferido, viajou trinta vezes
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De janeiro a outubro, a empresa
atendeu 1,1 milhão de clientes, metade deles da capital.
Paulus, que começou em 1972, organizando excursões
rodoviárias para metalúrgicos de Santo André,
é responsável por três em cada quatro pacotes
vendidos por aqui. Seu leque de opções é enorme.
Tem roteiros para Porto Seguro por 518 reais e para Fortaleza por
menos de 900. Uma semana em Paris não sai por mais de 3.800
reais. Tudo parcelado em até dez vezes. Em muitos casos,
sem juros. Por ter conseguido popularizar seu ramo de atividade,
Paulus é chamado de Samuel Klein do turismo. Tem a mesma
fama de implacável do dono das Casas Bahia na hora de negociar.
"É ele quem determina os preços do mercado, as tarifas
dos hotéis e as tendências do setor", afirma o agente
Marcelo Ferreira, da operadora carioca AmericasTour. "Hotéis
são obrigados a baixar tarifas, cortar custos e até
assinar contratos de exclusividade", completa José Mendonça
Prado, consultor de turismo. "A TAM, por exemplo, quase só
freta aviões para a CVC." Resultado dessa personalidade toda?
Paulus responde por 62% dos pacotes turísticos vendidos no
país e movimenta mais de 280 milhões de dólares
por ano. "Bem, digamos que eu sei pressionar os outros para conseguir
o que eu quero", diz ele.
Fotos arquivo pessoal
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oal
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| À esquerda, a primeira
loja da empresa, aberta em Santo André, em 1972, época
em que Paulus (assinalado na foto à dir., em 1976)
organizava excursões para metalúrgicos. Abaixo,
a filial do MorumbiShopping: rede com faturamento de 280 milhões
de dólares por ano |
Mario Rodrigues
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Na alta temporada (dezembro a
fevereiro), chega a fretar 180 vôos por semana para obter
tarifas até por um quarto do valor original e assim acomodar
toda a clientela. Além disso, reserva por ano 5.000 ônibus
e 1,2 milhão de quartos de hotel aqui e no exterior. "Tento
negociar roteiros para o Nordeste do mesmo jeito que se vendem TVs
ou fogões", afirma. O perfil dos clientes da CVC mudou. Atualmente,
as viagens mais econômicas, como excursões rodoviárias
para Foz do Iguaçu ou para o Rio de Janeiro, correspondem
a 17% do movimento há uma década, elas respondiam
por 60% das vendas.
Paulus engatou o namoro com a
classe média em 2000, quando a alta do dólar quebrou
importantes concorrentes. Diferentemente delas, que dependiam dos
roteiros internacionais, a CVC atravessou a má fase em céu
de brigadeiro graças ao turismo doméstico, sua principal
aposta até hoje 75% dos pacotes que vende são
nacionais. Foi além. Para abocanhar esse cliente no momento
em que ele está passeando e fazendo compras, abriu lojas
em 23 shopping centers da cidade. Alguns, como o Ibirapuera, possuem
duas unidades.
Mario Rodrigues
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| Torce pelo Corinthians: uma das paixões, ao
lado das pescarias |
Sua história no ramo do turismo começou a se desenhar
em 1971, quando largou o curso de direito para trabalhar como agente
de viagens da tradicional Casa Faro, no centro. "Existia carência
enorme no setor", lembra. "Turismo interno era um mito." A oportunidade
de explorar esse filão veio um ano depois, quando o deputado
estadual Carlos Vicente Cerchiari o convidou para montar uma agência
de turismo em Santo André, seu reduto eleitoral. A empresa
foi batizada com as iniciais do nome do político, que venderia
sua parte na sociedade quatro anos mais tarde. A CVC, então
com quatro funcionários, apostou na idéia de organizar
excursões rodoviárias para funcionários das
indústrias da região. A hoje primeira-dama Marisa
da Silva foi uma das passageiras, em passeios para Caldas Novas
e Goiânia. Em 1982 veio a primeira filial, em Santos, e a
abertura de uma loja na capital.
Paulus mantém a postura
falante (anda com três celulares a tiracolo) da época
em que tinha de convencer os metalúrgicos do ABC a viajar
com ele. Claro que muita coisa mudou. Vaidoso, agora ele se veste
com ternos Ricardo Almeida, gravatas italianas, relógio Bulgari
e óculos Emporio Armani. Uma vez por mês, freqüenta
o salão do cabeleireiro Edson Nunes, irmão de Wanderley.
Não pinta o cabelo, mas escurece os fios com xampu tonalizante.
O trem que pegava diariamente para chegar a Santo André foi
substituído por um Audi A4 prata blindado. Mas ele gosta
mesmo é das máquinas que voam, nas quais, exceto nas
rotas mais curtas, embarca na primeira classe ou na classe executiva.
"Pego avião, no mínimo, uma vez por semana", diz ele,
que calcula ter na bagagem 7 milhões de milhas percorridas
o equivalente a 1.466 idas de São Paulo a Nova York.
Está no quinto passaporte (os anteriores tinham quase 150
carimbos). Do número de viagens a negócios, perdeu
as contas. Para Gramado, cidade gaúcha que teve impulsionada
sua vocação turística após a atuação
da CVC, foram 200. Tem na ponta da língua os horários
de boa parte dos vôos nacionais, os melhores lugares de cada
aeronave e o menu servido nos aviões.
Luis Veiga
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Rodrigo Baleia
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| Os três destinos preferidos
de Paulus: Fernando de Noronha (à esq.) para descansar,
e Gramado (à dir.) e Porto Seguro (abaixo)
para ganhar dinheiro. "Fernando de Noronha é sensacional,
lá os celulares não têm sinal", diz
ele |
Divulgação
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Para o caso de um compromisso-relâmpago,
mantém no escritório uma mala com duas ou três
trocas de roupa escolhidas pela sua mulher, Luiza. Como poderoso
empresário do setor, viaja e se hospeda de cortesia, ou seja,
de graça. Nos hotéis, é tratado como rei. Também
não precisa nem falar uma segunda língua decentemente,
já que seus cinco assessores não desgrudam dele. "Eu
me viro com o portunhol e tenho um inglês vagabundo", admite.
Para relaxar, seu destino preferido é Fernando de Noronha,
onde esteve mais de trinta vezes. "É sensacional, lá
os celulares não têm sinal e eu fico apenas descansando",
diz. "Portugal é outro dos meus refúgios prediletos."
Em todos os casos, Paulus faz questão de embarcar com pacotes
da CVC para testar a qualidade. Uma vez por mês, sem se identificar,
monitora o Procon para saber como anda a imagem da operadora perante
o consumidor a CVC recebe uma média de dezessete reclamações
por mês.
"O Guilherme é perfeccionista,
trabalha mais do que qualquer um aqui", conta o vice-presidente,
amigo e braço-direito Valter Patriani, há 29 anos
na operadora. Nas raras horas vagas, gosta mesmo é de ficar
pescando no sítio da família, no interior de São
Paulo. Depois, adora comer os peixes com arroz e ovo frito, seu
prato preferido. "Meu pai é superfamília", diz o filho
administrador de empresas Gustavo, companheiro de Paulus nos jogos
do Corinthians. Esse lado caseiro ficou ainda mais aparente depois
de 2000. Ao mesmo tempo em que a CVC dominava o mercado, ele passava
por uma tragédia pessoal: a morte estúpida do filho
mais velho, Fábio, que tinha 23 anos, durante um assalto
na porta de casa, em São Bernardo do Campo. "Só ouvimos
o barulho dos tiros", afirma. "Ainda é um trauma enorme.
Continuo me referindo aos meus filhos no plural, até para
acreditar que o Fábio está por aí." Depois
do crime, a rotina da família mudou drasticamente. Luiza,
que trabalhava como diretora de RH da operadora, mal sai de casa.
Eles deixaram São Bernardo e se mudaram para um prédio
de alto padrão em outra cidade da região. A CVC, enquanto
isso, não parava de crescer. Com planos para montar uma companhia
aérea chamada Samba, Paulus prevê um aumento de 30%
no movimento de 2006. "Já tenho todo o conforto de que necessito,
mas de alguma forma quero melhorar o setor no país", diz.
"Não será a criminalidade que vai me impedir de traçar
vôos mais altos."
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Gigante das malas
1,1 milhão
de pessoas foram atendidas pela CVC de janeiro a outubro deste
ano. Metade delas, paulistana
1 200 reais
é o custo médio dos pacotes para 150 destinos
diferentes
4 400 dólares
é o valor do passeio mais caro (cruzeiro de 21 noites
de Santos à Argentina)
288 reais
é o valor da excursão rodoviária de três
dias para o Rio de Janeiro. Trata-se do pacote mais barato
1 semana
em Porto Seguro. Esse é o destino mais procurado pelos
clientes da CVC. Em 2004, a empresa mandou 85 000 pessoas
para a cidade baiana
136 lojas
da operadora atuam no país. Dessas, trinta ficam em
São Paulo
800
funcionários
17
reclamações em média por mês no
Procon
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O guia do bom viajante
Dez sugestões de
Guilherme Paulus para
quem está planejando embarcar neste verão
1. No avião,
escolha sempre que possível o assento do corredor na
primeira fileira. Dá para esticar as pernas e, no desembarque,
não é preciso ficar esperando para sair
2. Defina muito
bem o roteiro antes de chegar ao destino. De preferência,
até onde comer e fazer compras
3. Pesquise o máximo
possível sobre a região que vai visitar. Procure
guias de viagem e revistas especializadas. Peça dicas
a amigos que já foram para o local
4. Quando tiver
a hospedagem trocada (se no voucher constar um tipo de quarto,
mas o colocarem em outro), ligue imediatamente para a agência
de viagem. O turista não deve se instalar primeiro
e reclamar depois
5. Uma boa opção
de hospedagem são os flats e hotéis de negócios
de grandes redes. Eles geralmente oferecem serviços
a preços mais baixos
6. As passagens
aéreas costumam ser mais caras às sextas e aos
sábados. Quase todas as companhias vendem tíquetes
pela internet, o que também acaba barateando o programa
7. Sempre leve uma
troca de roupa e itens de higiene pessoal na bagagem de mão.
Pode ser importantíssimo no caso de extravio de malas
8. Carregue pouca
bagagem para não ficar dependendo de táxis
9. Tente não
fazer câmbio no exterior, pois no fim das contas você
pode acabar perdendo na conversão. É melhor
usar o cartão de crédito
10. Aproveite as
conexões aéreas. Companhias americanas, por
exemplo, incluem extensões sem acréscimo na
passagem
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