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EXPOSIÇÃO
Rabiscos geniais A inconfundível arte de Joan Miró
numa seleção de 178 gravuras Orlando Margarido
Divulgação/CCBB
 | Uccessió
Miró/Adagp Courtesy Galerie Lelong
 | | Miró
no ateliê e uma de suas obras: "Até as crianças podem entender"
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O espanhol Joan Miró (1893-1983) orgulhava-se
de realizar uma obra compreendida por todos. Um dos nomes mais influentes da arte
do século XX, ao lado do francês Henri Matisse e do também
espanhol Pablo Picasso, ele dizia que pintava para uma criança entender.
Nas suas figuras estilizadas e disformes, que mais parecem rabiscos, seria possível
reconhecer um camponês (por este portar um chapéu ou uma faca) ou
um cantor de rua (pela sugestão de notas musicais, como no desenho desta
página). A partir de quinta (8), o Instituto Tomie Ohtake expõe
uma seleção de 178 gravuras e 28 pôsteres desse modernista
que utilizou na maior parte de sua produção apenas quatro cores
além do preto: vermelho, azul, verde e amarelo, criando assim uma marca
própria. Desde 1996, quando o Museu de Arte
Moderna exibiu uma retrospectiva de sua obra, não se via um lote tão
significativo na cidade. O legado gráfico de Miró é extenso
e nada deixa a dever a sua criatividade nas telas, desenhos ou esculturas. Para
se ter uma idéia, das 11.000 peças do acervo da Fundação
Joan Miró, em Barcelona, onde ele nasceu, 2.000 são gravuras. "Era
uma de suas grandes paixões, junto com a pintura", diz o crítico
e curador da exposição Fábio Magalhães. "Tanto em
uma como em outra há vida e tudo se movimenta." Esse estilo frenético
e alegre garantiria, inclusive, sua independência em relação
ao surrealismo, movimento iniciado em 1924 e do qual era simpatizante.
O lote que chega a São Paulo, vindo da galeria parisiense Lelong, reflete
outra peculiaridade. Todos os trabalhos datam das duas últimas décadas
de sua vida, período em que geralmente mesmo os grandes mestres se tornam
repetitivos ou aposentam os pincéis. Ele, ao contrário, continuou
prolífico e cheio de imaginação com seus traços infantis.
Foi essa coerência que fez o poeta pernambucano João Cabral de Melo
Neto declarar certa vez, quando servia como diplomata em Barcelona, que Miró
era o mais inimitável dos artistas. Amigos, eles editaram a quatro mãos
um livro de poemas ilustrado por xilogravuras, uma raridade de 1950 também
presente na mostra. Mirabolante Miró.
Instituto Tomie Ohtake. Rua dos Coropés, 88, Pinheiros,
2245-1900. Terça a domingo, 11h às 20h. Grátis. Até
6 de fevereiro de 2006. A partir de quinta (8). |