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7 de dezembro de 2005
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EXPOSIÇÃO

Rabiscos geniais

A inconfundível arte de Joan Miró
numa seleção de 178 gravuras

Orlando Margarido

 
Divulgação/CCBB
Uccessió Miró/Adagp ­ Courtesy Galerie Lelong
Miró no ateliê e uma de suas obras: "Até as crianças podem entender"


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O espanhol Joan Miró (1893-1983) orgulhava-se de realizar uma obra compreendida por todos. Um dos nomes mais influentes da arte do século XX, ao lado do francês Henri Matisse e do também espanhol Pablo Picasso, ele dizia que pintava para uma criança entender. Nas suas figuras estilizadas e disformes, que mais parecem rabiscos, seria possível reconhecer um camponês (por este portar um chapéu ou uma faca) ou um cantor de rua (pela sugestão de notas musicais, como no desenho desta página). A partir de quinta (8), o Instituto Tomie Ohtake expõe uma seleção de 178 gravuras e 28 pôsteres desse modernista que utilizou na maior parte de sua produção apenas quatro cores além do preto: vermelho, azul, verde e amarelo, criando assim uma marca própria.

Desde 1996, quando o Museu de Arte Moderna exibiu uma retrospectiva de sua obra, não se via um lote tão significativo na cidade. O legado gráfico de Miró é extenso e nada deixa a dever a sua criatividade nas telas, desenhos ou esculturas. Para se ter uma idéia, das 11.000 peças do acervo da Fundação Joan Miró, em Barcelona, onde ele nasceu, 2.000 são gravuras. "Era uma de suas grandes paixões, junto com a pintura", diz o crítico e curador da exposição Fábio Magalhães. "Tanto em uma como em outra há vida e tudo se movimenta." Esse estilo frenético e alegre garantiria, inclusive, sua independência em relação ao surrealismo, movimento iniciado em 1924 e do qual era simpatizante.

O lote que chega a São Paulo, vindo da galeria parisiense Lelong, reflete outra peculiaridade. Todos os trabalhos datam das duas últimas décadas de sua vida, período em que geralmente mesmo os grandes mestres se tornam repetitivos ou aposentam os pincéis. Ele, ao contrário, continuou prolífico e cheio de imaginação com seus traços infantis. Foi essa coerência que fez o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto declarar certa vez, quando servia como diplomata em Barcelona, que Miró era o mais inimitável dos artistas. Amigos, eles editaram a quatro mãos um livro de poemas ilustrado por xilogravuras, uma raridade de 1950 também presente na mostra.

Mirabolante Miró. Instituto Tomie Ohtake. Rua dos Coropés, 88, Pinheiros, 2245-1900. Terça a domingo, 11h às 20h. Grátis. Até 6 de fevereiro de 2006. A partir de quinta (8).

     
   
 
 
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