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7 de setembro de 2005
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HISTÓRIA

Nos passos do imperador

O caminho de dom Pedro I
por São Paulo em 1822, antes
da independência

Lúcia Monteiro

 
Aquarela de Jean-Baptiste Debret/Coleção Aluizio Rebelo de Araujo
Pátio do Colégio: o Palácio dos Governadores (à esq.), que serviu de hospedaria, e a igreja, só reconstruída nos anos 70


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Proclamação da Independência
Baixe o mapa de São Paulo de 1822
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Sábado, 7 de setembro de 1822, 9 da noite. Quatro horas depois de rasgar a carta da corte de Lisboa que exigia seu imediato retorno a Portugal e de afirmar que o Brasil se tornara independente, dom Pedro I – que ainda era apenas dom Pedro – foi ao teatro. O lugar ficava bem em frente ao Palácio dos Governadores, na região do Pátio do Colégio, onde estava hospedado. Sem nenhum luxo, a construção condizia com a rusticidade de São Paulo, onde viviam cerca de 20.000 habitantes. Naquela noite, a Companhia Zachelli encenava O Convidado de Pedra, de Molière. Apesar da fama da trupe, não era por causa dos atores que os 350 lugares da platéia e os 28 camarotes estavam ocupados. O toque de clarim havia anunciado a presença do imperador, então com 23 anos, ovacionado ao aparecer no camarote real com uma fita verde-e-amarela, antes do início do espetáculo. Em seguida, o maestro regeu os primeiros acordes do Hino da Independência, composto pelo próprio dom Pedro I. A proclamação da independência (com aquele famoso grito dado às margens plácidas do Ipiranga) só foi anunciada no domingo, 8 de setembro. Afixado nos lugares públicos de São Paulo, o texto levava a seguinte assinatura: "Príncipe Regente". Na segunda-feira, a comitiva real retornou ao Rio de Janeiro, a capital do novo Império.

 

Aquarela de Edmund Pink/Acervo Bovespa
Residência da família da marquesa de Santos, onde dom Pedro I passou na volta do litoral: troca de acenos

É possível, com a ajuda de documentos e relatos de testemunhas, refazer todo o percurso de dom Pedro I desde sua chegada a São Paulo, em 25 de agosto, até o momento descrito no parágrafo acima. Historiador do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), Luís Soares de Camargo pesquisou o assunto para elaborar um roteiro (veja mapa). As informações reunidas por Camargo sobre os acontecimentos ocorridos há exatamente 183 anos indicam, por exemplo, que a viagem entre o Rio e São Paulo, com várias paradas, levou doze dias. Que no dia 24, antes de entrar na cidade, pernoitou no local em que hoje fica o bairro da Penha. E que o primeiro ponto avistado em São Paulo foi a Ladeira do Carmo, atual Avenida Rangel Pestana.

Aquarela de Jean-Baptiste Debret/Coleção Aluizio Rebelo de Araujo
A Ladeira do Carmo, atual Avenida Rangel Pestana, em imagem de 1827: primeiro ponto da cidade avistado pela comitiva real ao chegar do Rio de Janeiro

Na manhã do dia 5 de setembro, a comitiva real galopou para Santos, onde o até ali príncipe visitaria a família do amigo José Bonifácio de Andrada e Silva. No caminho de volta, 48 horas mais tarde, passou pela residência de Domitila de Castro Canto e Melo, que depois se tornaria a marquesa de Santos, e os dois trocaram acenos. Algumas pessoas acreditam que esse teria sido o primeiro encontro dos dois. "É uma versão que não se sustenta", diz Camargo. "No dia 29 de agosto, o major Francisco de Castro Canto e Melo, irmão da marquesa e membro da comitiva real, havia levado dom Pedro I para visitar a chácara da família." E, aí sim, os futuros amantes teriam se visto pela primeira vez.

 

Marc Ferrez/Instituto Moreira Salles
O Largo da Sé, em imagem de 1880: na antiga Matriz, dom Pedro I assistiu a uma missa solene

Outra história famosa é a do mal-estar do futuro imperador momentos antes da independência. O relato do barão de Pindamonhangaba, comandante da guarda de honra, não deixa dúvida: "Já havíamos subido a serra quando dom Pedro se queixou de ligeiras cólicas intestinais, precisando por isso apear-se para empregar os meios naturais de aliviar seus sofrimentos. Observou-nos então que melhor seria a guarda seguir adiante e esperá-lo na entrada de São Paulo", escreveu. Foi ali que o alcançou a carta enviada pela corte de Lisboa, bem como mensagens de dom João VI, seu pai, da princesa Leopoldina, sua mulher, de Chamberlain, seu agente secreto, e de José Bonifácio. Ao lê-las, percebeu que tinha duas opções: entregar-se a Portugal ou proclamar a independência. O desfecho todos nós aprendemos na escola.

     
 

 

   
 
 
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