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7 de setembro de 2005
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CULTURA

Galpão das artes

Teatro Municipal ganha central de
produção de figurinos e cenários

Nana Caetano

 

Fotos Daniela Toviansky
Últimos retoques para Os Pescadores de Pérolas: trajes
feitos em casa


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Na confecção dos trajes da protagonista de uma ópera são usados tecidos finos, bordados e uma infinidade de acabamentos e acessórios, exatamente como se fosse um vestido de festa. Não raro, uma indumentária chega a custar 2.000 reais. Como em cada montagem os protagonistas usam em média dez roupas e há outros 100 figurantes, 50% do orçamento é gasto apenas em cenário e figurino. Para baratear esses custos, a direção do Teatro Municipal decidiu criar uma central de produção, que funciona desde o início de agosto em um galpão de 2.700 metros quadrados na Vila Guilherme, na Zona Norte. O primeiro espetáculo saído de lá – em cartaz nesta semana – é Os Pescadores de Pérolas, de Georges Bizet, com história passada no Ceilão (atual Sri Lanka). "Em vez de gastarmos os habituais 800.000 reais, desembolsamos 420.000", afirma Jamil Maluf, maestro e diretor artístico do teatro.

 

O novo espaço servirá para armazenar materiais...

...e facilitar o trabalho de artesãos: economia de 50%

A economia se dá porque, antes, era necessário alugar espaços espalhados pela cidade e contratar pessoal especializado para apenas um trabalho. Nos moldes dos galpões das escolas de samba, o Teatro Municipal tem agora uma equipe permanente de costureiras, cenógrafos e técnicos. "Essas pessoas funcionam como professores para os funcionários do teatro", diz Naum Alves de Souza, que acumula as funções de diretor, cenógrafo e figurinista de Os Pescadores de Pérolas. "Todo teatro grande no mundo tem uma central como essa", explica. Além do barateamento de custos, a Central de Produção Chico Giacchieri (o nome é uma homenagem a um cenotécnico do Municipal morto em 1985) traz outro benefício: a conservação de todo o acervo do teatro. Sem o galpão, roupas de espetáculos mofavam em caixas e objetos cênicos apodreciam em locais sem estrutura.

"Muitos dos cenários antigos acabaram sendo perdidos por causa de goteiras, por exemplo", conta Jamil Maluf. Com a reorganização, foram recuperados milhares de trajes e cenários de vinte óperas. "O número seria pelo menos quatro vezes maior caso contássemos com esse espaço desde a fundação do Municipal", diz. Entre os achados estão figurinos criados pelo costureiro Dener na década de 1970 para as óperas Lakmé, de Léo Delibes, e La Bohème, de Giacomo Puccini. Eles ficarão expostos até outubro no salão nobre do teatro (veja quadro). A produção do Municipal irá servir também para fomentar apresentações em outras cidades, por meio de empréstimos e aluguéis de roupas e cenários.

 

Alta-costura nos palcos

 

Fotos Renata Ursaia
Em exposição: criações do estilista Dener

Na entrada do salão, chama atenção um belo vestido inspirado em um sári indiano. Amarelo-ouro com detalhes e bordados em dourado, o tecido forma uma cauda que pousa sobre um dos braços do manequim. O caimento é perfeito. Mais adiante estão trajes típicos ingleses do século XIX, grandes caftãs masculinos, saiotes e crochês. Quando criou figurinos para as óperas Lakmé e La Bohème, o estilista Dener Pamplona de Abreu (1936-1978) não esqueceu os detalhes que fizeram seu trabalho ser reconhecido como um dos mais importantes da história da moda brasileira. Vistos somente durante as apresentações, eles ficarão expostos até outubro no salão nobre do Teatro Municipal (e poderão ser admirados por todos os que assistirem aos espetáculos). A reunião das peças foi possível graças à catalogação do acervo por especialistas da USP após a abertura da central de produção do teatro. "Cada caixa aberta escondia surpresas e preciosidades", afirma o professor Fausto Viana, especialista em história da indumentária teatral. O trabalho de recuperação e organização das peças deve durar um ano e envolve 72 voluntários e quatro bolsistas. Até o fim do ano, estão prometidas mais três exposições como a atual.

 

Vestido inspirado em sáris indianos e bata masculina (à esq.): tecidos nobres para a ópera Lakmé

     
   
 
 
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