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CIDADE Bares
na mira Programa da prefeitura que combate a poluição
sonora fechou 358 casas em quatro meses Rodrigo Brancatelli Marcelo
Barabani
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Lounge: porta lacrada e multas de 100 000 reais |
A antropóloga
Rita Amaral diz que já ficou mais de 48 horas seguidas sem pregar o olho
por causa da música estridente que toca de domingo a domingo em frente
ao seu apartamento. "Nos fins de semana, é pagode e axé desde as
16 horas", conta. "Nos outros dias, sou obrigada a ouvir tecno e dance music.
É insuportável." Rita mora bem no meio do burburinho da Vila Olímpia,
entre bares e danceterias sempre lotados de jovens. Durante a noite, já
passou horas pendurada ao telefone procurando algum órgão público
capaz de acabar com o barulho. Suas queixas vêm surtindo efeito. Nos últimos
quatro meses, as casas Ébano e Liquid Lounge, das quais é vizinha,
foram autuadas em três ocasiões por técnicos do Programa de
Silêncio Urbano (Psiu). As multas ultrapassam 100.000 reais. Em uma vistoria
realizada em 25 de agosto, a Liquid Lounge foi fechada por continuar a emitir
ruídos acima do permitido pela legislação (veja
quadro). Essa situação se
repete em vários cantos de São Paulo. Desde maio, 358 bares foram
fechados por descumprir as leis (112 permaneciam lacrados na semana passada).
A ofensiva contra os infratores faz parte da nova postura do Psiu, órgão
da prefeitura criado em 1994 para combater a poluição sonora. Até
o ano passado, o Psiu vistoriava cerca de 700 estabelecimentos comerciais por
mês e autuava menos de um terço deles. Atualmente, mais de 1.300
lugares são visitados a cada mês pelos fiscais e 93% recebem multas
ou são obrigados a fechar as portas até regularizar sua situação.
E não são só as casas noturnas que estão na mira.
Igrejas, oficinas, padarias, festas de faculdade, shoppings e a fonte multimídia
do Parque do Ibirapuera já receberam notificações. "Barulho
não tem hora nem lugar", afirma o major da reserva da PM Moacir Rosado,
coordenador do Psiu. "Os limites de poluição sonora precisam ser
respeitados, seja de manhã, seja de noite."
Para reestruturar o programa, o major Rosado implantou uma estratégia militar.
As operações agora são feitas sempre com base em denúncias
e decididas em cima da hora os agentes vistores só recebem sua missão
perto da meia-noite, lacrada, para evitar o vazamento de informações.
Escoltados pela Guarda Civil Metropolitana, fiscais rondam São Paulo de
madrugada munidos com um medidor de decibéis e um talão de multas.
"Acho que o Psiu está corretíssimo em fiscalizar", diz o empresário
Pedro Yashima, sócio da Liquid Lounge. "Os bares precisam cumprir as regras.
Mas elas são muito rígidas. Uma conversa mais alta já é
motivo para a prefeitura multar." Ainda assim, os vizinhos agradecem.

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