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7 de janeiro de 2004
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LAZER

Lição radical

Divertidas e cheias de adrenalina,
aulas de wakeboard movimentam
a Guarapiranga

Erika Sallum

 
Fotos Mario Rodrigues
O instrutor Marito faz manobras na represa: marolas emocionantes e uma técnica que pode ser aprendida em poucas horas

Em dias sem ondas, surfistas dos Estados Unidos começaram a matar o tempo brincando de ser rebocados por lanchas. Em cima das pranchas e ligados ao barco por uma corda, divertiam-se com as marolas provocadas pelo motor. Surgiu daí um dos esportes radicais mais badalados dos últimos tempos: o wakeboard (wake significa marola em inglês, e board é prancha). Com movimentos inspirados no esqui aquático, no snowboard (uma espécie de surfe na neve) e no skate, a modalidade chegou ao Brasil nos anos 90 e já é praticada por cerca de 40.000 pessoas no país – entre elas, figuras conhecidas como o apresentador Luciano Huck.

Bem menos complicado que a maioria dos esportes de ação, que quase sempre exigem alto preparo físico e uma bela dose de coragem, o bê-á-bá do wakeboard pode ser aprendido em poucas aulas. Em São Paulo, os cursos geralmente acontecem na Represa de Guarapiranga. "Para quem anda de skate, por exemplo, ou tem bom equilíbrio, em quinze minutos é possível ficar em pé sobre a prancha", afirma o instrutor Mario Manzoli, o Marito, dono da escola e loja de equipamentos Wake na Veia. "Quem tem medo ou é mais ansioso, em uma hora pode se soltar e já entrar na brincadeira com as ondas." Dono de uma lancha na Guarapiranga, o comerciante Franklin Buttler começou a ter aulas em agosto. Acostumado ao slalom (tipo de esqui aquático), não sentiu grandes dificuldades para pegar logo de início os passos básicos. "Tomei gosto e hoje faço duas aulas por semana", diz ele, que ainda arrastou a mulher para praticar a seu lado.

Com duração de uma hora (a 120 reais, em média), as aulas acontecem com o iniciante dentro da água e o professor dando orientações enquanto dirige a lancha. Dali, ele provoca as marolas ideais para cada tipo de manobra. No wakeboard, há mais de 150 dessas manobras, divididas em três grupos: os grabs (ou pegadas na prancha), as rotações (em que o atleta dá uma série de voltas em torno de si mesmo) e os invertidos (ou saltos). "O barato é misturar grabs com giros de 180 graus, por exemplo, e depois acrescentar invertidos bem loucos", conta o instrutor Dedé Figueiredo, dono da escola 2D. Como toda modalidade radical, o wakeboard apresenta riscos, pois as quedas ocorrem em velocidades que ultrapassam 35 quilômetros por hora. São comuns luxações entre os praticantes, principalmente nos joelhos. "Todo mundo cai, mas, tomando os devidos cuidados, está longe de ser um esporte perigoso", explica Figueiredo.

Praticar o wakeboard sai caro. A prancha nacional custa cerca de 600 reais. As botas, de espuma, 550 reais. É preciso acrescentar mais 100 reais pelo manete com corda e outros 300 reais pelo colete salva-vidas, item obrigatório. Equipamento opcional, a roupa de neoprene sai, em média, por 350 reais. Para os aficionados, os gastos compensam porque o wakeboard, garantem, é diversão garantida. Até fevereiro, a Wake na Veia vai dar aulas no Guarujá e, junto com a 2D, promove clínicas (com aulas intensivas durante toda a semana) na Represa de Igaratá, a 92 quilômetros da capital.

 

KIT BÁSICO

 
Manete com corda:
100 reais
Botas de espuma:
550 reais
Prancha de fibra de vidro: 600 reais

 

Onde aprender wakeboard

Wake na Veia 5506-5860 e www.wakenaveia.com.br.
2D 5094-1992 ou 9659-2590 e www.2d.com.br.
Associação Brasileira de Wakeboard 5505-8999 e www.abw.com.br.

 

         
     
 
 
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