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DIVERTIMENTO
Seguuuura o peão!
Eles têm curso superior, média
de 30 anos, são nerds assumidos
e... viciados em jogos de tabuleiro
Edison Veiga
Fotos Daniela Toviansky
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| Até o amanhecer: festa reuniu 200 fãs de jogos
no Jabaquara |
No apartamento de 80 metros quadrados
em que mora, no Butantã, o físico Fabio Tola reserva
um quarto só para guardar seus 397 jogos de tabuleiro, na
maioria importados. "Compro dois ou três por mês", conta
ele, que calcula já ter gasto 8 000 dólares com a
coleção. Tola passa 25 horas por semana queimando
neurônios para vencer sua mulher, Lucimara, também
fã de tabuleiros, ou amigos. "Em média, levamos duas
horas em cada partida." O físico engrossou a lista dos 200
participantes da 15ª Festa do Peão de Tabuleiro, no
restaurante Aneto, no Jabaquara. O evento começou às
15 horas de sábado e durou até a manhã seguinte.
Nerds assumidos (eles não se incomodam com o apelido), os
apaixonados por jogos de tabuleiro estão na faixa dos 30
anos. Boa parte é de profissionais liberais, com curso superior
principalmente na área de ciências exatas. As
poucas mulheres, cerca de 20% dos freqüentadores da festa,
não se sentem intimidadas. "Sempre fui meio moleca", diz
a analista de sistemas Érica Briones Graciano. "Já
estou acostumada a gostar de brincadeiras de meninos, e ser minoria
não me incomoda."
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| O físico Fabio Tola e sua coleção de 397 jogos:
25 horas por semana empenhado nas partidas |
Esqueça os manjados War,
Banco Imobiliário, Diplomacia, Combate... Essa turma é
obcecada pelos chamados jogos modernos, que dependem muito mais
de estratégia do que de sorte. Têm poucas e claras
regras, que fazem com que os participantes interajam bastante. Da
Alemanha, vêm os mais prestigiados, como Thurn and Taxis,
Wallenstein e Tikal. "Meu preferido é o Tikal, cujo objetivo
é conquistar riquezas arqueológicas", diz Ricardo
Christe Homsi, gerente de uma produtora de internet. "Inexiste o
fator sorte, já que não usamos dados."
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| A analista de sistemas Érica: "Ser minoria
não me incomoda" |
O maior sucesso no mercado brasileiro
continua sendo o Banco Imobiliário, criado em 1933 pelo americano
Charles Darrow. Vende 80 000 unidades por ano. "O Brasil, diferentemente
de países europeus, não tem um longo e rígido
inverno que obrigue as pessoas a ficar mais tempo em casa", explica
Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela. "Como a procura
não é tão grande, lançamos apenas de
dois a quatro jogos desse gênero por ano." Em versão
nacional, um jogo de tabuleiro moderno sai por cerca de 45 reais
títulos estrangeiros custam 25 dólares, em
média.
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| Halaban e Zatz: os amigos fizeram do hobby
um negócio |
Vencer uma partida, óbvio,
é a meta de todo jogador. Mas criar um jogo e conseguir comercializá-lo
é o sonho da maioria desses aficionados. O jornalista André
Zatz e o engenheiro mecânico Sergio Halaban chegaram mais
do que lá. Em fevereiro, uma marca alemã lançou
o Jogo da Fronteira, invenção da dupla. Ganha quem
consegue passar com mais mercadorias por uma fronteira. Após
o sucesso estrangeiro, a Estrela decidiu apostar no produto. Desde
maio, 30 000 unidades estão à venda em lojas do país.
"É um privilégio conseguir espaço na preferência
do exigente consumidor de jogos de tabuleiro", afirma Zatz. Uma
jogada digna de Wolfgang Kramer. Nunca ouviu falar? "Trata-se do
decano dos autores modernos alemães. Inventou mais de 100
jogos."
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Sem cartas marcadas
Os jogos de tabuleiro
modernos são baseados na estratégia.
Dependem minimamente da sorte, têm poucas regras
e propiciam bastante interação. Alguns
exemplos:
THURN AND TAXIS
Os participantes devem instalar postos de correio em cidades
alemãs. O jogo foi premiado com o Spiel des Jahres
2006, o Oscar dos games
GENIAL
Espécie de dominó com peças hexagonais
coloridas. O objetivo é montar grupos da mesma cor
JOGO DA FRONTEIRA
Vence quem consegue passar com suas mercadorias pela fronteira
TICKET TO RIDE
No jogo, ambientado no século XIX, os participantes
têm de construir ferrovias ligando as principais cidades
americanas
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