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COMPORTAMENTO
Mochileiros do bem Jovens paulistanos viajam pelo
mundo para se dedicar a trabalhos voluntários em orfanatos, hospitais
e zoológicos
Fernando
Moraes
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ator Joaquim Lino: um ano na Inglaterra ajudando a cuidar de adultos com autismo
e síndrome de Down |
Passar
uma temporada no exterior é o sonho de muitos jovens de classe média,
seja para ganhar fluência numa língua estrangeira, seja para conhecer
a cultura de outro país. Não à toa, os programas de intercâmbio
sempre foram sucesso por aqui. Estima-se que em 2005 cerca de 12 000 brasileiros
entre 12 e 35 anos tenham feito cursos de idiomas, principalmente nos Estados
Unidos, no Canadá e na Austrália. Normalmente, quem paga pelo intercâmbio
são os pais, e os estudantes ficam hospedados em residências de casais
com filhos da mesma idade que a deles. Esse tipo de programa, entretanto, é
convencional demais para uma turma mais aventureira. São os mochileiros
do bem. Eles viajam para a Índia, a África do Sul e outros países
para cuidar de crianças carentes, adultos doentes ou animais maltratados.
Uma coisa meio príncipe William, o filho mais velho da princesa Diana,
que já foi fotografado limpando latrinas (voluntariamente, claro) num vilarejo
na Patagônia chilena. Aliás, na Inglaterra é bastante comum
o chamado gap year, um ano que muitos estudantes dedicam a um trabalho
comunitário antes de entrar na universidade.
O ator Joaquim Bittencourt Lino, de 25 anos, queria uma experiência que
o "transformasse de verdade". Há cinco anos, enviou cartas a dezoito entidades
britânicas se oferecendo como voluntário. Cinco delas responderam
e ele escolheu uma em Devon, cidade com 700 000 habitantes. Durante doze meses,
Lino ajudou adultos com diversos tipos de deficiência, como autismo e síndrome
de Down. "Aprendi a ser tolerante, a ter menos preconceito e a me conhecer melhor",
diz. Lino tinha casa, comida e roupa lavada. Arcou apenas com o valor da passagem.
Como ajuda de custo, recebia o equivalente a 406 reais por mês.
Segundo três das principais empresas brasileiras que dispõem de programas
para encaminhar voluntários ao exterior a Aiesec, a AFS Intercultura
Brasil e a Experimento (veja quadro) , cerca
de setenta pessoas se inscrevem neles todo ano. "Em geral, são jovens com
inglês fluente que querem entender melhor as diferenças culturais
entre os países e estão interessados em contribuir com suas ações",
conta Morgana Martins Krieger, coordenadora da Aiesec. As duas primeiras empresas
não têm fins lucrativos, mas o participante precisa comprar a própria
passagem. Na Experimento, é necessário pagar uma taxa que varia
conforme o país e a duração do programa. Uma estada de sete
semanas na Índia, por exemplo, custa em média 1 600 dólares,
o que inclui gastos com acomodação, alimentação e
transporte local.
Arquivo
pessoal
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estudante Vanessa, seis meses num zoológico da África do Sul: adaptação
difícil no começo |
A
estudante de jornalismo Vanessa Vascouto, de 22 anos, ficou seis meses na África
do Sul como voluntária em um zoológico em Durban. Ela trabalhou
em um centro de reabilitação de animais doentes. Cuidava de pássaros,
macacos e outros animais. "Morei com uma família africana e no começo
tive muita dificuldade de adaptação", relata. "Ajudava na compra
do sabão em pó e da gasolina, produtos muito caros por lá."
Nos dias de folga, conheceu praias belíssimas na Cidade do Cabo. Também
aprendeu um pouco de zulu. "Kunjani", ou seja, tudo bem, foi a primeira palavra
que falou.
Fernando
Moraes
 | | A
administradora Maria Júlia: visitas semanais a crianças com câncer
em hospitais da Índia |
Maria
Júlia Teixeira Pinto, de 26 anos, viajou assim que terminou a faculdade
de administração, em 2004. Ela foi voluntária em Chandigarh,
no norte da Índia. Semanalmente, Maria Júlia realizava visitas a
hospitais que tratam de crianças com câncer. "Eu já havia
feito intercâmbio duas vezes e queria conhecer outro tipo de realidade",
diz ela, referindo-se às viagens para os Estados Unidos e a Inglaterra.
Hoje, Maria Júlia ganha a vida dando aulas de inglês. "Foi uma experiência
fantástica. Aprendi muitas coisas, mas principalmente a valorizar o que
tenho."
Quem
leva Algumas empresas de turismo que ajudam a escolher
um trabalho voluntário em ONGs fora do país AFS
Intercultura Essa empresa oferece convênio com instituições
de 32 países, entre eles Islândia, Egito, China, Canadá, Austrália
e Estados Unidos. O estudante só tem gastos com a passagem aérea.
A hospedagem e a alimentação são custeadas pelas instituições
onde o voluntário vai atuar. O indicado é mandar ficha de inscrição
pelo site (www.afs.org.br)
ou via e-mail (infobrasil@afs.org.br);
(21)
2224-4464 Aiesec São noventa possibilidades
de destino, entre elas países como Índia, Colômbia, Nigéria,
México, Holanda e Polônia. O estudante também só tem
gastos com a passagem aérea. A empresa atende em dois escritórios
na cidade. Um na Fundação Getulio Vargas (Avenida Nove de Julho,
2029, 7º andar,
3281-7868) e o outro no campus da USP (Avenida Professor Luciano Gualberto, 908,
FEA-5, sala 203,
3091-6047); www.aiesec.org.br
Experimento O preço varia conforme
o país de destino e a duração do programa. Passar quatro
semanas cuidando de crianças com câncer na Turquia, por exemplo,
custa 1 525 dólares, fora a passagem aérea, mas incluindo alimentação
e hospedagem. Para ficar um ano em Gana, com os mesmos benefícios, pagam-se
3 650 dólares. O escritório fica na Rua Doutor Mário Ferraz,
339, Itaim Bibi,
3707-7122; www.experimento.org.br
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