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6 de agosto de 2003
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NOITE

Com jeito de vila

Novos bares atraem gente jovem
e descolada
para os sobradinhos
antigos da Pompéia

Alessandro Duarte

 
Fotos Heudes Regis
O quintal cheio de árvores da Casa do Espeto: em dias quentes, saem da churrasqueira 1 500 petiscos

Apesar de estar a poucos quilômetros do centro da cidade e ter vizinhos bem mais agitados, como Perdizes e Vila Madalena, a Vila Pompéia, na Zona Oeste, sempre foi conhecida por sua relativa tranqüilidade. À noite, esse sossego era ainda maior, já que o bairro nunca contou – salvo raras exceções – com opções de bares e restaurantes capazes de atrair os moradores. Essa situação começou a mudar há três anos, quando uma série de botecos tomou conta de imóveis antes residenciais. Surgiram aí o Pompéia, o O'Bar e o Botequim, que passaram a concorrer com o tradicional Pé pra Fora. Agora, o número de opções aumentou sensivelmente. Pelo menos uma dezena de estabelecimentos abriu de lá para cá. Todos com perfil semelhante. Ocupam casas térreas ou sobradinhos construídos em meados do século passado, têm ar despojado e as inevitáveis mesinhas na calçada. São bem parecidos com o que se vê na Vila Madalena, por sinal.


Dos mesmos donos do Dona Felicidade, o Tiro Liro atrai pelo chope bem tirado: happy hour sem congestionamentos



Rogério Albuquerque
Além das paredes de tijolinho à vista, um dos charmes do Olivo é o mezanino: imóveis dos anos 50


"A região vem recebendo uma série de lançamentos imobiliários", explica Francisco Castro Neves, diretor de projetos da consultoria de geomarketing Escopo. "Esses prédios atraem gente jovem e uma oferta maior de serviços e diversão." Entre as novidades, as mais badaladas são Tiro Liro, Olivo, A Lapinha, Vilassol, Ley Seca e a recém-inaugurada Casa do Espeto. Essa última serve como exemplo do potencial do bairro. Em um imóvel de 150 metros quadrados incrustado em um terreno três vezes maior, dois casais de amigos resolveram investir numa fórmula inusitada: servem exclusivamente espetinhos, como aqueles que se preparam em um churrasco entre amigos. Há os de carne, lingüiça, frango e queijo coalho, entre outros. Os clientes pagam apenas o que consumirem. Não raro, o amplo quintal fica lotado, e em dias mais quentes os proprietários chegam a fazer 1.500 petiscos. "Em poucos lugares da cidade encontraríamos um imóvel que servisse tão perfeitamente para nossas intenções", afirma Roberto Arboleda, um dos sócios. O público é formado basicamente por gente da redondeza, que não suporta os congestionamentos nem as filas para deixar o carro com manobristas de outros cantos. "O bairro é um prato cheio para quem quer sair à noite mas é um pouco avesso à badalação", diz o professor de gastronomia Paulo Ferreti. Resta saber se, com tantas novidades, essa tranqüilidade não está com os dias contados.

 
Heudes Regis
A Lapinha surpreende pela boa variedade de pratos e caipirinhas: mesas trazem citações a botecos tradicionais e novidades badaladas

 

Casa do Espeto, Rua Cotoxó, 582, 3676-0436.
A Lapinha, Rua Coriolano, 336, 3672-7191.
Ley Seca, Rua Diana, 613, 3868-4270.
Olivo, Rua Tucuna, 381, 3872-8880.
Tiro Liro, Rua Cotoxó, 1185, 3868-3551.
Vilassol, Rua Miranda de Azevedo, 351, 3672-3061.

         
     
 
 
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