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6 de agosto de 2003
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CIDADE

Reprovadas no
teste de qualidade

Veja São Paulo conferiu os serviços
de seis
áreas públicas de lazer. Só
duas passaram com
louvor na maioria
dos quesitos avaliados

Marcella Centofanti

 
Roberto Loffel
O maior da América Latina: 1,6 milhão de visitantes por ano e promessa de melhorias para o segundo semestre
Fotos Mario Rodrigues
Bilheteria: só metade dos guichês Formigueiro: senha fornecida de hora em hora


Há duas semanas, numa manhã de terça-feira, a professora de inglês Claudia Guedes resolveu aproveitar um de seus últimos dias de férias para cumprir a promessa que havia feito à filha Thalita, de 9 anos, e à sobrinha Thaís, de 10: um passeio ao Zoológico. A última visita ao local tinha sido feita sete anos antes, quando as meninas eram muito pequenas. As três saíram de Santana com a intenção de passar o dia todo no parque. Chegaram às 9h30 e, logo, tiveram a primeira decepção. "A bilheteria estava imunda, cheia de papéis. E o parque havia acabado de abrir", lembra Claudia. Uma hora depois, no banheiro, a segunda surpresa desagradável. Após enfrentar dez minutos de fila, encontraram o chão da cabine ensopado de urina, uma porta que não fechava direito e um vaso sanitário sem tampa. A gota d'água foi o almoço. As três tiveram de atravessar o parque, que tem 4 quilômetros de extensão em ruas, para chegar à única lanchonete. Lá, Claudia provou um espeto e achou que a carne estava passada. Decidiram ir embora, deixando o passeio pela metade. "Os animais são superbem tratados, mas os visitantes, infelizmente, não", queixa-se.

 
Fotos Mario Rodrigues
Perigo no playground: buraco com 1,5 metro de profundidade Achaque: quem não consegue vaga dentro do parque fica na mão de flanelinhas


O Zoológico deveria ser um orgulho para a cidade. Com cerca de 3.200 animais, de 444 espécies, é considerado o maior da América Latina. Por ano, 1,6 milhão de pessoas passam por lá. O número poderia ser maior se o serviço não derrapasse tanto. "Temos consciência de nossas deficiências", admite João Batista da Cruz, diretor administrativo do Zoológico. Segundo ele, alguns problemas devem ser resolvidos neste ano. Está em andamento uma licitação para aumentar a quantidade de lanchonetes, além de um pedido de construção de uma estação de tratamento de água, que dará novo aspecto ao lago. A manutenção e a limpeza do parque devem melhorar com a contratação de 160 funcionários, no próximo semestre.

 
Mario Rodrigues
Teste de paciência: na saída, até cinqüenta minutos de espera pelo carro


Outros três espaços públicos de lazer da cidade não foram aprovados no teste de qualidade realizado por Veja São Paulo. O Parque do Ibirapuera ficou abaixo da média em quatro dos seis itens avaliados. O estorvo mais antigo é o estacionamento. Nos fins de semana, para não ficar refém dos flanelinhas, o jeito é andar um pouco mais e deixar o carro no estacionamento, gratuito, da Assembléia Legislativa. "O projeto para a construção da garagem subterrânea, com 5 000 vagas, foi encaminhado para a Câmara", afirma Adriano Diogo, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente. O caso do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, é mais gritante. Deficientes físicos só podem circular pelo térreo, pois não têm acesso aos demais pavimentos. Para orientar o público, nada de monitores, apenas vigilantes. No último domingo, o subsolo estava fechado. A informação fornecida aos visitantes era de que faltavam funcionários. A diretora do museu, Raquel Glezer, dá outra versão. "A área estava em manutenção e será aberta a partir deste mês."

 
Celina Rabelo
Museu do Ipiranga: apenas um banheiro


No Instituto Butantan, itens como alimentação, banheiros e sinalização não correspondem ao atencioso atendimento dos monitores nem ao alto padrão do Museu Biológico. "Há projetos para melhorar a infra-estrutura, mas falta verba", explica o biólogo Henrique Canter, diretor da divisão cultural do instituto. Bons exemplos de como lugares públicos podem oferecer serviços de qualidade são a Sala São Paulo e o Teatro Municipal. A primeira, inaugurada há quatro anos, foi aprovada com louvor em quase todos os quesitos. O Teatro Municipal é um caso de ressurreição. Nos últimos dois anos, ele melhorou sensivelmente. O aspecto mais representativo é a bilheteria. Até o começo do ano, os ingressos só eram vendidos com dinheiro vivo. Desde o início da temporada, em março, o espectador pode comprá-los pelo telefone, pela internet ou no próprio teatro, com todos os cartões de crédito. "Essas facilidades fizeram o público aumentar em 30%", afirma Lúcia Camargo, diretora do teatro.

 
Andréa D' Amato
Descompasso: serviços oferecidos não têm a qualidade do museu
Fotos Mario Rodrigues
Fraldário: falta de higiene Lanchonete: poucas opções

 
Rogério Voltan
Quase perfeita: só faltava ser melhor nos comes e bebes

 

         
     
 
 
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