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CIDADE
Reprovadas no
teste de qualidade
Veja São Paulo conferiu os serviços
de seis áreas
públicas de lazer. Só
duas passaram com louvor
na maioria
dos quesitos avaliados
Marcella
Centofanti
Roberto Loffel
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| O
maior da América Latina:
1,6 milhão de visitantes
por ano e promessa
de melhorias para
o segundo semestre |
Fotos Mario Rodrigues
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| Bilheteria:
só metade dos guichês |
Formigueiro:
senha fornecida de hora em hora |
Há
duas semanas, numa manhã de terça-feira, a professora
de inglês Claudia Guedes resolveu aproveitar um de seus últimos
dias de férias para cumprir a promessa que havia feito à
filha Thalita, de 9 anos, e à sobrinha Thaís, de 10:
um passeio ao Zoológico. A última visita ao local
tinha sido feita sete anos antes, quando as meninas eram muito pequenas.
As três saíram de Santana com a intenção
de passar o dia todo no parque. Chegaram às 9h30 e, logo,
tiveram a primeira decepção. "A bilheteria estava
imunda, cheia de papéis. E o parque havia acabado de abrir",
lembra Claudia. Uma hora depois, no banheiro, a segunda surpresa
desagradável. Após enfrentar dez minutos de fila,
encontraram o chão da cabine ensopado de urina, uma porta
que não fechava direito e um vaso sanitário sem tampa.
A gota d'água foi o almoço. As três tiveram
de atravessar o parque, que tem 4 quilômetros de extensão
em ruas, para chegar à única lanchonete. Lá,
Claudia provou um espeto e achou que a carne estava passada. Decidiram
ir embora, deixando o passeio pela metade. "Os animais são
superbem tratados, mas os visitantes, infelizmente, não",
queixa-se.
Fotos Mario Rodrigues
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| Perigo
no playground: buraco com 1,5 metro de profundidade |
Achaque:
quem não consegue vaga dentro do parque fica na mão
de flanelinhas |
O
Zoológico deveria ser um orgulho para a cidade. Com cerca
de 3.200 animais, de 444 espécies, é considerado o
maior da América Latina. Por ano, 1,6 milhão de pessoas
passam por lá. O número poderia ser maior se o serviço
não derrapasse tanto. "Temos consciência de nossas
deficiências", admite João Batista da Cruz, diretor
administrativo do Zoológico. Segundo ele, alguns problemas
devem ser resolvidos neste ano. Está em andamento uma licitação
para aumentar a quantidade de lanchonetes, além de um pedido
de construção de uma estação de tratamento
de água, que dará novo aspecto ao lago. A manutenção
e a limpeza do parque devem melhorar com a contratação
de 160 funcionários, no próximo semestre.
Mario Rodrigues
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| Teste
de paciência: na saída, até cinqüenta
minutos de espera pelo carro |
Outros
três espaços públicos de lazer da cidade não
foram aprovados no teste de qualidade realizado por Veja São
Paulo. O Parque do Ibirapuera ficou abaixo da média em
quatro dos seis itens avaliados. O estorvo mais antigo é
o estacionamento. Nos fins de semana, para não ficar refém
dos flanelinhas, o jeito é andar um pouco mais e deixar o
carro no estacionamento, gratuito, da Assembléia Legislativa.
"O projeto para a construção da garagem subterrânea,
com 5 000 vagas, foi encaminhado para a Câmara", afirma Adriano
Diogo, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente. O caso
do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, é mais
gritante. Deficientes físicos só podem circular pelo
térreo, pois não têm acesso aos demais pavimentos.
Para orientar o público, nada de monitores, apenas vigilantes.
No último domingo, o subsolo estava fechado. A informação
fornecida aos visitantes era de que faltavam funcionários.
A diretora do museu, Raquel Glezer, dá outra versão.
"A área estava em manutenção e será
aberta a partir deste mês."
Celina Rabelo
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| Museu
do Ipiranga: apenas um banheiro |
No
Instituto Butantan, itens como alimentação, banheiros
e sinalização não correspondem ao atencioso
atendimento dos monitores nem ao alto padrão do Museu Biológico.
"Há projetos para melhorar a infra-estrutura, mas falta verba",
explica o biólogo Henrique Canter, diretor da divisão
cultural do instituto. Bons exemplos de como lugares públicos
podem oferecer serviços de qualidade são a Sala São
Paulo e o Teatro Municipal. A primeira, inaugurada há quatro
anos, foi aprovada com louvor em quase todos os quesitos. O Teatro
Municipal é um caso de ressurreição. Nos últimos
dois anos, ele melhorou sensivelmente. O aspecto mais representativo
é a bilheteria. Até o começo do ano, os ingressos
só eram vendidos com dinheiro vivo. Desde o início
da temporada, em março, o espectador pode comprá-los
pelo telefone, pela internet ou no próprio teatro, com todos
os cartões de crédito. "Essas facilidades fizeram
o público aumentar em 30%", afirma Lúcia Camargo,
diretora do teatro.
Andréa D' Amato
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| Descompasso:
serviços oferecidos não têm a qualidade
do museu |
Fotos Mario Rodrigues
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| Fraldário:
falta de higiene |
Lanchonete:
poucas opções |
Rogério Voltan
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| Quase
perfeita: só
faltava ser melhor
nos comes e bebes |

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