Publicidade
 
 

 
 


6 de julho de 2005
CRIMINALIDADE
SERVIÇO
BEBIDA
VALE A VIAGEM
DEZ MOTIVOS PARA...
Portal Veja São Paulo
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

BEBIDA

Caçadores de vinhos

Quem são os responsáveis pelos
tintos e brancos que chegam à cidade

Roberto Gerosa


Fotos Heudes Regis
Otávio Piva de Albuquerque foi o responsável pela onda do vinho branco da garrafa azul nos anos 1990. Dono da maior importadora do país, a Expand, com dez lojas em São Paulo, ele está promovendo uma reviravolta em seus negócios. Desde 2004 exporta vinhos próprios produzidos no Nordeste.
Rótulos que comercializa: 2 000
De quantos países: 13


Veja também
Site de vinhos
Perfis dos importadores e rótulos recomendados

No início dos anos 1990, a moda era tomar vinho branco alemão da garrafa azul. Dos 2 milhões de caixas que entraram no país em 1994, 1,2 milhão era dessa bebida adocicada e enjoativa. Os paulistanos contavam nos dedos as opções disponíveis nas cartas dos restaurantes, nas prateleiras dos supermercados e mesmo nas lojas especializadas. A situação mudou muito de lá para cá. Hoje, as grandes importadoras brasileiras oferecem juntas mais de 6.000 rótulos, de quinze diferentes países, que somaram 3,5 milhões de caixas no ano passado. É uma variedade que não se vê em países produtores como França, Portugal e Itália, que praticamente só consomem safras locais. São Paulo se transformou assim em uma cidade privilegiada para quem gosta de experimentar vinhos de todas as partes do mundo. "Só ficamos atrás de Londres e de Nova York", afirma o comerciante Gaston Hamaoui, que há 31 anos acompanha de perto o mercado.


Nos anos 90, Elídio Lopes Cavalcanti ajudou a Expand a formar seu catálogo. Em 2000, montou a própria importadora, a Terroir, especializada em pequenos produtores de qualidade. Apresenta um programa de TV no qual exerce sua melhor habilidade: a de contar histórias sobre os vinhos que vende. "Sou um cara que entende de mercado e da emoção do consumidor", diz Cavalcanti.
Rótulos que comercializa: 900
De quantos países: 9

O tal vinho branco alemão praticamente desapareceu. Mas iniciou muita gente nos prazeres da bebida. A facilidade de importação e, mais recentemente, a desvalorização do dólar ajudaram na multiplicidade de ofertas. Elídio Lopes Cavalcanti, diretor-geral da importadora Terroir, conta que em 1995 o Brasil não figurava nem entre os cinqüenta principais destinos de vinhos de primeira linha. "Hoje, ocupamos o sétimo ou oitavo lugar", diz. O consumidor também passou a reconhecer uma boa bebida. "Alguns dos vinhos mais vendidos em nossas lojas acabam premiados por especialistas em concursos mundiais", afirma Otávio Piva de Albuquerque, presidente da Expand. Cartas com centenas de opções, adegas climatizadas e serviço em taças adequadas são freqüentes em vários restaurantes. No Rubaiyat, por exemplo, uma seleção de 1.000 rótulos faz a festa dos apreciadores. A rede de supermercados Pão de Açúcar exibe até 750 tipos em alguns de seus endereços. Os importadores, por sua vez, abriram lojas vistosas, onde promovem cursos e degustações.


O empresário Ciro Lilla transformou uma paixão em negócio quando adquiriu a Mistral, em 1993. Tem um dos catálogos mais variados e completos do país. Nele, um simpático personagem, Mister All – não por acaso muito semelhante a Lilla –, dá dicas aos clientes e tira suas dúvidas.
Rótulos que comercializa: 2 500
De quantos países: 15

A doce tarefa de encontrar os vinhos que irão abastecer as adegas da cidade cabe a profissionais que agem como verdadeiros caçadores. Eles vasculham grandes feiras na Europa, consultam publicações especializadas e, em alguns casos, viajam pelas vinícolas ao redor do planeta. "É importante visitar os vinhedos, ver as instalações e checar a qualidade das safras", explica Manoel Beato, sommelier do restaurante e da Enoteca Fasano. "Em 2004 andei 6.800 quilômetros de carro em Portugal", calcula Manuel Chicau, da Adega Alentejana, especializada em vinhos portugueses. Algumas vinícolas mais artesanais exigem um trabalho corpo a corpo. Celso La Pastina, da World Wine, levou dez anos para convencer um produtor de Borgonha, na França, a vender seus tintos por aqui. Muitas vezes eles têm a ajuda da sorte. Ciro Lilla, proprietário da Mistral, conta que experimentou uma taça de vinho branco do hoje aclamado argentino Nicolás Catena durante uma feira realizada na França em 1994. Gostou. Pediu um tinto e perguntou se ele tinha representante no Brasil. Diante da negativa, apressou-se: "Pois agora tem".


Descendente de uma família do sudeste da Itália, Celso La Pastina pode ser considerado o mais francês dos italianos do mundo do vinho. "Ninguém tem a quantidade de Bordeaux que nós oferecemos", diz. Em 1999, ele criou a World Wine só para cuidar dos fermentados de qualidade. Vai inaugurar uma moderna loja nos Jardins em agosto.
Rótulos que comercializa: 1 200
De quantos países: 14

Na briga para conquistar o paladar e, principalmente, o bolso dos consumidores, esses caçadores também precisam farejar tendências. "O brasileiro já está cansado dos vinhos sul-americanos", aposta Antoine Zahil, da Wine House/Zahil, uma empresa de menor porte. "Depois de experimentar todos os cabernet chilenos e os malbec argentinos, ele vai mudar para os europeus." A grande procura por garrafas do Velho Mundo nas liquidações promovidas recentemente por algumas importadoras da cidade é um sinal de que Zahil pode estar certo – e que o consumidor, ao lado da qualidade, busca sempre preços justos, ou seja, a boa relação custo-benefício.

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados