Publicidade
 

 
 


6 de abril de 2005
ESTILO DE VIDA
MUSEUS
MÚSICA
COMIDA
SOCIEDADE
NEGÓCIOS
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

COMIDA

Sabor quase secular

A receita da sorveteria Alaska para
se manter há 95 anos na cidade

Mario Rodrigues
O sócio Alberto Mota: desde 1972 no comando da gelateria

Numa cidade recheada de Sottozeros, Freddissimos, Parmalats, Häagen-Dazs e La Basques, a Alaska, a mais antiga sorveteria em operação em São Paulo, ainda faz sua fiel clientela se deleitar com bolas de massa compacta, pesadona e muuuuito saborosa. Casquinhas, cassatas e taças de sorvete são servidas no número 70 da Rua Doutor Rafael de Barros, no Paraíso, há mais de cinqüenta anos. Pouca coisa mudou desde então. A fachada do lugar é a mesma, o cardápio é quase imutável e, garantem os atuais proprietários, a receita dos gelatos data do início do século passado.


Mario Rodrigues
Gigante alaska: 1,5 quilo de sorvete por 33 reais

O português Lino Seabra, de 75 anos, e o moçambicano Alberto Mota, 73, comandam hoje o negócio fundado por um italiano em 1910 na Rua São Caetano. Uma administração, digamos, à moda antiga. Os sócios costumam pagar os fornecedores e o salário dos quinze funcionários em dinheiro, não querem saber de propaganda e abrir filial está fora de cogitação. Na única vez em que tentaram se modernizar, não deu certo. Em 1990, compraram máquinas novas de fazer sorvete. Os fregueses desaprovaram a mudança. Mesmo perdendo dinheiro, Seabra e Mota não pensaram duas vezes em vendê-las e voltar a usar as antigas. "Os sorvetes mais moles, como o da Stuppendo, são gostosos, mas falta consistência", avalia o jornalista e escritor Marcelo Duarte, jurado da edição especial O Melhor da Cidade, publicada por Veja São Paulo. "A Alaska tem o melhor sorvete de damasco da cidade."

Em dias quentes, cerca de 1.000 pessoas passam pela loja do Paraíso. "No frio, a freqüência cai para 100", afirma Seabra. São 31 sabores servidos na casquinha (4 reais a bola com dois sabores) ou em taças. Não espere encontrar ali combinações extravagantes como alfafa com maçã, pimenta com creme ou chocolate branco com pimentão vermelho. Os bons e velhos chocolate, crocante e nozes ainda são os campeões. "Moro em Guarulhos e venho até aqui porque tudo é uma delícia", diz o estudante Raymond Sehiji, que, na última terça, foi com quatro amigos dividir um gigante alaska. Ou seja, 1,5 quilo a 33 reais, com quatro sabores de sorvete, pedaços de pêssego em calda, quatro cerejas, duas coberturas e... é melhor deixar para lá a quantidade de calorias.

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados