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COMIDA
Sabor quase secular
A receita da sorveteria Alaska para
se manter há 95 anos na cidade
Mario Rodrigues
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| O sócio Alberto Mota: desde 1972 no comando
da gelateria |
Numa cidade recheada de Sottozeros, Freddissimos,
Parmalats, Häagen-Dazs e La Basques, a Alaska, a mais antiga
sorveteria em operação em São Paulo, ainda
faz sua fiel clientela se deleitar com bolas de massa compacta,
pesadona e muuuuito saborosa. Casquinhas, cassatas e taças
de sorvete são servidas no número 70 da Rua Doutor
Rafael de Barros, no Paraíso, há mais de cinqüenta
anos. Pouca coisa mudou desde então. A fachada do lugar é
a mesma, o cardápio é quase imutável e, garantem
os atuais proprietários, a receita dos gelatos data do início
do século passado.
Mario Rodrigues
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| Gigante alaska: 1,5 quilo de sorvete por 33
reais |
O português Lino Seabra, de 75 anos,
e o moçambicano Alberto Mota, 73, comandam hoje o negócio
fundado por um italiano em 1910 na Rua São Caetano. Uma administração,
digamos, à moda antiga. Os sócios costumam pagar os
fornecedores e o salário dos quinze funcionários em
dinheiro, não querem saber de propaganda e abrir filial está
fora de cogitação. Na única vez em que tentaram
se modernizar, não deu certo. Em 1990, compraram máquinas
novas de fazer sorvete. Os fregueses desaprovaram a mudança.
Mesmo perdendo dinheiro, Seabra e Mota não pensaram duas
vezes em vendê-las e voltar a usar as antigas. "Os sorvetes
mais moles, como o da Stuppendo, são gostosos, mas falta
consistência", avalia o jornalista e escritor Marcelo Duarte,
jurado da edição especial O Melhor da Cidade, publicada
por Veja São Paulo. "A Alaska tem o melhor sorvete
de damasco da cidade."
Em dias quentes, cerca de 1.000 pessoas passam
pela loja do Paraíso. "No frio, a freqüência cai
para 100", afirma Seabra. São 31 sabores servidos na casquinha
(4 reais a bola com dois sabores) ou em taças. Não
espere encontrar ali combinações extravagantes como
alfafa com maçã, pimenta com creme ou chocolate branco
com pimentão vermelho. Os bons e velhos chocolate, crocante
e nozes ainda são os campeões. "Moro em Guarulhos
e venho até aqui porque tudo é uma delícia",
diz o estudante Raymond Sehiji, que, na última terça,
foi com quatro amigos dividir um gigante alaska. Ou seja, 1,5 quilo
a 33 reais, com quatro sabores de sorvete, pedaços de pêssego
em calda, quatro cerejas, duas coberturas e... é melhor deixar
para lá a quantidade de calorias.
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