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POLÍCIA
Terror
nos Jardins
Quadrilha
faz arrastão em
um dos
condomínios mais caros de São Paulo
Otávio
Canecchio
Mario Rodrigues
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| Ladrões
de terno e gravata renderam o porteiro do edifício Milton de
Souza Meirelles, na Rua Cristóvão Diniz, e entraram em oito
apartamentos, avaliados em 6 milhões de reais cada um: moradores
e funcionários ficaram trancados por mais de três horas em uma
pequena sala na garagem |
Com apenas um quarteirão, a Rua Cristóvão Diniz,
nos Jardins, é um dos endereços mais chiques e caros
da cidade. Essa pequena travessa da Rua Estados Unidos foi descoberta
no fim da década de 60 pelo construtor Adolpho Lindenberg,
que ergueu ali cinco prédios de altíssimo padrão.
O mais antigo deles é o edifício Milton de Souza Meirelles,
com apartamentos de 1 000 metros quadrados, avaliados em 6 milhões
de reais. Na noite de sexta (24), seus moradores e funcionários
viveram mais de três horas de terror.
Às
19 horas, um homem de terno e gravata rendeu o porteiro no momento
em que um entregador chegava com um tubo de oxigênio destinado
a uma das residentes. Os portões eletrônicos foram
abertos e dez bandidos armados de metralhadoras, com coletes à
prova de bala e rádios de comunicação invadiram
o local. Eles fizeram um arrastão em oito dos onze apartamentos.
Cada um seguiu para um andar, carregando jóias e dinheiro.
Após o roubo, os ladrões levavam as vítimas
para uma pequena sala na garagem. Cerca de quarenta pessoas ficaram
trancafiadas por três horas. "O tempo todo eles ameaçavam
atirar se alguém reagisse", conta uma das moradoras. Segundo
ela, alguns usavam máscara de Carnaval para esconder o rosto.
Muitos dos reféns ficaram rezando em voz alta.
Por
estarem fechados, três apartamentos escaparam da rapinagem.
Um deles pertence ao grupo Carrefour e outro é do cônsul
da Grécia. O terceiro está em reforma. Como não
foi feito sequer boletim de ocorrência, não se conhece
ao certo o montante do roubo. Sabe-se que de um dos apartamentos
foram levados 5.000 dólares e
uma coleção de seis relógios suíços
da marca Patek Philippe, uma das mais caras do mundo. Os condôminos
evitam falar sobre o pesadelo, que só terminou às
22h30, quando a quadrilha fugiu em pelo menos dois carros. Um deles
era um Golf roubado na garagem.
Três
dias depois, os proprietários se reuniram para tomar uma
série de providências e reforçar a segurança
do edifício. Reconheceram que ela era precária, pois
o Milton de Souza Meirelles foi erguido numa época em que
os prédios de apartamentos não tinham a preocupação
de ser verdadeiras fortalezas urbanas. Contrataram dois vigias particulares,
instalaram câmeras e vão construir mais uma guarita,
o que deve elevar o condomínio, que já é de
cerca de 3.500 reais mensais. A polícia
suspeita que os bandidos façam parte de uma quadrilha especializada
em roubos em edifícios de luxo. "Tudo indica que os ladrões
conheciam em detalhes a rotina do prédio", diz Elisabete
Sato, delegada titular do 78º Distrito Policial, que fica a
apenas 300 metros da milionária Cristóvão Diniz.
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