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5 de novembro de 2003
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Terror nos Jardins

Quadrilha faz arrastão em um dos
condomínios mais caros de São Paulo

Otávio Canecchio


Mario Rodrigues
Ladrões de terno e gravata renderam o porteiro do edifício Milton de Souza Meirelles, na Rua Cristóvão Diniz, e entraram em oito apartamentos, avaliados em 6 milhões de reais cada um: moradores e funcionários ficaram trancados por mais de três horas em uma pequena sala na garagem


Com apenas um quarteirão, a Rua Cristóvão Diniz, nos Jardins, é um dos endereços mais chiques e caros da cidade. Essa pequena travessa da Rua Estados Unidos foi descoberta no fim da década de 60 pelo construtor Adolpho Lindenberg, que ergueu ali cinco prédios de altíssimo padrão. O mais antigo deles é o edifício Milton de Souza Meirelles, com apartamentos de 1 000 metros quadrados, avaliados em 6 milhões de reais. Na noite de sexta (24), seus moradores e funcionários viveram mais de três horas de terror.

Às 19 horas, um homem de terno e gravata rendeu o porteiro no momento em que um entregador chegava com um tubo de oxigênio destinado a uma das residentes. Os portões eletrônicos foram abertos e dez bandidos armados de metralhadoras, com coletes à prova de bala e rádios de comunicação invadiram o local. Eles fizeram um arrastão em oito dos onze apartamentos. Cada um seguiu para um andar, carregando jóias e dinheiro. Após o roubo, os ladrões levavam as vítimas para uma pequena sala na garagem. Cerca de quarenta pessoas ficaram trancafiadas por três horas. "O tempo todo eles ameaçavam atirar se alguém reagisse", conta uma das moradoras. Segundo ela, alguns usavam máscara de Carnaval para esconder o rosto. Muitos dos reféns ficaram rezando em voz alta.

Por estarem fechados, três apartamentos escaparam da rapinagem. Um deles pertence ao grupo Carrefour e outro é do cônsul da Grécia. O terceiro está em reforma. Como não foi feito sequer boletim de ocorrência, não se conhece ao certo o montante do roubo. Sabe-se que de um dos apartamentos foram levados 5.000 dólares e uma coleção de seis relógios suíços da marca Patek Philippe, uma das mais caras do mundo. Os condôminos evitam falar sobre o pesadelo, que só terminou às 22h30, quando a quadrilha fugiu em pelo menos dois carros. Um deles era um Golf roubado na garagem.

Três dias depois, os proprietários se reuniram para tomar uma série de providências e reforçar a segurança do edifício. Reconheceram que ela era precária, pois o Milton de Souza Meirelles foi erguido numa época em que os prédios de apartamentos não tinham a preocupação de ser verdadeiras fortalezas urbanas. Contrataram dois vigias particulares, instalaram câmeras e vão construir mais uma guarita, o que deve elevar o condomínio, que já é de cerca de 3.500 reais mensais. A polícia suspeita que os bandidos façam parte de uma quadrilha especializada em roubos em edifícios de luxo. "Tudo indica que os ladrões conheciam em detalhes a rotina do prédio", diz Elisabete Sato, delegada titular do 78º Distrito Policial, que fica a apenas 300 metros da milionária Cristóvão Diniz.

         
     
 
 
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