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CIDADE
Barbárie
no Ibirapuera
Morte
de estudante no lago reacende
polêmica sobre a realização de
megaeventos no parque
Marcella
Centofanti
Jorge Araujo/Folha Imagem
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| Após
oito horas de concentração em frente ao Monumento às Bandeiras,
uma multidão invadiu o parque e se jogou nas águas poluídas
do lago: 370 policiais, guardas-civis e seguranças escalados
pela prefeitura para conter os ânimos dos jovens não conseguiram
evitar as cenas de vandalismo |
No último domingo, o estudante Gutemberg Clarindo Oliveira,
16 anos, saiu de sua casa em Itaquera, na Zona Leste, às
11 horas, para participar de uma rave em frente ao Parque do Ibirapuera.
Acompanhado de doze colegas, ele assistiu à performance dos
130 DJs que se revezavam sobre dezesseis trios elétricos
na Parada AME São Paulo. A festança, com oito horas
de duração, foi organizada pela prefeitura em parceria
com a Associação Amigos da Música Eletrônica
e reuniu 170.000 pessoas. Após
seu encerramento, por volta das 20h30, os rapazes de Itaquera entraram
no parque e pularam nas águas poluídas do lago, junto
com dezenas de adolescentes. Gutemberg, que não sabia nadar,
permaneceu próximo à margem. Dez minutos depois, desapareceu.
Os bombeiros localizaram o corpo do garoto na madrugada de segunda-feira,
a cerca de 2 metros de profundidade.
Para
cuidar da segurança dos participantes nas ruas, a prefeitura
afirma ter escalado 130 policiais militares e 100 seguranças
particulares. Dentro do parque, os quarenta guardas-civis que normalmente
trabalham ali ganharam o reforço de outros 100. Foi pouco.
"É um lugar inadequado para um evento desses", declarou o
tenente-coronel Pércio Cordeiro, responsável pela
área. Além da invasão do lago, foram registrados
casos de embriaguez e brigas. Vândalos subiram no Monumento
às Bandeiras e deixaram um rastro de sujeira pelos gramados.
"Todas as ocorrências foram resolvidas e a festa acabou de
maneira apoteótica", diz a diretora de comunicação
da AME, Claudia Assef. "Fizemos tudo o que estava a nosso alcance.
O acidente foi uma fatalidade", afirma o secretário municipal
do Verde e do Meio Ambiente, Adriano Diogo.
O
Ibirapuera sedia shows desde a década de 80. Alguns são
compatíveis com sua estrutura, outros não. Em apresentações
de orquestras, por exemplo, o público médio é
de 10.000 espectadores. Os problemas
aparecem em espetáculos grandes, que atraem mais de 100.000
pessoas. Camelôs espalham-se pelas alamedas e o lixo produzido
pela multidão chega a 20 toneladas, cinco vezes mais que
num fim de semana normal. "O Central Park, em Nova York, promove
concertos e peças há mais de um século. Por
aqui, as pessoas não aprenderam a utilizar o patrimônio
sem danificá-lo", afirma o arquiteto Paulo Ricardo Giaquinto,
chefe do Departamento de Planejamento e Urbanismo da Faculdade de
Arquitetura do Mackenzie. Ele defende a imposição
de um limite de público. Em 2001, o Ministério Público
tentou impedir a realização de eventos para mais de
20.000 pessoas no parque. "Nosso relatório
já previa, inclusive, o risco de afogamento no lago", diz
Carlos Alberto de Salles, promotor do Meio Ambiente. O processo
ainda tramita na Justiça.
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