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5 de outubro de 2005
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Música no parque

Dez meses depois de inaugurado,
o Auditório do Ibirapuera terá
seu primeiro concerto

Lúcia Monteiro

 
Fotos Nelson Kon
A fachada, com a escultura Labareda, desenhada por Niemeyer no ano passado, e o hall, à direita, com obra de madeira de Tomie Ohtake: teatro para 800 pessoas

De fora, parece uma língua vermelha instalada sobre uma rampa branca. Ao se aproximar, o visitante tem a impressão de que vai entrar numa garganta gigante. Depois de cruzar a porta de vidro, a sensação de amplitude é o que mais impressiona. Suspensa na parede, uma escultura de madeira da artista plástica Tomie Ohtake atrai os olhares, com curvas e camadas que se deixam perceber pouco a pouco, ao longo do caminho que leva ao teatro. Inaugurado às pressas no fim do ano passado, o Auditório do Ibirapuera, projetado em 1950 pelo arquiteto Oscar Niemeyer, está pronto para receber seu primeiro concerto, na quinta (6) e na sexta (7) para convidados, no sábado (8) e no domingo (9) para o público em geral. As dimensões do espaço são impressionantes: 7.000 metros quadrados e um palco com 28 metros de boca de cena e 50 metros de comprimento. Há 800 poltronas do lado de dentro, mas uma porta retrátil permite atrações ao ar livre para até 15.000 pessoas, acomodadas no gramado.

"A acústica é parecida com a do Queen Elizabeth Hall, em Londres. O som sai muito transparente, a percussão não encobre o piano", diz o pianista Marcelo Bratke, responsável pela apresentação de abertura, batizada de Saudades do Brasil, com músicas de Tom Jobim, Villa-Lobos, Ernesto Nazareth e Darius Milhaud no repertório. Além de Bratke, o espetáculo terá a participação do percussionista Naná Vasconcelos e de quatro jovens instrumentistas do Morro da Conceição, no Recife. A programação do teatro será mantida pelo Instituto Música para Todos, entidade da sociedade civil, com recursos da iniciativa privada. "Será um espaço para músicos de talento mas sem visibilidade", afirma o italiano Mario Cohen, presidente do instituto e consultor de imagem da operadora de telefonia celular TIM, patrocinadora da obra, que custou 29 milhões de reais.

O Parque do Ibirapuera e um conjunto de mais de dez edifícios foram projetados para as comemorações dos 400 anos de São Paulo. Ainda em obras, os primeiros a ser ocupados foram o Palácio das Nações e o Palácio dos Estados (onde estão a Prodam e o Museu Afro-Brasil), em dezembro de 1953, para a segunda edição da Bienal de Arte (um pavilhão no Parque Trianon abrigou a primeira). Em 1957 ficou pronto o Planetário, e o Palácio das Indústrias passou a abrigar as bienais. Em 1958, o Museu de Arte Moderna foi transferido de um prédio no centro para sua sede atual. Apesar de seu elogiado traçado, o auditório ficou esquecido. Nos anos 50, depois de observar os croquis do ex-aluno Niemeyer, o franco-suíço Le Corbusier, mestre da arquitetura moderna, escreveu: "O auditório é particularmente interessante, dentro de um conjunto também interessante".

     
   
 
 
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