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CIDADE Música
no parque Dez meses depois de inaugurado, o Auditório
do Ibirapuera terá seu primeiro concerto Lúcia
Monteiro Fotos
Nelson Kon
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fachada, com a escultura Labareda, desenhada por Niemeyer no ano passado,
e o hall, à direita, com obra de madeira de Tomie Ohtake: teatro para 800 pessoas
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De fora, parece uma
língua vermelha instalada sobre uma rampa branca. Ao se aproximar, o visitante
tem a impressão de que vai entrar numa garganta gigante. Depois de cruzar
a porta de vidro, a sensação de amplitude é o que mais impressiona.
Suspensa na parede, uma escultura de madeira da artista plástica Tomie
Ohtake atrai os olhares, com curvas e camadas que se deixam perceber pouco a pouco,
ao longo do caminho que leva ao teatro. Inaugurado às pressas no fim do
ano passado, o Auditório do Ibirapuera, projetado em 1950 pelo arquiteto
Oscar Niemeyer, está pronto para receber seu primeiro concerto, na quinta
(6) e na sexta (7) para convidados, no sábado (8) e no domingo (9) para
o público em geral. As dimensões do espaço são impressionantes:
7.000 metros quadrados e um palco com 28 metros de boca de cena e 50 metros de
comprimento. Há 800 poltronas do lado de dentro, mas uma porta retrátil
permite atrações ao ar livre para até 15.000 pessoas, acomodadas
no gramado. "A acústica é parecida
com a do Queen Elizabeth Hall, em Londres. O som sai muito transparente, a percussão
não encobre o piano", diz o pianista Marcelo Bratke, responsável
pela apresentação de abertura, batizada de Saudades do Brasil,
com músicas de Tom Jobim, Villa-Lobos, Ernesto Nazareth e Darius Milhaud
no repertório. Além de Bratke, o espetáculo terá
a participação do percussionista Naná Vasconcelos e de quatro
jovens instrumentistas do Morro da Conceição, no Recife. A programação
do teatro será mantida pelo Instituto Música para Todos, entidade
da sociedade civil, com recursos da iniciativa privada. "Será um espaço
para músicos de talento mas sem visibilidade", afirma o italiano Mario
Cohen, presidente do instituto e consultor de imagem da operadora de telefonia
celular TIM, patrocinadora da obra, que custou 29 milhões de reais.
O Parque do Ibirapuera e um conjunto de mais de dez edifícios foram projetados
para as comemorações dos 400 anos de São Paulo. Ainda em
obras, os primeiros a ser ocupados foram o Palácio das Nações
e o Palácio dos Estados (onde estão a Prodam e o Museu Afro-Brasil),
em dezembro de 1953, para a segunda edição da Bienal de Arte (um
pavilhão no Parque Trianon abrigou a primeira). Em 1957 ficou pronto o
Planetário, e o Palácio das Indústrias passou a abrigar as
bienais. Em 1958, o Museu de Arte Moderna foi transferido de um prédio
no centro para sua sede atual. Apesar de seu elogiado traçado, o auditório
ficou esquecido. Nos anos 50, depois de observar os croquis do ex-aluno Niemeyer,
o franco-suíço Le Corbusier, mestre da arquitetura moderna, escreveu:
"O auditório é particularmente interessante, dentro de um conjunto
também interessante". |