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ARTE
Bienal em pé de guerra Reeleição do
ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira divide conselheiros da fundação
Alvaro Leme
Otavio
Dias de Oliveira
 | | Cid
Ferreira: reputação ilibada? | |
Mesmo trancafiado há
mais de um mês em um presídio no interior de São Paulo, o
ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira continua provocando polêmica no circuito
paulistano das artes. Tudo porque ele foi reconduzido ao cargo de conselheiro
da Fundação Bienal, uma das mais importantes instituições
da cidade, da qual ironicamente já foi a estrela-mor. O tititi começou
no dia 20 de junho, numa reunião do conselho no Pavilhão da Bienal,
no Parque do Ibirapuera. Devia-se votar a permanência dos integrantes não
vitalícios, eleição que costuma acontecer a cada dois anos.
Dos 31 conselheiros presentes, somente seis foram contra a reeleição
de Cid Ferreira. Um deles, o jurista Carlos Francisco Bandeira Lins, pediu a palavra:
"Nosso estatuto obriga o conselheiro a ter reputação ilibada", disse.
Estava armada a confusão.
Num dos momentos
mais inspirados do debate que se estendeu por quase duas horas, um dos presentes
chegou a dizer que somente Jesus Cristo tem a dita "reputação ilibada"
prevista no estatuto. Argumentou-se que Cid Ferreira, apesar das sérias
acusações de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, entre
outras, não foi considerado culpado pela Justiça. Poderia, então,
continuar no cargo. "Enquanto não houver condenação judicial,
a presença de Edemar não afeta a Bienal", defende a colecionadora
de arte Beatriz Pimenta Camargo. Bandeira Lins rebate: "Não ter antecedentes
criminais e ter boa reputação são coisas muito diferentes.
Prostituição não é crime no Brasil, mas nem por isso
uma prostituta pode ser considerada uma mulher de bem".
O secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, também conselheiro,
colocou mais lenha nessa fogueira na última terça. Desafeto declarado
de Cid Ferreira, ele se posicionou publicamente contra a recondução
do ex-banqueiro. "É um acinte. Vamos ter de fazer reuniões no presídio
agora?", disse. "A Suzane von Richtofen ainda não foi condenada. Ela poderia
participar do conselho da Bienal?" A parte do grupo que apóia Cid Ferreira
não gostou nem um pouco e chegou a calcular há quanto tempo Matarazzo
não dá as caras numa reunião da fundação. Segundo
esses conselheiros, o secretário faltou às últimas onze,
realizadas desde 2004. "Ocupo cargo público e não pude comparecer.
Isso não me impede de prezar a Bienal", justifica. Por outro lado, a turma
que defende a exclusão de Cid Ferreira alega que ele foi reeleito por um
sentimento de gratidão de parte do conselho. "Muita gente só está
lá por causa do Edemar", aponta Matarazzo.
No encontro do dia 20 foi eleito também o novo presidente do conselho,
o arquiteto Miguel Pereira. Apesar de ainda não ter marcado a data da próxima
reunião, Pereira diz que ela terá de ocorrer em menos de trinta
dias. Servirá para marcar a posse dos conselheiros. Caso ainda esteja em
cana, Cid Ferreira não poderá dar o ar da graça. E um novo
impasse começa a se delinear. "Não há como ser empossado
sem presença física", afirma Pereira. Mario
Rodrigues
 | "A
Suzane von Richtofen ainda não foi condenada também. Ela poderia
participar do conselho da Bienal?" Andrea
Matarazzo, conselheiro |
Pailo
Giandalia/AE
 | "Enquanto
não houver condenação judicial, a presença de Edemar
não afeta a Bienal." Beatriz
Pimenta Camargo, conselheira |
Alexandre
Schneider
 | "Prostituição
não é crime no Brasil, mas nem por isso uma prostituta pode ser
considerada uma mulher de bem." Carlos
Francisco Bandeira Lins, conselheiro |
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