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MÚSICA
Acordes
e cifrões
Sinfônica
do Estado enfrenta
ameaça de cortes no
orçamento
e ganha apoio de empresários
Rogério Montenegro

Ensaio
da orquestra: número de assinaturas recorde neste ano |
| Veja
também |
Escute
músicas do novo CD da Osesp (todas são de autoria
de de Camargo Guarnieri) |
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No
início do ano, a Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo (Osesp) comemorou o recorde de 5.088
assinaturas vendidas. Aumentou em 50% a quantidade de gente que
pagou antecipadamente para garantir lugar nos espetáculos
desta temporada. Seu CD com obras do compositor paulista Camargo
Guarnieri, que chegou às lojas em 9 de maio, já é
considerado sucesso. Na semana que vem, começam as gravações
das Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa-Lobos. Como o
primeiro, será lançado pelo selo sueco Bis. O grande
feito da orquestra em 2002, no entanto, acontecerá no segundo
semestre. Os 91 músicos embarcam em outubro para sua primeira
turnê pelos Estados Unidos, com apresentações
em teatros de dezoito cidades, incluindo o Avery Fisher Hall, no
Lincoln Center, onde costuma tocar a Filarmônica de Nova York.
"Este é um ótimo momento, alcançado graças
a uma evolução constante", acredita o maestro John
Neschling, diretor artístico da Osesp. "Finalmente temos
uma orquestra com padrão internacional", comemora o economista
Persio Arida, que não perde um concerto.
Renato Chaui

Neschling:
"Qualidade sem recursos é impossível" |
Manter esse som de qualidade tem um custo alto: 12,9 milhões
de reais só neste ano, ou 13% de todo o orçamento
da Secretaria de Estado da Cultura. Isso leva a orquestra a ser
constantemente criticada por pesar demais nos cofres do governo.
"Sofremos inúmeras pressões para usar esse dinheiro
em outros projetos", diz o secretário Marcos Mendonça.
Nos corredores da Sala São Paulo, sede da Osesp, teme-se
que essas pressões tenham atingido um nível quase
insuperável. O governador Geraldo Alckmin, que não
é um grande apreciador de música erudita nem costuma
ser visto em concertos, teria cogitado fechar a orquestra. Não
deve chegar a tanto, mas a intenção da secretaria
é financiar no futuro metade dos custos e deixar o restante
para a sociedade civil. "A mudança de política é
sempre uma ameaça a todas as orquestras brasileiras e à
maioria das internacionais", afirma Neschling. "O certo é
que não temos como manter o atual nível artístico
com um orçamento menor."
Todas
as grandes orquestras do mundo dependem de pesados investimentos.
Na Europa, os recursos vêm do Estado. Nos Estados Unidos,
de doações da comunidade. A tendência é
que a gestão da Osesp se aproxime do modelo americano. Há
um mês, um grupo de empresários se juntou com a intenção
de apoiá-la. A Sociedade Amigos da Osesp reúne personalidades
como o banqueiro Pedro Moreira Salles, o economista Persio Arida,
o empresário José Ermírio de Moraes Neto e
o juiz Thales Estanislau do Amaral Sobrinho. "Do mesmo jeito que
algumas pessoas lutam pela construção de creches,
vamos cuidar da música clássica", afirma o presidente
da entidade, o advogado Ary Oswaldo Mattos Filho.
Rogério Montenegro

Lojinha
na Sala São Paulo: voluntários vendem camisetas, relógios e
canecas |
A reestruturação da Osesp começou em 1997,
quando Neschling foi contratado. Antes, os instrumentistas ganhavam
mal e não possuíam sede própria. Hoje, ensaiam
e se apresentam na belíssima Sala São Paulo e têm
salários compatíveis com os do mercado internacional.
"Músicos de primeiro time só tocam se forem bem remunerados",
afirma Carlos Haag, crítico musical do jornal Valor Econômico.
Nestes cinco anos, a Osesp conquistou uma platéia cativa,
que lota todas as suas apresentações. Daí surgiu
o grupo de 200 voluntários que, desde 2000, ajudam a orquestra.
Servem de guias para os solistas estrangeiros ou de médicos
de plantão durante os concertos e vendem camisetas, canecas,
relógios e canetas com o logotipo da Osesp antes dos espetáculos.
Arrecadam fundos para a compra de instrumentos, viagens e pagamento
de cachês. "Assim a orquestra cria raízes na sociedade",
afirma o coordenador dos voluntários, o advogado Glênio
Vergara. Iniciativas como essas são o maior patrimônio
da Osesp. Uma riqueza que só a qualidade da música
é capaz de manter.
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