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5 de junho de 2002
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De carona no vento

Híbrido de windsurfe, parapente
e wakeboard,
o kitesurfe vira
mania entre a moçada

Ricardo Moreno


Rogério Albuquerque
O estudante Victor Adamo: kite nas águas da Guarapiranga


Uma rajada de vento empurra a pipa para o alto. O atleta posiciona os pés sobre a prancha e aproveita o embalo. Daí em diante, a qualidade da performance só depende da ginga e da experiência de quem pratica. O kitesurfe (pronuncia-se caitsârf), atividade que mescla técnicas de surfe, windsurfe, parapente e wakeboard, é o esporte radical da vez. Desde que decolou no país, no fim de 1999, estima-se que cerca de 2.000 pessoas já tenham aderido à mania. "Em dois anos, vendemos mais de 600 kits", contabiliza Adriano Lavezzo, de 29 anos, proprietário da loja WaterSportsBrazil.com, nas Perdizes. O instrutor Ricardo Munhoz, de 38 anos, afirma que em poucas semanas qualquer iniciante consegue divertir-se. "Com seis ou sete aulas, o aluno já se sente à vontade e pronto para as primeiras manobras", explica. O preço do equipamento, boa parte importado, é salgado. O pacote, que inclui prancha, kite (a pipa), trapézio, capacete e colete, não sai por menos de 2 800 reais. Apesar de pouco difundido entre os atletas mais experientes, o capacete é item fundamental. Ele protege contra eventuais pancadas e dos fios do kite, que, esticados, são tão perigosos quanto uma faca afiada.


André Nazareth/Strana
A gatíssima Daniela Monteiro: "Já perdi muito biquíni treinando"

Em São Paulo, os melhores pontos para a prática são as represas de Guarapiranga e Avaré ou as praias de Perequê e Ponta das Canas, em Ilhabela, no litoral norte. Para quem está começando, o ideal é treinar em águas onde não existam correntezas nem ondas. O paulistano Victor Adamo Fredinelli, de 16 anos, costuma escapar para Guarapiranga sempre que encontra um tempinho livre. Windsurfista desde os 10 anos, conheceu o kite por meio de amigos. Agora, divide-se entre as duas modalidades. "Além de ser mais fácil que o wind, qualquer brisa já é suficiente para uma boa diversão", diz. Embora os marmanjos predominem no esporte, algumas meninas já se mostram craques. A paulistana Izabela Schunck, de 20 anos, é uma das mais dedicadas. Nos meses de junho, julho e agosto, quando sopram os melhores ventos, Iza, como é chamada, costuma cair na água até cinco vezes por semana. "Virou um vício", empolga-se. "O contato com a natureza é total." A gaúcha Daniela Monteiro, de 22 anos, tricampeã brasileira de windsurfe e apresentadora de um quadro sobre aventuras no Esporte Espetacular, da Rede Globo, também se rendeu aos prazeres do kite. "No começo comi areia e perdi muito biquíni, mas agora já estou craque", lembra, com bom humor. Para julho, planeja-se o primeiro campeonato paulista. O palco será Ilhabela. Só é preciso torcer para que tenha vento.

Tempo Wind Clube – Represa de Guarapiranga. Rua Antônio Segala, 102, Jardim São Luís, 5517-6039. Aula teórica, R$ 50,00 (duas horas); prática, R$ 100,00 (por hora).

 

Quanto custa a brincadeira

Fotos Rogério Albuquerque O tamanho do kite varia de 4 a 24 metros quadrados. Ele é produzido com o mesmo material dos parapentes e custa de 690 a 1 400 dólares

 

Mario Queiroz
Mario Queiroz
Eduardo Pozella
Colete salva-vidas, o mesmo do windsurfe: 200 reais, o básico O trapézio serve para prender o kite ao corpo: 80 dólares Ignorado por muitos, o capacete é item indispensável: 50 reais

 

Prancha bidirecional, a mais indicada aos iniciantes: o modelo nacional sai por 700 reais; o importado, 900 dólares

 

         
     
 
 
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