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5 de abril de 2006
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TRANSPORTE

Plástica no aeroporto

Congonhas inaugura garagem e faz
obras, em meio a preocupações
com defeitos na pista

Rodrigo Brancatelli

 

Fotos Daniela Toviansky
Saguão reformado: no ano passado, 17 milhões de pessoas passaram por lá


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Desde sua inauguração, há setenta anos, o Aeroporto de Congonhas sempre enfrentou turbulências. Antes um lugar quase pacato, logo se viu cercado de casas e depois de prédios. Com o crescimento da cidade e da aviação comercial, em duas décadas se transformou no terceiro do mundo em volume de carga. Mais tarde, experimentou uma queda livre. Aberto em 1985 o Aeroporto de Cumbica, para onde se transferiram todos os vôos internacionais e as principais rotas domésticas, o número de passageiros de Congonhas caiu 60%. Chegou-se a cogitar seu fechamento, e houve planos de construir na área um autódromo ou um shopping center. Logo, porém, voltaria a efervescência. Nos anos 90, com o barateamento das passagens nacionais, o surgimento de novas empresas aéreas e a entrada dos jatos na ponte aérea São Paulo–Rio de Janeiro, Congonhas cresceu como nunca. Hoje é o mais movimentado aeroporto da América do Sul. Registrou no ano passado 17 milhões de passageiros (contra 15 milhões em Cumbica) e 620 vôos diários (Cumbica tem 400).

Para conseguir acomodar tanta gente e tantos aviões (sua capacidade máxima atual seria de 12 milhões de passageiros ao ano), foi concluída na última segunda-feira a primeira etapa de uma série de obras realizadas pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A principal novidade é um edifício-garagem que custou 50 milhões de reais e demorou dez anos para ficar pronto. Esse estacionamento, com cinco andares, oferece 3 400 vagas para carros. O antigo tinha 1 200 (agora reduzidas a 350). Pagam-se 7 reais pela primeira hora para parar no edifício-garagem, 24 reais pelo período de 12 horas e 42 reais pela diária. No topo do prédio está sendo construída uma praça com lanchonete, banheiros e sala vip. Isso se junta a uma série de mudanças mais do que necessárias: a área de embarque foi ampliada para 7 100 metros quadrados (antes, eram 2 950), e suas salas passaram a funcionar no mezanino, servido por duas novas escadas rolantes. Também foram instalados oito fingers, como são chamados os tubos que ligam os aviões diretamente ao terminal, evitando que os passageiros tenham de caminhar pela pista para embarcar.

 

Cobertura na calçada: a repaginada no visual ficará pronta em 2007

A Infraero já investiu 42 milhões de reais e está aplicando outros 150 milhões para deixar o complexo mais confortável. Até abril de 2007, deve estar concluída a segunda fase da obra, cujos pontos principais são a reforma da fachada, a ampliação da área de desembarque, uma passagem subterrânea até o edifício-garagem e a separação das ruas que dão acesso aos setores de embarque e desembarque – atualmente, o motorista que vai ao aeroporto é obrigado a transitar pelos dois setores. Mas é a reforma da pista que vem causando mais discussões. Especialmente depois do acidente com um vôo da companhia aérea BRA, no último dia 22. Seu Boeing 737, que vinha do Recife, derrapou durante a aterrissagem e quase caiu na Avenida Washington Luís, sem que nenhum dos 115 passageiros se ferisse. Embora a principal linha de investigação aponte para falha nos freios do avião, há suspeita de problemas no sistema de drenagem da pista.

 

Estacionamento para 3 400 carros: a obra custou 50 milhões de reais

"Já tínhamos um projeto para recapear Congonhas, mas precisamos fazer um plano de ação detalhado para não atrapalhar a vida das companhias aéreas e dos próprios viajantes", diz Eleuza Lores, diretora de engenharia da Infraero. A idéia é reduzir pela metade o número de vôos durante a obra, que deve ser realizada nos meses de julho e agosto. Seriam restringidas as operações a vôos de até noventa minutos de duração. Isso, no entanto, depende da conclusão das obras da segunda pista do Aeroporto de Guarulhos, que devem ser entregues até o fim de junho. Enquanto isso, Congonhas continuará com suas habituais turbulências.

     
   
 
 
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