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TRANSPORTE
Plástica no aeroporto
Congonhas inaugura garagem e faz
obras, em meio a preocupações
com defeitos na pista
Rodrigo Brancatelli
Fotos Daniela Toviansky
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| Saguão reformado: no ano passado, 17
milhões de pessoas passaram por lá |
Desde sua inauguração, há setenta
anos, o Aeroporto de Congonhas sempre enfrentou turbulências.
Antes um lugar quase pacato, logo se viu cercado de casas e depois
de prédios. Com o crescimento da cidade e da aviação
comercial, em duas décadas se transformou no terceiro do
mundo em volume de carga. Mais tarde, experimentou uma queda livre.
Aberto em 1985 o Aeroporto de Cumbica, para onde se transferiram
todos os vôos internacionais e as principais rotas domésticas,
o número de passageiros de Congonhas caiu 60%. Chegou-se
a cogitar seu fechamento, e houve planos de construir na área
um autódromo ou um shopping center. Logo, porém, voltaria
a efervescência. Nos anos 90, com o barateamento das passagens
nacionais, o surgimento de novas empresas aéreas e a entrada
dos jatos na ponte aérea São PauloRio de Janeiro,
Congonhas cresceu como nunca. Hoje é o mais movimentado aeroporto
da América do Sul. Registrou no ano passado 17 milhões
de passageiros (contra 15 milhões em Cumbica) e 620 vôos
diários (Cumbica tem 400).
Para conseguir acomodar tanta gente e tantos aviões
(sua capacidade máxima atual seria de 12 milhões de
passageiros ao ano), foi concluída na última segunda-feira
a primeira etapa de uma série de obras realizadas pela Empresa
Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A
principal novidade é um edifício-garagem que custou
50 milhões de reais e demorou dez anos para ficar pronto.
Esse estacionamento, com cinco andares, oferece 3 400 vagas para
carros. O antigo tinha 1 200 (agora reduzidas a 350). Pagam-se 7
reais pela primeira hora para parar no edifício-garagem,
24 reais pelo período de 12 horas e 42 reais pela diária.
No topo do prédio está sendo construída uma
praça com lanchonete, banheiros e sala vip. Isso se junta
a uma série de mudanças mais do que necessárias:
a área de embarque foi ampliada para 7 100 metros quadrados
(antes, eram 2 950), e suas salas passaram a funcionar no mezanino,
servido por duas novas escadas rolantes. Também foram instalados
oito fingers, como são chamados os tubos que ligam os aviões
diretamente ao terminal, evitando que os passageiros tenham de caminhar
pela pista para embarcar.
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| Cobertura na calçada: a repaginada
no visual ficará pronta em 2007 |
A Infraero já investiu 42 milhões
de reais e está aplicando outros 150 milhões para
deixar o complexo mais confortável. Até abril de 2007,
deve estar concluída a segunda fase da obra, cujos pontos
principais são a reforma da fachada, a ampliação
da área de desembarque, uma passagem subterrânea até
o edifício-garagem e a separação das ruas que
dão acesso aos setores de embarque e desembarque atualmente,
o motorista que vai ao aeroporto é obrigado a transitar pelos
dois setores. Mas é a reforma da pista que vem causando mais
discussões. Especialmente depois do acidente com um vôo
da companhia aérea BRA, no último dia 22. Seu Boeing
737, que vinha do Recife, derrapou durante a aterrissagem e quase
caiu na Avenida Washington Luís, sem que nenhum dos 115 passageiros
se ferisse. Embora a principal linha de investigação
aponte para falha nos freios do avião, há suspeita
de problemas no sistema de drenagem da pista.
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| Estacionamento para 3 400 carros: a obra
custou 50 milhões de reais |
"Já tínhamos um projeto para
recapear Congonhas, mas precisamos fazer um plano de ação
detalhado para não atrapalhar a vida das companhias aéreas
e dos próprios viajantes", diz Eleuza Lores, diretora de
engenharia da Infraero. A idéia é reduzir pela metade
o número de vôos durante a obra, que deve ser realizada
nos meses de julho e agosto. Seriam restringidas as operações
a vôos de até noventa minutos de duração.
Isso, no entanto, depende da conclusão das obras da segunda
pista do Aeroporto de Guarulhos, que devem ser entregues até
o fim de junho. Enquanto isso, Congonhas continuará com suas
habituais turbulências.
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