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BICHOS
Os
restaurantes
se rendem aos lulus
Depois
de conquistar espaço nos
shoppings, cães já
são aceitos em
74 estabelecimentos da cidade
Marcella
Centofanti e Taciana Azevedo
Mario Rodrigues
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| A
modelo Michelly Machri com Fidel, no Porto Luna: para não infringir
a lei nem incomodar os clientes, a presença do golden retriever
é permitida nas mesas que ficam na calçada |
"Fidel"
fica ouriçado quando sai para passear com a modelo Michelly
Machri. "É só eu calçar o tênis que ele
já se anima", conta a ex-garota da Sukita. Quase não
há fronteiras para o golden retriever, que vai com a dona
a hotéis, pousadas, parques, pet shops e mais recentemente...
a restaurantes. Uma vez por mês, os dois podem ser vistos
no Porto Luna, no Itaim, sempre no horário do almoço.
Sentam-se a uma das mesas da calçada, onde a permanência
de Fidel é permitida. "Ele deita no meu pé e não
dá trabalho", assegura a modelo. Tarcísio Mello, proprietário
da casa, aprova a presença do animal. "O ambiente ganha um
ar de praça e os clientes ficam mais à vontade." Mello
não é o único a consentir que lulus entrem
em seu estabelecimento. Dos 470 restaurantes publicados em sistema
de rodízio no Roteiro da Semana de Veja São Paulo,
74 aceitam cachorros. Ou seja, um em cada seis. Entre os bares,
a proporção é maior: um quinto lhes dá
salvo-conduto (48 dos 250). É uma demonstração
e tanto do poder da população canina na cidade, estimada
em 1,5 milhão de animais. Eles já reinam absolutos
em alguns shoppings, como o Higienópolis e o Iguatemi, e
agora ganharam uma padaria especializada no Cambuci.
Para
não infringir as leis estadual e municipal que proíbem
a entrada de bichos em bares e restaurantes, a maior parte das casas
tolera a presença deles apenas na calçada ou em ambientes
abertos. No Villa Tavola, no Bixiga, os cães ganharam em
janeiro um espaço personalizado na área anexa ao restaurante.
Ela dispõe de entrada separada, três casinhas, potes
com água e ração de primeira. A promotora de
eventos Claudia Desimone Fernandes aprovou. Desde que o lugar foi
inaugurado, suas pastoras belgas "Kali" e "Laila" foram incluídas
nas caminhadas que ela e seu marido fazem nas manhãs de domingo.
"Antes não podíamos trazê-las porque não
tínhamos onde deixá-las na hora do almoço",
afirma. Um dos proprietários do Villa Tavola, Wilson Luiz
Pinto dono de um casal de weimaraner, que ele não
leva a restaurantes acredita estar investindo num promissor
nicho de mercado. "Recebemos pelo menos seis animais por semana",
calcula. "É uma maneira de as pessoas não deixarem
de sair por pena do animal." No restaurante Farfalla, no Jardim
Paulista, os cães são bem-vindos mesmo dentro do salão.
"Se for pequeno e ficar no colo, não tem problema", diz a
proprietária Alice Maria Dutra. "Recebo muitos cachorros,
e até agora só houve uma reclamação."
Mario Rodrigues
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| No
Villa Tavola, os cachorros ganharam um espaço próprio, com casinha,
água e ração: "É uma maneira de as pessoas não deixarem de sair
por pena do animal", diz o proprietário Wilson Pinto |
Mas
há, evidentemente, um problema. Para muitos paulistanos,
principalmente os que não gostam ou têm medo de cachorro,
almoçar ou jantar ao lado de um bicho é uma situação
constrangedora. "A presença do cão expõe outras
pessoas ao stress", aponta a consultora de etiqueta Célia
Leão. "Definitivamente, comida não combina com pêlos."
Essa saia justa pode crescer no ano que vem, quando deve entrar
em vigor uma nova lei municipal. A Vigilância Sanitária
discute a possibilidade de autorizar em restaurantes apenas cães
que servem de guias para cegos. "Qualquer decisão deveria
caber exclusivamente aos comerciantes", acredita a ambientalista
Nina Rosa Jacob. "E os donos se responsabilizariam pelo comportamento
de seus animais." Antes de levar o bicho de estimação
ao restaurante, no entanto, é bom informar-se se ele realmente
poderá ir junto. "Há três anos, um cliente trouxe
um filhote escondido numa sacola e soltou-o no jardim, ignorando
a norma da casa", lembra Carlos Frank, proprietário do Meio
Quilo, em Santa Cecília. O resultado foi triste: o cachorro
morreu intoxicado pelo veneno espalhado no canteiro das plantas.
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Polêmica
animal
O
que dizem as leis municipal e estadual:
é proibida a entrada ou permanência de animais
em locais ou estabelecimentos onde se manipulem, beneficiem,
preparem, vendam ou fabriquem produtos alimentícios
O
que diz a consultora de etiqueta Célia Leão:
"É deselegante, porque nem todo mundo gosta de animais.
A presença do cão expõe outras pessoas
ao stress. E, definitivamente, comida não combina com
pêlos. Melhor deixar o animal em casa"
O
que diz a ambientalista Nina Rosa Jacob:
"Proibir é um exagero. A decisão deveria caber
aos proprietários de bares e restaurantes, que julgariam
se seu estabelecimento tem espaço e ambiente adequados
para receber animais. O dono do cachorro, por sua vez, é
quem deve julgar se seu animal é calmo o suficiente
para circular em público"
O
que diz o zootecnista Alexandre Rossi, especialista em comportamento
animal:
"Não é dos lugares mais agradáveis para
um animal, mas ele estará mais feliz ali, ao lado do
dono, do que em casa, sozinho"
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