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5 de janeiro de 2005
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Mestre-cuca por um dia

Escolas de culinária alugam cozinhas profissionais para chefs amadores que querem brilhar como estrelas do fogão

Marcos Buarque de Gusmão

 
Fotos Heudes Régis
Ribeiro (o primeiro à esq.) e seu jantar na Estação Gourmet: menu para vinte pessoas

Entre a legião de paulistanos aficionados de comida, a maioria se satisfaz com o privilégio de ser bem servida à mesa em um dos bons restaurantes da cidade. Mas um número cada vez maior de gastrônomos quer curtir também seu dia de chef. Muitos, é verdade, deixam de vestir o avental e reunir os amigos por não dispor de espaço e utensílios adequados para a saborosa brincadeira. De olho nessa fatia de público, ao menos cinco locais – na maioria escolas de culinária da capital – decidiram abrir suas cozinhas para locação por apenas uma noite. Nelas, encontra-se um verdadeiro parque de diversões: jogos de panelas francesas Le Creuset, char broiler (grelha aquecida com pedras vulcânicas), eletrodomésticos americanos KitchenAid e taças alemãs Spiegelau. O preço é tão salgado quanto algumas receitas. Para bancar o mestre-cuca, gastam-se no mínimo 1 700 reais (veja quadro).

Além de contar com uma infra-estrutura difícil de encontrar em uma cozinha caseira convencional, o cliente vira o dono do pedaço. "Ele pode escolher não só a receita como a seleção musical que irá tocar durante a noite", diz Silvano Pacini, sócio do Casuale, casa no Morumbi que está disponível para aluguel somente às segundas-feiras. Equipes de auxiliares se encarregam de comprar os ingredientes antecipadamente e deixar tudo lavado e cortado. No final, cuidam da louça. Um sommelier pode ajudar na escolha dos vinhos (à custa do anfitrião). Para servir, claro, há garçons. "Cozinheiros profissionais ficam de plantão para prestar algum socorro de urgência", afirma Paula Rizkallah, sócia do Atelier Gourmand, na Rua Bela Cintra, e do Espaço Gourmand, no Shopping Villa-Lobos.

Heloisa, no Espaço Gourmand: "Dá prazer assumir o fogão"

"Dá muito prazer assumir o fogão em lugares como esses", diz a empresária Heloisa Camargo, que participou de um dos cursos oferecidos pelo Espaço Gourmand. "Gostei tanto que já reservei uma data para comemorar o aniversário do meu marido." Apesar de Heloisa estar animada com a novidade, os proprietários de escolas de culinária dizem que essa onda tem despertado mais apetite neles do que nelas. "De dez clientes, nove são homens", conta Gabriela Mascioli, dona do Mille Foglie, nos Jardins, complexo que combina livraria especializada em gastronomia, café e restaurante. "Eles adoram caprichar na finalização dos pratos." Toda primeira segunda-feira do mês, vinte marmanjos da Inc. Confraria se encontram na Estação Gourmet, na Vila Olímpia, para testar suas receitas. A cada vez, um dos membros fica responsável pelo menu e outros dois colegas atuam como auxiliares. "Agimos como se estivéssemos à frente de um restaurante de verdade", diz o arquiteto Ricardo Madeira. A noitada gastronômica custa 3.000 reais, sem bebidas. No último dia 14, a Inc. promoveu sua festa de encerramento de 2004. A missão de comandar as panelas coube ao empresário Daniel Ribeiro, sócio do Cânter Bar, do Jockey Club. Depois de um tartar de salmão e um confit de pato ao molho de jabuticaba, Ribeiro serviu uma sopa de melão orange com perfume de gengibre e frutas vermelhas com espuma de coco. "O menu foi digno de aplausos", afirma.

     
   
 
 
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