| |
| |  | |
GASTRONOMIA
Mestre-cuca por um dia Escolas
de culinária alugam cozinhas profissionais
para chefs amadores que querem brilhar como estrelas do fogão Marcos
Buarque de Gusmão Fotos
Heudes Régis
 |  | Ribeiro
(o primeiro à esq.) e seu jantar na Estação Gourmet:
menu para vinte pessoas |
Entre a legião
de paulistanos aficionados de comida, a maioria se satisfaz com o privilégio
de ser bem servida à mesa em um dos bons restaurantes da cidade. Mas um
número cada vez maior de gastrônomos quer curtir também seu
dia de chef. Muitos, é verdade, deixam de vestir o avental e reunir os
amigos por não dispor de espaço e utensílios adequados para
a saborosa brincadeira. De olho nessa fatia de público, ao menos cinco
locais na maioria escolas de culinária da capital decidiram
abrir suas cozinhas para locação por apenas uma noite. Nelas, encontra-se
um verdadeiro parque de diversões: jogos de panelas francesas Le Creuset,
char broiler (grelha aquecida com pedras vulcânicas), eletrodomésticos
americanos KitchenAid e taças alemãs Spiegelau. O preço é
tão salgado quanto algumas receitas. Para bancar o mestre-cuca, gastam-se
no mínimo 1 700 reais (veja quadro).
Além de contar com uma infra-estrutura difícil de encontrar em uma
cozinha caseira convencional, o cliente vira o dono do pedaço. "Ele pode
escolher não só a receita como a seleção musical que
irá tocar durante a noite", diz Silvano Pacini, sócio do Casuale,
casa no Morumbi que está disponível para aluguel somente às
segundas-feiras. Equipes de auxiliares se encarregam de comprar os ingredientes
antecipadamente e deixar tudo lavado e cortado. No final, cuidam da louça.
Um sommelier pode ajudar na escolha dos vinhos (à custa do anfitrião).
Para servir, claro, há garçons. "Cozinheiros profissionais ficam
de plantão para prestar algum socorro de urgência", afirma Paula
Rizkallah, sócia do Atelier Gourmand, na Rua Bela Cintra, e do Espaço
Gourmand, no Shopping Villa-Lobos.
 | | Heloisa,
no Espaço Gourmand: "Dá prazer assumir o fogão" |
"Dá muito prazer assumir o fogão em lugares como esses", diz a empresária
Heloisa Camargo, que participou de um dos cursos oferecidos pelo Espaço
Gourmand. "Gostei tanto que já reservei uma data para comemorar o aniversário
do meu marido." Apesar de Heloisa estar animada com a novidade, os proprietários
de escolas de culinária dizem que essa onda tem despertado mais apetite
neles do que nelas. "De dez clientes, nove são homens", conta Gabriela
Mascioli, dona do Mille Foglie, nos Jardins, complexo que combina livraria especializada
em gastronomia, café e restaurante. "Eles adoram caprichar na finalização
dos pratos." Toda primeira segunda-feira do mês, vinte marmanjos da Inc.
Confraria se encontram na Estação Gourmet, na Vila Olímpia,
para testar suas receitas. A cada vez, um dos membros fica responsável
pelo menu e outros dois colegas atuam como auxiliares. "Agimos como se estivéssemos
à frente de um restaurante de verdade", diz o arquiteto Ricardo Madeira.
A noitada gastronômica custa 3.000 reais, sem bebidas. No último
dia 14, a Inc. promoveu sua festa de encerramento de 2004. A missão de
comandar as panelas coube ao empresário Daniel Ribeiro, sócio do
Cânter Bar, do Jockey Club. Depois de um tartar de salmão e um confit
de pato ao molho de jabuticaba, Ribeiro serviu uma sopa de melão orange
com perfume de gengibre e frutas vermelhas com espuma de coco. "O menu foi digno
de aplausos", afirma.
 |  |
|