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4 de dezembro de 2002
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ESPETÁCULO

Só falta a lona

Um circo a céu aberto armado no
Parque da
Independência recebe
três trupes da cidade

Mônica Santos


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Em algumas cidades do interior, a chegada do circo ainda provoca euforia em crianças e adultos. Não importa que as companhias mais amadoras nem lona tenham. Bastam algumas estacas de madeira e fitas para delimitar o espaço onde acontece o espetáculo. Essa capacidade do artista de fazer seu número em qualquer lugar e, por um momento, interferir na arquitetura local inspira o projeto Pano de Roda – um picadeiro a céu aberto que será armado no próximo fim de semana no Parque da Independência. Não se trata de uma idéia mambembe. Dois caminhões transportam uma estrutura metálica com 27 metros de diâmetro e arquibancadas almofadadas para 450 pessoas. Ilustrações gigantes e uma tela translúcida dão um ar moderno. Há palhaços, sim. Mas os de importantes companhias teatrais paulistanas: Parlapatões, Patifes & Paspalhões, La Mínima e Pia Fraus.


Paquito

As Bailarinas, da La Mínima: número garantido no Pano
de Roda


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Os três são grupos estáveis, formados por atores profissionais, que se exibem em palcos do país e do exterior. Em comum, têm a afinidade com a estética circense e, cada qual a sua maneira, a facilidade em fazer o público rolar de rir. Os Parlapatões, por exemplo, dominam o improviso, são irônicos e verborrágicos. Domingos Montagner e Fernando Sampaio, da La Mínima, divertem com estripulias no trapézio e números clássicos de palhaços. Já a Pia Fraus sabe, como poucos, usar bonecos para contar suas histórias. Com uma verba de 460.000 reais obtida junto ao programa Petrobras Artes Cênicas, eles botaram o pé na estrada encenando, de graça, as peças infantis Nada de Novo (Parlapatões), La Mínima Companhia de Ballet (La Mínima) e Bichos do Brasil (Pia Fraus), além de um espetáculo conjunto. "Apresentar-se em diferentes lugares não é novidade para nós. Neste ano, levamos Bichos do Brasil para Los Angeles, Miami e Bogotá", diz Beto Andretta, da Pia Fraus. "Mas o formato do Pano de Roda, que remete a um circo mambembe, traz um encantamento diferente ao público e aos atores."

 
Luiz Doro/divulgação
Raul Barreto, dos Parlapatões: improviso, ironia e muito escracho

A aventura começou no Rio de Janeiro, ao lado dos Arcos da Lapa, no dia 19 de outubro. Doze dias depois, eles foram a Brasília. Depois, passaram por cidades de seis Estados. São Paulo é a vigésima a receber o circo itinerante. "A partir do ano que vem pretendemos ir para o Norte e o Nordeste, mas dependemos de novos patrocínios", diz o parlapatão Hugo Possolo. O paulistano poderá conferir uma seleção dos melhores números do repertório das três companhias. Isto é, se não chover. Elas continuam firmes no propósito de não usar lona. "Temos uma estrutura excelente e confortável, mas fazemos questão de manter a emoção do teatro de rua, no melhor estilo tomara que não chova", brinca Montagner, da La Mínima.

 
Renato Chauí
Pia Fraus: habilidade para criar e manipular bonecos

 
Pano de Roda (450 lugares). Parque da Independência. Avenida Nazaré, s/nº, Ipiranga. Informações,  3083-6226. Sábado (7) e domingo (8), 19h. Grátis. Ingressos distribuídos uma hora antes do espetáculo.

 

         
     
 
 
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