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CIDADE
Zunzunzum
no ar
São
Paulo ganha seu maior heliporto
privado,
enquanto aumentam reclamações
do
crescente barulho das aeronaves
Valéria
França
Fotos Heudes Regis
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A
pista e o hangar de manutenção do novo Helipark: capacidade
para 140 aeronaves |
Inventado
no início do século passado por um russo naturalizado
americano chamado Igor Sikorsky, que se baseou em desenhos do gênio
renascentista Leonardo da Vinci, o helicóptero é hoje
uma fonte de bons negócios em São Paulo. A qualquer
hora do dia, em qualquer lugar, basta erguer os olhos para ver uma
dessas geringonças de hélices cruzando os céus.
Segundo o Departamento de Aviação Civil, há
424 máquinas circulando na cidade. Cinco anos atrás,
eram 250. É a terceira maior frota do mundo, depois da de
Nova York e da de Tóquio. O trânsito aéreo cresceu
tanto que, no próximo dia 12, será inaugurado o terceiro
e maior heliporto particular da metrópole. Trata-se do Helipark,
que deve desafogar um pouco os aeroportos de Congonhas, Cumbica
e Campo de Marte, nos quais ocorrem 345 operações
diárias de helicópteros. Em Congonhas, nas horas de
pico, os chamados besouros voadores fazem fila no ar até
conseguir permissão para aterrissar, atrapalhando os aviões.
Heudes Regis
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| Regina
Velloso, na sala de embarque de seu empreendimento: projeto
de decoração de João Armentano
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Localizado
em Carapicuíba, próximo ao trecho oeste do Rodoanel
Mário Covas, o novo empreendimento está em um terreno
de 116.000 metros quadrados, o equivalente a catorze campos de futebol.
A pista tem nove pontos de estacionamento e uma área de manobra
de 11.500 metros quadrados. Em anexo, dois hangares com capacidade
para 140 helicópteros receberam isolamento térmico
e acústico. "Os proprietários das aeronaves poderão
monitorá-las 24 horas a partir de um sistema de câmeras
de vídeo", diz a ex-decoradora Regina Velloso, diretora e
sócia do Helipark. Sua estrutura lembra muito a de um aeroporto,
com um conforto semelhante ao das salas vip. O projeto de decoração
é do arquiteto João Armentano, responsável
por alguns endereços badalados da cidade. Na sala de embarque,
por exemplo, no lugar das tradicionais cadeiras de plástico
foram colocados sofás estofados de chenile e couro branco
e arranjos de orquídeas. Os passageiros podem aguardar a
decolagem no bar, atendidos por garçons uniformizados.
Renato Chauí
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Rômulo Fialtini
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| O
Helicidade, no Jaguaré: ponto estratégic |
O
pioneiro Helicentro: aberto em 1994 |
O
Helipark pretende disputar aeronaves com o Helicidade, aberto em
maio no Jaguaré. Em uma área de 18.000 metros quadrados,
o Helicidade fica numa localização privilegiada: perto
da confluência das marginais dos rios Tietê e Pinheiros.
Há outro heliporto em funcionamento, o Helicentro, construído
em 1994 ao lado do Estádio do Morumbi. Considerado um meio
de transporte para milionários, o helicóptero atrai
cada vez mais interessados. "Começam a surgir consórcios
formados por grupos de empresários que rateiam o custo e
o uso da mesma aeronave", explica o comandante Ronaldo Jenkins,
do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. Hoje, o Fusquinha
dos helicópteros, um Robson 22 usado, pode sair por 80.000
dólares.
Mario Rodrigues
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| Heliponto
na Avenida Faria Lima: ruído muito acima
do
permitido |
"São
Paulo ainda está se preparando para esse tipo de transporte,
que cresce a cada ano", afirma o comandante Jenkins. A explosão
no número de helicópteros que cruzam a capital tem
causado alguns problemas. Para quem vive ou trabalha perto de um
dos 175 helipontos oficiais (estima-se que existam pelo menos outros
100 clandestinos), o barulho é um incômodo. "Os moradores
queixaram-se tanto que resolvemos medir o nível de ruído",
diz o arquiteto Roberto Saruê, diretor da Sociedade de Amigos
dos Jardins Europa e Paulistano (Sajep). O ponto escolhido foi a
esquina da Alameda Gabriel Monteiro da Silva com a Avenida Faria
Lima, onde está o Edifício San Paolo, que tem um dos
helipontos mais concorridos da região. No dia 1º de
novembro, às 16 horas, a aterrissagem de um helicóptero
provocou um ruído de 84,5 decibéis 24,5 pontos
acima do permitido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente. Segundo
a medição, foi um barulho 30% maior que o produzido
por um Airbus 320, da TAM, que sobrevoou o prédio poucos
minutos depois.
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Um
giro pelo céu paulistano
Fotos Rogério Albuquerque
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| Patrícia,
Alvarez e as crianças cegas: dez minutos de emoção
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Quem
nunca voou de helicóptero, mas sempre morreu de vontade,
pode aproveitar uma oportunidade um pouco mais em conta para
cruzar o céu paulistano. Há agora, todos os
fins de semana, vôos panorâmicos que custam 82
reais por pessoa mais 1 quilo de alimento não perecível,
que será doado a uma instituição de caridade.
O pequeno tour é rápido. Dura apenas dez minutos,
suficientes para que se veja muita coisa de São Paulo.
O vôo, que começa e termina no Campo de Marte,
passa pelas regiões norte, oeste e central da cidade.
A uma altitude de 150 metros, identificam-se sem dificuldade
alguns marcos paulistanos, como a Catedral da Sé, o
Estádio do Pacaembu e o Masp. "Não imaginava
que minha adrenalina subiria tanto", conta o vendedor José
Alvarez. Dias atrás, ele e sua filha Patrícia
experimentaram a novidade. Não desgrudaram os olhos
da paisagem nem por um instante.
Mais do que pura diversão, o passeio de helicóptero,
que vem se realizando há um mês, tem um objetivo
social. O Voa Brasil (
0800-7708710) foi criado pelo empresário Mauro Baccan
com o objetivo de proporcionar gratuitamente uma emoção
diferente a crianças carentes. Um grupo de jovens cegos
do Instituto Padre Chico, no Ipiranga, foi um dos primeiros
a participar do projeto. Antes de entrar no aparelho, eles
receberam instruções sobre o vôo e puderam
tatear miniaturas para entender melhor o que aconteceria lá
em cima. "Estamos atrás de patrocínios para
atender ainda mais gente", diz Baccan.
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