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NEGÓCIOS
Tudo
por um hóspede
A
abertura de três hotéis de luxo na
cidade acirra a disputa por clientes
paulistanos e turistas
Marcella
Centofanti
Fotos Heudes Regis
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Regis
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| O
Grand Hyatt, na Marginal Pinheiros, um investimento de 100 milhões
de dólares, é o primeiro hotel no Brasil da rede americana,
presente em 39 países. Seus 470 quartos são cuidados por 430
funcionários. O número 1 é o irlandês Myles McGourty (à esq.),
na foto com o chef alemão Achim Lenders, a carioca Cristiana
Castro, diretora de hospedagem, e mais cinco diretores |
No
último dia 19, a cidade ganhou seu maior hotel cinco-estrelas.
Trata-se do Grand Hyatt São Paulo, o primeiro lançamento
da cadeia americana no Brasil. Ele ocupa um imponente prédio
de 22 andares na Marginal Pinheiros, entre o edifício do
BankBoston e a sede da TV Globo. Tem 470 quartos. Nesta segunda-feira
(2), o Unique inicia suas operações, na Avenida Brigadeiro
Luís Antônio. No dia 1º de outubro será
aberto o novo Hilton, também na Marginal Pinheiros, vizinho
ao complexo World Trade Center. Com quinze quartos a mais que o
Hyatt, o Hilton passará a ser o número 1 em tamanho.
Os três empreendimentos de luxo, lançados no período
de um mês e meio, vão competir com outros dez já
existentes na mesma categoria (veja
quadro). A coisa não pára por aí.
Há mais dois super-hotéis a caminho. Um é o
Fasano, de propriedade das famílias Fasano e Diniz, que deve
ficar pronto em janeiro de 2003, no Jardim Paulista. O segundo é
o estabelecimento da rede alemã Kempinski, previsto para
2004, na esquina da avenida Faria Lima com a Juscelino Kubitschek.
Heudes Regis
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| Inter-Continental:
malhação completa com privacidade |
Os empreendimentos foram atraídos pelo imenso número
de eventos realizados na cidade. São cerca de 74.000
por ano, entre congressos, convenções e seminários,
ou 76% das feiras de negócios que acontecem no país.
Desde 1999, porém, a quantidade de hotéis e, principalmente,
de flats cresceu mais que o número de hóspedes. Atualmente,
segundo a Associação Brasileira da Indústria
de Hotéis (Abih), existem 25.000
quartos disponíveis na cidade, 9.000
deles em flats. Até 2004, esses números devem dobrar.
É muita oferta para os 9 milhões de visitantes que
passam por aqui anualmente. Quando os novíssimos hotéis
começaram a sair do papel, cerca de cinco anos atrás,
a taxa de ocupação dos quartos era de 70%. Hoje, gira
em torno de 45%. A crise no setor foi agravada pela má situação
da economia mundial e pelos ecos dos atentados de 11 de setembro.
O que vem por aí é uma guerra, ainda mais acirrada,
por menores preços e melhores serviços. "As tarifas
já são em média 50% mais baixas do que um ano
e meio atrás", diz Nelson Baeta Neves, presidente da Abih
em São Paulo. Nessa disputa ganha não somente o hóspede,
mas também o paulistano, um dos principais trunfos para driblar
a crise. "É fundamental trazer a população
para dentro do hotel", afirma Rahul Vir, diretor de operações
do Renaissance. "Além de constituir uma nova fonte de renda,
o movimento de pessoas da cidade quebra aquela imagem de frieza
e torna o ambiente mais aconchegante para o hóspede."
Leo Feltran
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Heudes Regis
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| A
peça Intimidade Indecente, no Renaissance: sucesso de
público |
O
spa do Hyatt: tratamento de beleza e relaxamento |
Alguns
estabelecimentos conseguem a proeza de se incorporar à vida
da metrópole. Nos anos 20 e 30, o Esplanada, cujo prédio
agora abriga a sede do grupo Votorantim, localizado atrás
do Teatro Municipal, foi um marco da belle époque paulistana.
Na década de 50, o Lord, no Largo do Arouche, onde hoje funciona
o San Raphael, ficou famoso por sua casa de shows, que recebeu estrelas
como a diva francesa Edith Piaf. Depois, brilharam o Othon, na Praça
do Patriarca, que hospedou desde o jazzista Louis Armstrong até
o astronauta Yuri Gagarin, e o Jaraguá, na Rua Major Quedinho,
ponto de encontro de políticos como Juscelino Kubitschek
e Carlos Lacerda. Inaugurado em 1953, o Ca'd'Oro, na Rua Augusta,
tornou-se um marco gastronômico. Por vários anos, seu
restaurante foi o favorito dos gourmets de São Paulo. Na
década de 70, veio a primeira rede internacional, o Hilton,
cujo prédio, de formato cilíndrico, virou cartão-postal.
Nos anos 80, o Maksoud tornou-se sinônimo de glamour. Seu
lobby de teto altíssimo (uma antiga marca do Hyatt) é
um referencial arquitetônico de São Paulo. Atualmente,
o Renaissance desempenha parte desse papel, com seu belo teatro
e seu saguão sempre movimentado.
Fotos Heudes Regis
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egis
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| O
Unique (à esq.), de Jonas Siaulys (ao centro),
ladeado por suas grifes: o decorador Armentano, o chef Bassoleil,
o arquiteto Ohtake e o paisagista Elkis |
O Hyatt,
cuja construção representa um investimento de 100
milhões de dólares, pretende tomar esse lugar. Montar
um hotel com sua estrutura exige um trabalho monstruoso. Durante
dez anos, o gerente-geral da unidade brasileira, o irlandês
Myles McGourty, fez visitas periódicas a São Paulo
para estudar o mercado e buscar a localização perfeita
para o edifício. McGourty, que tem vinte anos de experiência
na rede, mudou-se para cá no começo de 2000, quando
a obra foi iniciada. Desde então se vem adaptando à
vida paulistana. Ao lado de outros diretores (são sete, entre
eles cinco estrangeiros), freqüenta restaurantes como o Gero
e o Cantaloup. Aos sábados, eles vão comer feijoada
no A Figueira Rubaiyat. McGourty comanda 430 funcionários
e, há três semanas, acumula a função
de vice-presidente regional para a América do Sul. Uma de
suas apostas para conquistar o paulistano é a gastronomia.
Começaram a funcionar no Hyatt três ambiciosos restaurantes.
Um deles, o Kinu, tem como chef o japonês Yassuo Asai, que
já fez várias visitas à Ceagesp para conhecer
os peixes brasileiros. Saiu fotografando tudo com sua câmera
digital e se encantou com o pintado. Agora, quer saber como incorporar
as iguarias nacionais a sua culinária. Responsável
pela cozinha do Eau, o francês Pascal Valero que trabalhou
no badalado Hotel Costes e no Taillevent, ambos em Paris
recentemente descobriu a danceteria Disco, na Vila Olímpia.
Há ainda um restaurante italiano, que, no almoço,
atende em sistema de bufê. As cozinhas são supervisionadas
pelo alemão Achim Lenders, que durante catorze anos atuou
em hotéis da rede na China, no Japão, na Coréia
do Sul, nas Filipinas, na Inglaterra e na Alemanha.
Fotos Heudes Regis

O
novo Hilton, na Marginal Pinheiros, que deve ser inaugurado
no dia 1º de outubro: com 485 quartos (acima, um deles),
será o maior hotel de São Paulo |
egis
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Das
janelas do Hyatt avista-se a silhueta de seu próximo concorrente,
o Hilton. O subsolo do Hilton é interligado ao de outro cinco-estrelas,
o Gran Meliá. Investiram-se ali 90 milhões de dólares.
No topo do edifício de 27 andares foram montados um spa e
uma academia. As janelas proporcionam vista panorâmica de
360 graus da Zona Sul da cidade. O futuro do Hilton da Avenida Ipiranga
ainda é incerto. Por contrato, ele permanecerá por
lá até 2006. "O centro, hoje, é a região
da Berrini", acredita o gerente-geral do Hilton, o argentino Tom
Potter. O Unique resolveu fixar-se numa área diferente, a
esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Rua
Henrique Martins, no Jardim Paulista. "Estar ao lado do Parque do
Ibirapuera e próximo à Paulista é um privilégio",
declara Jonas Siaulys, 31 anos, que ganhou o hotel de seu pai, Victor
Siaulys, um dos proprietários do laboratório farmacêutico
Aché. Nesta semana, o Unique entra em sistema de soft
opening (abertura parcial). Como o Emiliano e o Fasano, que
devem brigar pelo mesmo público, ele não faz parte
de nenhuma cadeia internacional. Tem 95 quartos e pretende oferecer
atendimento no estilo dos hotéis-butiques, como o L'Hotel.
Para desenvolver o projeto, foram contratados nomes de grife. A
decoração é assinada por João Armentano,
Gilberto Elkis cuida do paisagismo e o chef Emmanuel Bassoleil,
de toda a cozinha. A arquitetura, um tanto chocante, é de
Ruy Ohtake. Ele criou corredores escuros e paredes sinuosas. O elevador
foi pintado de preto. A piscina é vermelha e tem som subaquático.
Não há recepção. O check-in é
registrado em um palmtop enquanto o hóspede se dirige ao
quarto. "Fizemos tudo diferente mesmo, de propósito", afirma
Jonas Siaulys. "Só assim conseguiremos nos destacar em meio
a tanta concorrência."
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