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CIDADE
Agora
começa a confusão
Plano
Diretor é aprovado com
emendas que liberam
comércio
em bairros residenciais
Valéria
França
Rogerio Albuquerque
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| Entrada
da Daslu, na Vila Nova Conceição: uma das lojas beneficiadas
com as mudanças |
Depois
de seis meses de muita discussão, a prefeitura conseguiu
aprovar na Câmara Municipal o Plano Diretor, conjunto de normas
que traça metas de desenvolvimento econômico, transporte
e circulação, além de ordenar o uso do solo
da cidade. A votação ocorreu na manhã do dia
23. Durante a madrugada, no entanto, o vereador José Mentor,
ex-líder do governo, condicionou a votação
do plano à inclusão de dez emendas, que alteram a
Lei de Zoneamento. A maioria legaliza o comércio estabelecido
irregularmente em bairros residenciais. "Tratou-se de uma exigência
necessária para conseguirmos o apoio da maioria do plenário",
diz Nabil Bonduki, relator do Plano Diretor.
Vereadores
da bancada do PT e da oposição encaminharam na quarta-feira
uma carta à prefeita Marta Suplicy pedindo o veto de todos
os artigos que contenham as tais emendas. Até quinta, ela
não se havia pronunciado. O processo de aprovação
do plano promete agora causar muita confusão. Tanto que uma
das emendas incluídas se refere a uma esquina que não
existe (veja quadro).
As alterações, que transformam áreas estritamente
residenciais em mistas, atingem trechos de ruas e avenidas de oito
bairros da cidade, entre eles a Vila Nova Conceição,
o Morumbi, a Bela Vista e o Mandaqui. Eles passam a ter novas regras
de ocupação do solo. Lojas e restaurantes poderão
se instalar ali, e as construções terão áreas
maiores que as permitidas atualmente.
"A
prefeitura está colaborando para a deterioração
do bairro", acredita o jurista Dalmo de Abreu Dallari, da Associação
dos Moradores da Vila Nova Conceição. "Nosso medo
é que as outras vias sejam invadidas pelo comércio."
Até o ano passado, havia no bairro cerca de cinqüenta
imóveis com processo de fechamento administrativo tramitando
na prefeitura. Um deles é o que abriga a Daslu, a mais sofisticada
loja da cidade. Como sua inauguração é anterior
à Lei de Zoneamento, ela poderia funcionar. Ao longo dos
anos, porém, foram realizadas ampliações que
a deixaram com 10.000 metros quadrados
de área. A loja permaneceu aberta amparada em uma liminar
concedida pela Justiça. "Estávamos pedindo havia quatro
anos essa regularização", comemorou Antonio Carlos
Fiore, diretor administrativo da Daslu.
As
emendas do Plano Diretor também criaram três corredores
de uso especial: na Rua Canadá, no Jardim Europa; na Avenida
Lineu de Paula Machado, no Morumbi; e na Rua Doutor Jesuíno
Maciel, no Campo Belo. Esses pontos poderão abrigar escritórios,
consultórios, bancos, agências de turismo, galerias
de arte e estacionamentos. Terão o mesmo zoneamento da Alameda
Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim Paulistano, que se transformou
em reduto das lojas de decoração mais caras da cidade.
Motivo de atrito entre poder público e comerciantes havia
anos, a rua espantosamente ficou de fora da nova confusão.
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INVENTARAM
UMA
ESQUINA
Uma
das emendas aprovadas na Câmara determina que
a zona mista do bairro de Mirandópolis comece
"no cruzamento da Rua Luís Góis com a
Avenida Professor Ascendino Reis". O cruzamento não
existe
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