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ARTE
Mestre
da gravura
Genialidade
do holandês Rembrandt
pode ser vista
nas 83 águas-fortes
da mostra no CCBB
Lúcia
Monteiro
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| Auto-retrato,
Apoiado num Muro de Pedra, de 1639: inspirado na Renascença
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Está
chegando à cidade uma bela exposição: 83 gravuras
de Rembrandt, um dos maiores artistas da história. Retratos,
auto-retratos, cenas bíblicas e paisagens, produzidos em
várias fases de sua carreira, estarão espalhados por
dois andares do Centro Cultural Banco do Brasil a partir do sábado
(7). Fazem parte do acervo do Museu Casa de Rembrandt, de Amsterdã,
que também enviou quarenta gravuras de outros autores que
influenciaram o mestre holandês ou foram influenciados por
ele. Sua inovação foi usar artisticamente a técnica
da água-forte, inventada na Idade Média para decorar
armaduras e outros objetos. O resultado é uma liberdade de
traçado muito grande, pois com a água-forte não
é necessário fazer força alguma para esculpir
a matriz. Até então, os gravuristas golpeavam diretamente
placas de cobre ou de madeira, o que produzia um traçado
brusco. Rembrandt aplicava uma camada de cera sobre a placa de cobre.
Desenhava com uma agulha, que escorregava facilmente sobre a cera.
Em seguida, mergulhava a placa num recipiente com ácido,
que corroía o cobre apenas nos trechos marcados pela agulha,
e retirava a cera, formando um baixo-relevo. Depois disso, bastava
passar a tinta e imprimir no papel.
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| Detalhe
de Cristo Pregando: entre as mais cobiçadas da época
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Detalhe
de Vista de Amsterdã: impressão deixou a cidade invertida
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Para
explicar aos visitantes como Rembrandt trabalhava, foi montada uma
oficina de desenho no subsolo do CCBB. Os interessados poderão
usar o bico-de-pena, criar matrizes e imprimir cópias. Rembrandt
van Rijn (1606-1669) não numerava suas cópias, mas
calcula-se que existam no máximo vinte de uma mesma matriz,
pois as placas de cobre se desgastam a cada reprodução.
A idade das gravuras e a dificuldade de encontrá-las (muitas
se perderam) fazem com que cheguem a custar 300.000
dólares no mercado de arte. Elas foram responsáveis
por difundir a obra de Rembrandt pelo mundo e contribuíram
para seu reconhecimento em vida. "Embora ele tenha sido criticado
por seus contemporâneos por pintar com cores muito escuras
e usar as tintas como massas de modelar, suas gravuras sempre tiveram
grande aceitação", afirma o especialista em arte Pieter
Tjabbes, um dos organizadores da mostra. É uma ótima
oportunidade para os paulistanos conhecerem não só
obras de um gênio como também, para quem nunca foi
lá, o Centro Cultural Banco do Brasil.
Rembrandt
e a Arte da Gravura. Centro
Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112,
centro,
3113-3651, Metrô Sé.
Terça a domingo, 12h às 19h30. Grátis.
Estac. com serviço de van na Rua da Consolação,
228 (R$ 7,00 por três horas). Até 3 de novembro. |
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