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4 de setembro de 2002
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ARTE

Mestre da gravura

Genialidade do holandês Rembrandt
pode ser
vista nas 83 águas-fortes
da mostra no CCBB

Lúcia Monteiro


Auto-retrato, Apoiado num Muro de Pedra, de 1639: inspirado na Renascença


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Está chegando à cidade uma bela exposição: 83 gravuras de Rembrandt, um dos maiores artistas da história. Retratos, auto-retratos, cenas bíblicas e paisagens, produzidos em várias fases de sua carreira, estarão espalhados por dois andares do Centro Cultural Banco do Brasil a partir do sábado (7). Fazem parte do acervo do Museu Casa de Rembrandt, de Amsterdã, que também enviou quarenta gravuras de outros autores que influenciaram o mestre holandês ou foram influenciados por ele. Sua inovação foi usar artisticamente a técnica da água-forte, inventada na Idade Média para decorar armaduras e outros objetos. O resultado é uma liberdade de traçado muito grande, pois com a água-forte não é necessário fazer força alguma para esculpir a matriz. Até então, os gravuristas golpeavam diretamente placas de cobre ou de madeira, o que produzia um traçado brusco. Rembrandt aplicava uma camada de cera sobre a placa de cobre. Desenhava com uma agulha, que escorregava facilmente sobre a cera. Em seguida, mergulhava a placa num recipiente com ácido, que corroía o cobre apenas nos trechos marcados pela agulha, e retirava a cera, formando um baixo-relevo. Depois disso, bastava passar a tinta e imprimir no papel.


Detalhe de Cristo Pregando: entre as mais cobiçadas da época Detalhe de Vista de Amsterdã: impressão deixou a cidade invertida

Para explicar aos visitantes como Rembrandt trabalhava, foi montada uma oficina de desenho no subsolo do CCBB. Os interessados poderão usar o bico-de-pena, criar matrizes e imprimir cópias. Rembrandt van Rijn (1606-1669) não numerava suas cópias, mas calcula-se que existam no máximo vinte de uma mesma matriz, pois as placas de cobre se desgastam a cada reprodução. A idade das gravuras e a dificuldade de encontrá-las (muitas se perderam) fazem com que cheguem a custar 300.000 dólares no mercado de arte. Elas foram responsáveis por difundir a obra de Rembrandt pelo mundo e contribuíram para seu reconhecimento em vida. "Embora ele tenha sido criticado por seus contemporâneos por pintar com cores muito escuras e usar as tintas como massas de modelar, suas gravuras sempre tiveram grande aceitação", afirma o especialista em arte Pieter Tjabbes, um dos organizadores da mostra. É uma ótima oportunidade para os paulistanos conhecerem não só obras de um gênio como também, para quem nunca foi lá, o Centro Cultural Banco do Brasil.

 
Rembrandt e a Arte da Gravura. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, centro, 3113-3651, Metrô Sé. Terça a domingo, 12h às 19h30. Grátis. Estac. com serviço de van na Rua da Consolação, 228 (R$ 7,00 por três horas). Até 3 de novembro.

         
     
 
 
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