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4 de agosto de 2004
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Quanta sujeira!

Repórter percorre a Avenida Paulista
a pé e recebe 38 folhetos.
De carro,
ganha outros 54 em menos de três horas

Luisa Alcantara e Silva


Grupo de panfleteiras no domingo: cerco aos motoristas

De segunda a sexta, circula pela Avenida Paulista 1,5 milhão de pessoas por dia. Com um movimento desses, o cartão-postal da cidade é um lugar e tanto para quem quer divulgar um serviço ou empresa. Isso até que não custa caro. Manter um outdoor ali por quinze dias, por exemplo, sai em média por 1 200 reais. Mas há uma forma muito mais barata. Cabeleireiros, auto-escolas e papelarias conseguem atrair a atenção de uma parte da multidão que passa por lá graças a um tipo de profissional que é cada vez mais visto na paisagem urbana: os entregadores de panfletos. Na última segunda-feira, Veja São Paulo percorreu a pé os dois lados da avenida para saber quantos desses anúncios podem chegar às mãos dos pedestres (e muitas vezes vão direto emporcalhar a calçada). A repórter recebeu 38 folhetos. No domingo, o teste foi feito de carro. Em menos de três horas, passando por diversas ruas do centro e das zonas Sul, Leste e Norte, foram apanhados 54 desses panfletos.


Entregadora na Paulista: cada impresso pode custar menos de 1 centavo

É uma montanha de papel. Grande parte dela é ilegal. A publicidade é permitida apenas aos sábados, domingos e feriados. Uma lei municipal regulamenta a atividade. As empresas devem distribuir apenas material reciclável, limpar o entorno no fim do dia e pagar uma taxa de 525 reais à prefeitura. Todo material deve trazer também a frase "Não jogue este impresso na via pública", determinação que não foi seguida em sete das 54 propagandas de imobiliárias e revendas de automóveis recolhidas no teste. Quem for pego distribuindo panfletos sem autorização pode receber multa de até 1 000 reais.


Frase que deve constar na propaganda: mais de 10% desrespeitaram a lei

Segundo dados da associação que reúne os distribuidores de papéis imobiliários, a Apepe, cerca de 8 000 pessoas entregam 5,6 milhões de folhetos todos os fins de semana. Comprados em grandes quantidades, anúncios simples chegam a custar menos de 1 centavo a unidade. Os panfleteiros trabalham das 9 às 17 horas, com uma hora para almoço e vinte minutos de descanso. E não podem parar nem um minuto. Supervisores são destacados para ver se ninguém está fazendo corpo mole. "Se o farol fechar e eu não for correndo entregar o material, posso ser despedida", diz a estudante Amanda Amaro, que cursa o 3º ano do ensino médio e ganha com o bico 160 reais por mês.


     
   
 
 
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