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MODA
Fashion
Week S/A
Na
maior vitrine da moda
brasileira,
não circulam somente algumas das mais
cobiçadas e deslumbrantes beldades do
mundo. Pelos corredores da Bienal, desfilam
também estilistas envaidecidos, famosos
alvoroçados, empresários poderosos. Tudo
em meio a muitos babados, chiliques e tititis
Erika
Sallum, Flávia Salvetti e Lúcia Monteiro
Patricia Santos/AE
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Hélvio Romero/AE
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| Gisele
Bündchen, para Zoomp |
Rodrigo
Santoro, para Ricardo Almeida |
Alexandre Schneider
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Mario Rodrigues
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Alexandre Schneider
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Mario Rodrigues
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Da
decoração dos banheiros femininos, bancada por uma
marca de absorvente, ao ferro que as camareiras usam para passar
as roupas dos estilistas, quase tudo é patrocinado na 16ª
São Paulo Fashion Week, que termina na terça-feira
na Bienal do Ibirapuera. Vincular o nome da marca ao megaevento,
cujo custo gira em torno de 5 milhões de reais, é
garantia de exposição. São 43 desfiles de 37
grifes, 200 modelos, um batalhão de 1 100 jornalistas e 90
000 espectadores. O frisson para ver-e-ser-visto é tanto
que os organizadores colocaram alunos de faculdades de moda com
camisetas numeradas para guardar o lugar dos vips na primeira fila
dos desfiles. Por dia, pagam 30 reais aos estudantes e garantem,
assim, que as celebridades apareçam e sejam fotografadas
como manda o figurino. Neste ano, cachorro, cobra e cavalo também
tiveram seu espaço na passarela. Bem-vindos ao mundo da Fashion
Week S/A.
As
tops
Fotos Patricia Santos/AE
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os/AE
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| Elettra
Rossellini, para Carlota Joakina |
Mariana
Weickert, para Triton |
A
cada edição do evento, centenas de corpos magérrimos
sonham em pisar nas passarelas da Bienal. Duzentos modelos conseguem.
Como nas grandes empresas, o mundo fashion tem uma hierarquia muito
bem definida. As chamadas new faces ou C formam o maior grupo.
Estão no início de carreira e ganham 400 reais por
desfile. Num patamar acima ficam as new tops ou B, promessas
da temporada, com cachês de até 1.000
reais. As tops, que recebem pelo menos 5.000
reais por desfile, não passam de vinte. Neste caso, são
os patrocinadores da São Paulo Fashion Week que bancam as
principais beldades: Letícia Birkheuer, Ana Hickmann, Jeísa
Chiminazzo, Liliane Ferrarezi e a italiana Elettra Rossellini. Para
garantir que não participassem do Fashion Rio, evento considerado
concorrente pelos organizadores, algumas modelos receberam um aumento
de até 50% em relação ao ano passado.
Fotos Patricia Santos/AE
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os/AE
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| Isabeli
Fontana, para Carlota Joakina |
Marcelle
Bittar, para Triton |
Além do ganho bem mais polpudo, as tops são agraciadas
com mimos e mais mimos. Parcerias entre agências e concessionárias
de automóveis garantiram para cada uma delas um carro com
motorista durante a estada em São Paulo. Na hora de relaxar
os pés que deram duro na passarela, tiveram à disposição
as banheiras de hotéis classudos como Emiliano, Unique e
Fasano. Sem falar nos convites para festas concorridas e nos vários
presentes dados pelos estilistas. "Neste ano, elas desfalcaram minha
coleção", conta Renato Kherlakian, da Zoomp. "Levaram
bota, cinto, jeans, tudo! Eu adoro, claro." Ana Beatriz Barros,
que vestiu os biquínis da Cia. Marítima no ano passado,
faturou várias peças da marca. No topo do topo da
carreira, só Gisele Bündchen e o americano R.J., que,
ao lado do ator Rodrigo Santoro, emprestou seu talento ao estilista
Ricardo Almeida. Gisele, financiada por uma empresa da área
de bebidas, veio, esbanjou charme no desfile da Zoomp, fez a alegria
dos fotógrafos com seu olhar 43 e levou extra-oficialmente
100.000 reais.
Os
camarins
Fotos Alexandre Schneider
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os/AE
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| Raro
momento de relax |
Os
seguranças exaltados |
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| A
leitura de Marcelle Bittar |
É
uma afobação só. Ali acontecem os chiliques
e o empurra-empurra. Também pudera. Os quatro camarins concentram
uma quantidade incrível de profissionais. Fora as modelos,
abrigam passadeiras, massagistas, maquiadores, cabeleireiros, fotógrafos,
cinegrafistas, assessores de imprensa, seguranças, bombeiros
e a equipe do bufê (sim, elas comem). As 200 camareiras estão
entre os que menos ganham. A 50 reais por desfile, cada uma é
responsável pelos looks de uma ou duas modelos. Neste ano,
apenas o camarim da sala 3, onde Gisele Bündchen desfilou,
está equipado com banheiro. Foram evitados assim os constrangimentos
do ano passado, quando a top usou um copinho plástico para
fazer xixi (sim, elas fazem).
A
Fuvest das novatas
Fotos Alexandre Schneider
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os/AE
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| Espera
para o casting da Zapping |
O
stylist Felipe Veloso seleciona fotos |
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| Lucy,
14 anos, escolhida para seis desfiles |
Elas
chegam em vans, andam em filas e vestem roupas justinhas, quase
sempre com o umbigo à mostra. Têm entre 14 e 18 anos
e levam a tiracolo seu inseparável book, espécie de
currículo com as melhores fotos e os dados pessoais (leia-se
medidas da cintura, quadris, busto e altura). Vida de modelo em
início de carreira é assim. Chegam a ficar três
horas sentadas esperando por uma avaliação. Os chamados
castings, um funil para selecionar quem vai participar da
Fashion Week, são a parte mais tensa de seu trabalho. É
preciso entrar na sala, deixar o book com o stylist (pessoa que,
junto com o estilista, define qual será a cara do desfile)
e caminhar por uma passarela improvisada. Tudo isso em menos de
cinco minutos.
A equipe de criação de cada marca chega a ficar doze
horas em uma sala, olhando fotos de rostinhos novos. Na semana passada,
na fábrica da Zapping, em Tamboré, a estilista Thais
Losso, o stylist Felipe Veloso e duas ajudantes analisaram 150 modelos
85 foram escolhidos. "Só levamos quem tem a cara da
coleção", explica Sonny Anderson, da agência
Marilyn, que acompanhou o processo. "Na temporada de inverno, faz
sucesso menina de pele bem branca, muito magra e alta." São
exatamente os atributos da gaúcha Lucy Horn, 14 anos, 1,75
metro e 47 quilos. Ela chegou a São Paulo no dia 2 de janeiro,
participou de doze castings e foi selecionada em seis. "Fiquei envergonhada
na hora de desfilar na frente de todo mundo", diz Lucy. "Ainda por
cima tinha de sorrir o tempo inteiro." O mais difícil, no
entanto, é consolar as que nem são aprovadas para
a seleção. Isso porque as grifes avaliam primeiro
os books e só chamam quem interessa. Na agência Wired,
no Brooklin, uma novata abriu o berreiro porque queria de todo jeito
participar de um casting na terça-feira passada e não
havia sido chamada. O chororô não adiantou. Passou
o dia de molho.
As
estrelas do rímel
Alexandre Schneider
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Alexandre Schneider
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Mario Rodrigues
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| Os
retoques finais de Wanderley |
Carrasco,
agora sem Gisele |
Normalmente
agitado, o mundinho beauty pega fogo em época de Fashion
Week. Nesta edição, as estrelas do rímel e
do delineador estão, mais do que nunca, em polvorosa. Tudo
porque a M.A.C., gigante canadense na área de cosméticos,
entrou pesado no mercado brasileiro. Philippe Chansel, maquiador
sênior da empresa, veio de Nova York para assinar o make-up
de nove grifes, entre elas Triton, Forum, G e Rosa Chá. Detalhe:
nenhuma desembolsará nada pelo serviço. A novidade,
é claro, não agradou aos concorrentes da área.
Alguns foram pressionados a maquiar de graça ou por preços
irrisórios para embelezar as modelos de um desfile
normalmente cobram cerca de 5.000 reais. "O
mercado está prostituído, e um dos motivos é
a entrada da M.A.C.", dispara Celso Kamura, responsável pelas
madeixas da prefeita Marta Suplicy. Neste ano, ele cuida de apenas
três desfiles, todos comandados pelo amigo Alexandre Herchcovitch.
Em anos anteriores, fazia o dobro. "Agüentamos muito chilique,
não dá para não cobrar", diz ele, que preparou
para a Cori um visual "bem usável, gráfico, sem referências".
Cabeleireiro da primeira-dama Marisa Letícia da Silva, Wanderley
Nunes chegou a ser criticado pelos colegas por pentear as modelos
que a M.A.C. se encarregava de maquiar. "Ganho mais no salão,
mas só faço a Fashion Week porque minhas clientes
acham o máximo", jura.
Alexandre Schneider
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Mario Rodrigues
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| Philippe
Chansel, da M.A.C. |
Kamura,
fiel a Herchcovitch |
A
carteira de Carlos Carrasco foi a mais afetada. Além de enfrentar
a marca canadense, ele acabou de ficar sem Gisele Bündchen,
sua principal cliente. Na última Fashion Week, a top pediu-lhe
que cancelasse todos os desfiles e fosse com ela para o Rio de Janeiro,
onde gravaria um comercial. Carrasco ousou dizer não à
bela e a perdeu para sempre. "Imagina, ela acha que é a única!"
O
pai da criança
Mario Rodrigues
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Absolutamente
nada acontece na São Paulo Fashion Week sem o conhecimento
ou a autorização de Paulo Borges. Criador da mais
importante semana de moda brasileira, que no início se chamava
MorumbiFashion, ele está por trás de cada detalhe,
da madeira que revestirá as paredes do prédio da Bienal
à escolha das novas grifes que participarão dos desfiles.
Aos 40 anos, Borges tornou-se o empreendedor de moda mais poderoso
do Brasil, capaz de conseguir patrocínios milionários
e atrair celebridades para o evento. Desde 2001, ele também
organiza o Amni Hot Spot, no qual apresenta ao mercado jovens estilistas.
Metódico, exigente, sempre atrasado para seus compromissos,
muitas vezes impaciente, ele gosta de centralizar as principais
decisões, delegando apenas algumas para poucos assistentes
de confiança como a irmã, Graça, seu
braço direito. Adepto da antroposofia, doutrina espiritual
que defende, em linhas gerais, o melhor relacionamento do ser humano
consigo mesmo, com os outros e com a natureza, ele só perde
a pose quando contrariado. Aí, ninguém segura seus
conhecidos chiliques. "Já vi o Paulo expulsar aos berros
de uma sala um produtor que tinha cometido um erro", conta um fotógrafo.
Nos dias que antecedem a Fashion Week, chega a trabalhar dezoito
horas sem parar, sempre segurando um walkie-talkie e dois celulares.
"Tem dia que recebo sessenta recados e mais de 100 mensagens de
texto no celular, fora as ligações que eu atendo",
conta, esbaforido. "Mas, apesar de tudo, sou uma pessoa centrada."
Os
convites
Marcos Rodrigues
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No
restrito mundo da Fashion Week, onde só entra quem é
credenciado, os convites para os desfiles valem ouro. Geralmente
criativos, podem vir na inusitada forma de salame, como fez a Cavalera,
ou em uma gargantilha de pelúcia, opção de
Gloria Coelho. "Gasto uns 15.000 reais só
para confeccioná-los", conta Renato Kherlakian, da Zoomp,
que enviou 1 100 cones de papelão com o famoso raio amarelo.
No total, são distribuídos pelo menos 37.000
convites, e a disputa por um é acirradíssima. "Nessa
época, meu celular não pára de tocar. É
gente de todos os lugares implorando um convite", conta o jornalista
Roberto Ethel, que assessora várias grifes. "Já me
ofereceram até dinheiro, imagine a loucura."
Os
estilistas
Mario Rodrigues
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Alexandre Schneider
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| Herchcovitch
na prova de roupa |
O
precoce Pedro Lourenço |
As
coleções começam a ser preparadas meses antes
de aparecer na passarela. Mesmo assim, a semana que antecede os
desfiles é crucial para os estilistas. Em geral, eles ficam
estressadíssimos. "Só deixo a fábrica perto
da meia-noite e durmo muito mal", conta Amir Slama, da Rosa Chá.
"Resolvo mudar o fundo de uma estampa e depois fico morrendo de
medo de não dar mais tempo." Alguns apelam para o misticismo
e seguem rituais, certos de que desse modo tudo sairá como
manda o figurino. Gloria Coelho já mudou o horário
de seu desfile pela numerologia. Neste ano, consultou três
magos da adivinhação. Seu marido, Reinaldo Lourenço,
faz mapa astral e reza com a equipe minutos antes da apresentação.
Com o filho do casal, Pedro Lourenço, 13 anos, o mais jovem
estilista do evento, é praticamente impossível falar,
tamanha sua agitação. Waldemar Iódice não
abre mão da ginástica, às 7 da manhã,
para manter o equilíbrio. Marcelo Quadros medita. Mário
Queiroz beija cada modelo de sua grife de roupas masculinas.
Fotos Alexandre Schneider
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Fernanda Calfat
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os/AE
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| Kherlakian
com a filha Jéssica |
Ricardo
Almeida |
Renato
Loureiro |
Faniquitos
normalmente acontecem no dia da prova de roupas. O mais temido é
o sisudo Alexandre Herchcovitch. Quando ele está na sala,
dando o toque final nas criações, ninguém à
sua volta pede comida (mesmo depois de horas de trabalho), para
o cheiro não incomodá-lo. Tudo em nome da concentração.
O mineiro Ronaldo Fraga odeia esses últimos momentos. "Tenho
de vestir trinta modelos e prestar atenção nos mínimos
detalhes", conta. "Uma vez o desfile era de cabelo preso e não
reparei que a modelo tinha orelhas de abano."
A
montagem
Mario Rodrigues
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| Longe
dos flashes, 3 000 funcionários armam a festa |
Para
erguer o maior circo da moda brasileira, são contratadas
diretamente cerca de 3.000 pessoas, entre eletricistas,
marceneiros, iluminadores, carregadores... É um mundaréu
de gente que, três semanas antes de o evento começar,
já ocupa o prédio da Bienal 24 horas por dia. Somente
a equipe de limpeza conta com 100 faxineiros, e a segurança,
com 350 homens. Além deles, mais sessenta bombeiros ficam
a postos assim que a Fashion Week tem início para evitar
qualquer incidente. "Passo doze horas com dois rádios ligados
ao mesmo tempo só administrando pepinos", diz o segurança
Fabiano Soares, encarregado há dois anos de impedir a entrada
de pessoas sem credencial no edifício. "Tem um monte de menina
que me passa cantada e dá até o telefone na esperança
de ver algum desfile", revela. "É estressante, mas pelo menos
vejo umas mulheres maravilhosas como a Daniella Cicarelli."
A
imprensa
Mario Rodrigues
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| Os
fotógrafos em busca do melhor ângulo |
Quase
tudo gira em torno dos flashes dos fotógrafos e das câmeras
de TV na São Paulo Fashion Week. Mais de 500 jornais, revistas
e sites do Brasil e do exterior publicam reportagens sobre o evento.
Cerca de 5.000 jornalistas pedem credenciais
para acompanhar os desfiles, mas pouco mais de 1.000
são atendidos. Neste ano, incluíram-se aí 41
profissionais estrangeiros, de países como Itália,
Austrália e Estados Unidos.
Consideradas gurus da moda, editoras como Erika Palomino (Folha
de S. Paulo), Lilian Pacce (GNT) e Jussara Romão (Elle),
sem falar das onipresentes Costanza Pascolato e Gloria Kalil, são
veneradas e temidas pelos estilistas. Uma crítica
delas pode arrasar ou alavancar uma grife e isso vale muito
dinheiro. Outros jornalistas dão duro por um bom lugar na
platéia. No caso dos fotógrafos, a situação
piora: é preciso até delimitar com dias de antecedência
o lugar que cada um ocupará na arquibancada em frente à
passarela, a chamada "marcação de pit". Mesmo assim,
as confusões são inevitáveis. "Há alguns
anos, um jornalista argentino cismou de ficar na nossa frente. Foi
uma xingação e o maior empurra-empurra no meio de
um desfile", conta Claudio Pedroso, da agência inglesa Reuters.
Em toda Fashion Week, ele tira em média 8.000
fotos. "Já fiz lindas imagens de modelos deslumbrantes",
diz Pedroso. "Mas nenhuma olha tão poderosamente para a câmera
quanto a Gisele." É dele a foto que está na capa desta
edição.
O
gargarejo
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| Luciana
Gimenez,
de sapato Gucci e blusa Dolce & Gabbana,
Sérgio Marone, de botas detonadas
e colar de penas, Costanza,
de blazer Rochas
e bolsa Prada, Felipe Veloso,
de jaqueta Isabela
Capeto e muitos colares,
o governador mineiro
Aécio Neves,
de terno Armani e Juliana
Paes, de calça
Diesel e blusa Tempo
4 |
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| Ricardinho
Mansur,
de blusa La Martina e
calça Diesel, Erika Palomino,
de blusa Gucci e sapatos Marc
Jacobs, Supla, com
sapatos rockabilly e
camisa da loja "de uma japa", Dona
Gabriella, de conjunto
feito com tecido
Santaconstancia, Carolina
Dieckmann, de
blusa Lacoste e bolsa Valentino e Lilian
Pacce, de blusa
Renato Loureiro e
calça G |
Não
há lugar mais cobiçado do que a primeira fila dos
desfiles. Apenas alguns artistas, jornalistas especializados, socialites
e poderosos têm cadeira cativa no gargarejo. Quem não
pode faltar? As jornalistas Erika Palomino, Lilian Pacce e Regina
Guerreiro, as consultoras Gloria Kalil e Costanza Pascolato (sempre
com sua mãe, Gabriella), atores da vez, caso de Carolina
Dieckmann e Juliana Paes, e nomes da sociedade, como Yara Baumgart
e Ricardinho Mansur. "Pago hotel e passagem para quem importa assistir
ao meu desfile", diz Renato Kherlakian, da Zoomp. A maioria dos
supervips capricha no modelão para ir ao evento. Confira
os figurinos de alguns deles.
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Só
eles entendem
As
gírias e expressões peculiares do mundinho da
moda
Abalar:
arrasar. "Esse desfile abalou", quer dizer, foi maravilhoso
Absurdo:
algo
demais, bacana, como "chocante" nos anos 80. "Nossa, que calça
absurda", ou seja, que calça linda
Ai,
que boring!:
que
coisa chata, sem graça
Backstage:
o
bom e velho camarim
Bi:
corruptela usada pelos próprios gays quando se referem
a outros gays
Casting:
escolha
das modelos que vão participar do desfile de cada grife
Fazer
sitting:
organizar
os lugares na platéia de um desfile
Hype:
o que está na moda hoje. Pode ser de uma roupa a um
cantor, o importante é ser "hype"
Marcar
pit:
definir a posição de cada fotógrafo na
arquibancada em frente à passarela
Montada
no look:
visual espalhafatoso, exagerado, que mais parece uma drag
queen. "Nossa, como fulana está montada no look!"
Quebrou
tudo:
foi
muito bem. "A Gisele quebrou tudo na passarela"
Stylist:
profissional que ajuda o estilista na escolha do conceito
do desfile, dos modelos que vão participar, dos acessórios
que serão usados e até palpita no cenário
e na trilha sonora
Top:
o melhor, o máximo, não apenas para designar
modelos, mas tudo e todos. O "top maquiador", o "top estilista",
o "top restaurante"
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