Publicidade
 

 
 
 


3 de setembro de 2003
IMÓVEIS
CIDADE
COMPORTAMENTO
CONSUMO
ESCOLAS
SERVIÇOS
BEBIDA
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
AS BOAS COMPRAS
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

ESCOLAS

Boi na linha

Colégios criam regras para disciplinar
a utilização do celular na sala de aula

Erika Sallum


Fotos Heudes Regis
Vanessa, entre os colegas Nicholas e Isadora, do Magister, e o cartaz afixado nas classes: ligações só fora do colégio

Um pouco distraída, a estudante Vanessa Araujo Rebelo, de 12 anos, aluna do Colégio Magister, em Interlagos, volta e meia esquece em casa cadernos e livros. Mas de uma coisa ela raramente se separa: seu celular, guardado sempre no bolso do uniforme. Depois de pedi-lo por um ano a sua mãe, Vanessa conseguiu o aparelho dois meses atrás. E logo aprendeu que, ao pisar na escola, tem de desligá-lo. "Meus professores ensinaram que atender a uma ligação durante a aula atrapalha todo mundo", conta ela, que pagou seu celular (um modelo de 299 reais) economizando o dinheiro que seus pais lhe dão vez por outra. "Tem horas que deixo no vibracall para poder ver quem está me ligando", admite. O Magister é um dos colégios paulistanos que decidiram agir diante da febre dos celulares nas instituições de ensino. Em quase todas as escolas particulares, é cada vez mais comum a cena de meninos e meninas empunhando o aparelhinho. Se há alguns anos ele era quase restrito a adolescentes do ensino médio, hoje pode ser visto nas mãos de crianças de 9 anos ou menos.

Renata Ursaia
A designer Ana com a filha, Gabi: conta paga com a mesada


"As inúmeras promoções das empresas de telefonia tornaram o celular acessível a todos", diz Patrícia Muniz, coordenadora pedagógica da 5ª à 8ª série do Magister. "Diante de preços tão tentadores e pressionados pelos filhos, que vêem o telefone como sinal de status, os pais não conseguem falar não." Os primeiros celulares que apareceram no colégio, uns dois anos atrás, renderam uma boa dor de cabeça à coordenadora. "Tivemos de pedir a uma mãe que proibisse o filho de trazer o seu para cá depois de ele ter atendido a ligações várias vezes na aula." Em viagens com as turmas para fora da cidade, foi decretado que não se pode telefonar durante o passeio – somente na volta, e quando o ônibus entra em São Paulo. "Caso contrário, vira bagunça", afirma Patrícia. "É pai ligando bem na hora da visita a um museu ou criança conversando com um amigo da rua em vez de interagir com o colega de classe." Cartazes que anunciam a proibição do uso de celular na sala foram afixados nas paredes. Telefonar dentro do colégio, então, nem pensar – exceto no horário de saída. "Perco a concentração ao ouvir um tocando quando o professor explica uma matéria. Por isso, nem deixo o meu ligado", diz o estudante Nicholas Gonçalves Ruiz, que aos 12 anos já está em seu terceiro modelo.

O Bandeirantes também desestimula os alunos a levar celular para a escola. Por meio de conversas, os orientadores mostram que o aparelho só deve ser usado em casos de extrema necessidade e que uma conta telefônica custa dinheiro. Os alunos podem fazer ligações nos corredores e durante o intervalo. "Apesar de ser um objeto com muitas vantagens, principalmente a de deixar os pais seguros numa cidade violenta como a nossa, acaba incentivando o consumismo na criançada", acredita Maria Angela de Azevedo Antunes, coordenadora do departamento de orientação educacional do Bandeirantes. "Tentamos convencer os pais de que ele é adequado para jovens a partir dos 15 anos, com vida mais independente e com cabeça para saber usá-lo."

Mesmo com as restrições das escolas, o celular virou coqueluche. Basta uma passada pela porta de alguns colégios para ver grupinhos de garotas com os seus, quase sempre multicoloridos e repletos de penduricalhos. Sobressai quem tem o modelo mais moderno e enfeitado. Para evitar abusos, os pais geralmente optam pelos pré-pagos. "Minha filha paga a conta com a mesada dela. É uma forma de ensiná-la a ter responsabilidade", diz a designer Ana Cristina Westphal, mãe da pequena Gabriela, aluna do Madre Alix, no Jardim Paulistano. Aos 9 anos, a menina adora telefonar para as amigas – mas nunca no colégio, que proíbe ligações em sala de aula. Em casa, Gabi prefere usar o telefone fixo. "Sai muito mais barato", afirma, cheia de si.

 

O que a garotada curte

Oscar Cabral


Mandar torpedos tirando sarro dos colegas de classe ou pregando peças neles.
Colocar o celular no modo silencioso e atender bem baixinho à ligação para despistar os professores.
Encher o aparelho de enfeites e adesivos.
Telefonar para os amigos na hora do intervalo.
Baixar pela internet toques diferentes, em geral de músicas famosas.
Passar horas brincando com os joguinhos disponíveis.


O que as escolas recomendam

Jamais deixar o aparelho ligado em sala de aula, mesmo no vibracall.
Lembrar sempre ao aluno que ele faz parte de um grupo e que o uso inadequado do celular pode atrapalhar toda a classe.
Fazer ligações só na hora da saída, já que o intervalo é feito para brincar e conviver com os colegas.
Atender a uma ligação somente em caso de emergência, sempre avisando os coordenadores.

 

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados