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ESCOLAS
Boi
na linha
Colégios
criam regras para disciplinar
a
utilização do celular na sala de aula
Erika
Sallum
Fotos Heudes Regis
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| Vanessa,
entre os colegas Nicholas e Isadora, do Magister, e o cartaz
afixado nas classes: ligações só fora do
colégio |
Um
pouco distraída, a estudante Vanessa Araujo Rebelo, de 12
anos, aluna do Colégio Magister, em Interlagos, volta e meia
esquece em casa cadernos e livros. Mas de uma coisa ela raramente
se separa: seu celular, guardado sempre no bolso do uniforme. Depois
de pedi-lo por um ano a sua mãe, Vanessa conseguiu o aparelho
dois meses atrás. E logo aprendeu que, ao pisar na escola,
tem de desligá-lo. "Meus professores ensinaram que atender
a uma ligação durante a aula atrapalha todo mundo",
conta ela, que pagou seu celular (um modelo de 299 reais) economizando
o dinheiro que seus pais lhe dão vez por outra. "Tem horas
que deixo no vibracall para poder ver quem está me ligando",
admite. O Magister é um dos colégios paulistanos que
decidiram agir diante da febre dos celulares nas instituições
de ensino. Em quase todas as escolas particulares, é cada
vez mais comum a cena de meninos e meninas empunhando o aparelhinho.
Se há alguns anos ele era quase restrito a adolescentes do
ensino médio, hoje pode ser visto nas mãos de crianças
de 9 anos ou menos.
Renata Ursaia
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| A
designer Ana com a filha, Gabi: conta paga com a mesada
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"As inúmeras promoções das empresas de telefonia
tornaram o celular acessível a todos", diz Patrícia
Muniz, coordenadora pedagógica da 5ª à 8ª
série do Magister. "Diante de preços tão tentadores
e pressionados pelos filhos, que vêem o telefone como sinal
de status, os pais não conseguem falar não." Os primeiros
celulares que apareceram no colégio, uns dois anos atrás,
renderam uma boa dor de cabeça à coordenadora. "Tivemos
de pedir a uma mãe que proibisse o filho de trazer o seu
para cá depois de ele ter atendido a ligações
várias vezes na aula." Em viagens com as turmas para fora
da cidade, foi decretado que não se pode telefonar durante
o passeio somente na volta, e quando o ônibus entra
em São Paulo. "Caso contrário, vira bagunça",
afirma Patrícia. "É pai ligando bem na hora da visita
a um museu ou criança conversando com um amigo da rua em
vez de interagir com o colega de classe." Cartazes que anunciam
a proibição do uso de celular na sala foram afixados
nas paredes. Telefonar dentro do colégio, então, nem
pensar exceto no horário de saída. "Perco a
concentração ao ouvir um tocando quando o professor
explica uma matéria. Por isso, nem deixo o meu ligado", diz
o estudante Nicholas Gonçalves Ruiz, que aos 12 anos já
está em seu terceiro modelo.
O
Bandeirantes também desestimula os alunos a levar celular
para a escola. Por meio de conversas, os orientadores mostram que
o aparelho só deve ser usado em casos de extrema necessidade
e que uma conta telefônica custa dinheiro. Os alunos podem
fazer ligações nos corredores e durante o intervalo.
"Apesar de ser um objeto com muitas vantagens, principalmente a
de deixar os pais seguros numa cidade violenta como a nossa, acaba
incentivando o consumismo na criançada", acredita Maria Angela
de Azevedo Antunes, coordenadora do departamento de orientação
educacional do Bandeirantes. "Tentamos convencer os pais de que
ele é adequado para jovens a partir dos 15 anos, com vida
mais independente e com cabeça para saber usá-lo."
Mesmo
com as restrições das escolas, o celular virou coqueluche.
Basta uma passada pela porta de alguns colégios para ver
grupinhos de garotas com os seus, quase sempre multicoloridos e
repletos de penduricalhos. Sobressai quem tem o modelo mais moderno
e enfeitado. Para evitar abusos, os pais geralmente optam pelos
pré-pagos. "Minha filha paga a conta com a mesada dela. É
uma forma de ensiná-la a ter responsabilidade", diz a designer
Ana Cristina Westphal, mãe da pequena Gabriela, aluna do
Madre Alix, no Jardim Paulistano. Aos 9 anos, a menina adora telefonar
para as amigas mas nunca no colégio, que proíbe
ligações em sala de aula. Em casa, Gabi prefere usar
o telefone fixo. "Sai muito mais barato", afirma, cheia de si.
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