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CIDADE
Olha
o guincho!
Quadruplica
o número de
carros rebocados pela CET
Otávio
Canecchio
Renata Ursaia
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Há
duas semanas, a empresária Andrea Nathan fechou sua casa
noturna na Rua Bela Cintra por volta das 6 horas da manhã.
Naquele sábado, preferiu deixar o Ford Ka estacionado em
frente ao estabelecimento e seguiu a pé para casa, alguns
metros adiante. À tarde, quando voltou para pegar o veículo,
tomou um belo susto. Ele não estava mais lá. "Fiquei
desesperada procurando nos quarteirões próximos",
conta. Só depois de muito vaivém Andrea notou o cavalete
da "Operação Guincho" da Companhia de Engenharia de
Tráfego (CET) na vaga onde havia deixado o automóvel.
"Esqueci que era proibido estacionar ali durante o dia", diz. "Vacilei,
e eles agiram corretamente ao levá-lo." Cenas como essa estão
se tornando cada vez mais comuns. Atualmente, a CET guincha 73 veículos
por dia quatro vezes a média do primeiro trimestre
do ano.
Renata Ursaia
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| Andrea,
que estacionou em local proibido na Bela Cintra: dor de cabeça
e mão no bolso para recuperar o carro |
Esse salto só foi possível graças à
terceirização do serviço. A Marthas Serviços
Gerais, contratada pela prefeitura em abril do ano passado, emprega
260 funcionários e 39 picapes para trabalhar na locomoção
dos automóveis estacionados irregularmente, o que rende cerca
de 410.000 reais por mês aos cofres
municipais. Antes existiam quinze guinchos para fazer as remoções.
Funciona assim. O marronzinho dá o flagrante, aplica a multa
e aciona o reboque pelo rádio, que chega ao local em até
dez minutos. Os agentes levantam o carro com a ajuda de um macaco
e acoplam o guincho às rodas dianteiras. Não levam
mais que vinte minutos. "Se o proprietário aparecer nesse
intervalo, a operação é imediatamente abortada",
explica o gerente de suporte da CET, Luiz Pavão. Segundo
ele, em pelo menos 50% dos casos o dono volta a tempo.
Renata Ursaia
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A outra metade dos motoristas terá gastos e aborrecimentos
para conseguir o carro de volta. O guincho custa 329,65 reais (135,65
vão para a prefeitura) e a diária do pátio
onde fica o veículo sai por 16,22 reais. Além disso,
a multa por estacionar em local proibido, que varia de 85 a 127
reais, chega um mês depois pelo correio, junto com os 4 ou
5 pontos na carteira de habilitação. Tudo somado,
o infrator irá desembolsar, no mínimo, 430 reais.
"Tem gente que larga o automóvel em qualquer esquina e não
quer nem saber", diz Pavão. "Nossa obrigação
é desobstruir a via pública e garantir a segurança
dos pedestres e condutores." A companhia tem um ranking das ruas
mais problemáticas da cidade (veja
quadro). Quando a caminhonete amarela se dirige a
uma delas, é certo que vai sair carregada.
É
aí que entram em ação os cavaletes. Com um
número de telefone estampado (0800 7714181), eles representam
um alívio para a maioria dos guinchados, cuja primeira reação
é imaginar que seu veículo foi roubado. "Parei em
frente à faculdade de minha filha e quando voltei havia uma
placa no lugar do meu Xsara", conta a técnica de computadores
Maria Cristina Novaes. Depois de apreendidos, os carros são
transportados para o pátio central da Marthas, na Barra Funda,
onde empilhadeiras trabalham noite e dia para organizar os 600 veículos
que lotam a ampla garagem. Se em noventa dias ninguém aparecer
para reclamar, o automóvel é leiloado. Nesse prazo,
para conseguir a liberação, o proprietário
precisará ter paciência e disposição
para enfrentar filas e burocracia. Os que passam por esses transtornos
costumam levar mais a sério as placas de estacionamento proibido.
"Perdi um dia inteiro com essa história e agora só
paro onde é permitido", afirma o bancário Douglas
Markunas, que teve seu Corsa guinchado na Rua Maria Rosa, no Itaim
Bibi.
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