Publicidade
 

 
 
 


3 de setembro de 2003
IMÓVEIS
CIDADE
COMPORTAMENTO
CONSUMO
ESCOLAS
SERVIÇOS
BEBIDA
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
AS BOAS COMPRAS
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

CIDADE

Olha o guincho!

Quadruplica o número de
carros rebocados pela CET

Otávio Canecchio


Renata Ursaia

Há duas semanas, a empresária Andrea Nathan fechou sua casa noturna na Rua Bela Cintra por volta das 6 horas da manhã. Naquele sábado, preferiu deixar o Ford Ka estacionado em frente ao estabelecimento e seguiu a pé para casa, alguns metros adiante. À tarde, quando voltou para pegar o veículo, tomou um belo susto. Ele não estava mais lá. "Fiquei desesperada procurando nos quarteirões próximos", conta. Só depois de muito vaivém Andrea notou o cavalete da "Operação Guincho" da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na vaga onde havia deixado o automóvel. "Esqueci que era proibido estacionar ali durante o dia", diz. "Vacilei, e eles agiram corretamente ao levá-lo." Cenas como essa estão se tornando cada vez mais comuns. Atualmente, a CET guincha 73 veículos por dia – quatro vezes a média do primeiro trimestre do ano.

Renata Ursaia
Andrea, que estacionou em local proibido na Bela Cintra: dor de cabeça e mão no bolso para recuperar o carro


Esse salto só foi possível graças à terceirização do serviço. A Marthas Serviços Gerais, contratada pela prefeitura em abril do ano passado, emprega 260 funcionários e 39 picapes para trabalhar na locomoção dos automóveis estacionados irregularmente, o que rende cerca de 410.000 reais por mês aos cofres municipais. Antes existiam quinze guinchos para fazer as remoções. Funciona assim. O marronzinho dá o flagrante, aplica a multa e aciona o reboque pelo rádio, que chega ao local em até dez minutos. Os agentes levantam o carro com a ajuda de um macaco e acoplam o guincho às rodas dianteiras. Não levam mais que vinte minutos. "Se o proprietário aparecer nesse intervalo, a operação é imediatamente abortada", explica o gerente de suporte da CET, Luiz Pavão. Segundo ele, em pelo menos 50% dos casos o dono volta a tempo.


Renata Ursaia


A outra metade dos motoristas terá gastos e aborrecimentos para conseguir o carro de volta. O guincho custa 329,65 reais (135,65 vão para a prefeitura) e a diária do pátio onde fica o veículo sai por 16,22 reais. Além disso, a multa por estacionar em local proibido, que varia de 85 a 127 reais, chega um mês depois pelo correio, junto com os 4 ou 5 pontos na carteira de habilitação. Tudo somado, o infrator irá desembolsar, no mínimo, 430 reais. "Tem gente que larga o automóvel em qualquer esquina e não quer nem saber", diz Pavão. "Nossa obrigação é desobstruir a via pública e garantir a segurança dos pedestres e condutores." A companhia tem um ranking das ruas mais problemáticas da cidade (veja quadro). Quando a caminhonete amarela se dirige a uma delas, é certo que vai sair carregada.

É aí que entram em ação os cavaletes. Com um número de telefone estampado (0800 7714181), eles representam um alívio para a maioria dos guinchados, cuja primeira reação é imaginar que seu veículo foi roubado. "Parei em frente à faculdade de minha filha e quando voltei havia uma placa no lugar do meu Xsara", conta a técnica de computadores Maria Cristina Novaes. Depois de apreendidos, os carros são transportados para o pátio central da Marthas, na Barra Funda, onde empilhadeiras trabalham noite e dia para organizar os 600 veículos que lotam a ampla garagem. Se em noventa dias ninguém aparecer para reclamar, o automóvel é leiloado. Nesse prazo, para conseguir a liberação, o proprietário precisará ter paciência e disposição para enfrentar filas e burocracia. Os que passam por esses transtornos costumam levar mais a sério as placas de estacionamento proibido. "Perdi um dia inteiro com essa história e agora só paro onde é permitido", afirma o bancário Douglas Markunas, que teve seu Corsa guinchado na Rua Maria Rosa, no Itaim Bibi.

 


 

         
 

     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados